Enciclopédia do Karate — História, Mestres e Fundamentos

MENSAGEM DO MESTRE

Monte Fuji
"O KARATE-DO é uma Arte Marcial nobre, e o leitor pode ter certeza de que aqueles que se orgulham de quebrar tábuas ou telhas, ou que se vangloriam de poder realizar façanhas exóticas, como retalhar carne ou arrancar costelas, realmente não conhecem nada do KARATÊ. Eles estão brincando nos galhos e entre as folhas de uma árvore frondosa, sem ter a mínima ideia do que é o tronco."
Gichin Funakoshi (1868 – 1957)

O QUE É O KARATE-DO?

O Karatê-dô é uma arte marcial de origem japonesa (kara = vazio, te = mão, dô = caminho), sendo o corpo sua principal arma. Seu espírito é semelhante ao das demais artes marciais, como o Judô, o Kendô, o Kyudô, entre outras. Assim como elas, exige treinamento constante. Somente a prática regular e perseverante permitirá ao praticante conquistar seus segredos.

É uma arte harmoniosa, que combina velocidade e força em seus movimentos. Utiliza todo o potencial e capacidade do corpo para alcançar o equilíbrio físico e mental. Baseia-se em técnicas de defesa e ataque, e requer uma integração total entre o físico e o psicológico.

Para que essa integração ocorra, é necessário um treinamento contínuo, visando desenvolver tanto a agilidade quanto a força. É fundamental compreender que, para se alcançar a perfeição técnica, os caminhos são a paciência e a perseverança.

O Karatê-dô representa uma arte milenar, que vai além de uma simples forma de lutar sem armas. Assim como todas as artes e disciplinas do Zen, é um caminho de autoconhecimento, aperfeiçoamento e crescimento espiritual.

Para explicar, de forma breve e clara, sua finalidade como arte marcial, cito uma frase do Kenpô, perfeitamente aplicável a qualquer estilo de Karatê-dô:

“Aqui estou com as mãos vazias. Não tenho armas. Porém, se sou obrigado a defender-me, a defender meus princípios e minha honra, se for questão de vida ou morte, então aqui estão minhas armas: as mãos vazias.”

BODHIDHARMA

Ta Mo Lao Tsu nasceu em Kanchi, capital do reino sulista de Pallawa, por volta de 440. Ele era um brâmane, o que significa que era um líder espiritual hindu. Era o terceiro filho do rei Simhavarman, que pertencia a casta de guerreiros Kshatriyas.

O rei quis dar ao seu filho a melhor educação de luta e contratou Prajnatara de Magadha (um antigo centro de budismo) para ensiná-lo a arte marcial indiana chamada Vajramushti (Punho Direto).

Prajnatara foi iniciado nos mais altos mistérios budistas e, quando Punyamitra morreu, tornou-se o vigésimo sétimo patriarca do Budismo. Ele se afeiçoou muito a seu discípulo e lhe transmitiu técnicas marciais de impressionante eficácia.

Bodhidharma, que significa "iluminado", viveu o Vajramushti e o budismo. Evoluiu até se tornar o 28º patriarca do Budismo. Mudou os rituais e criou um novo conceito chamado Dhyanna, que significa meditação. Para os chineses, a palavra sofreu mudanças na pronúncia, passando a ser pronunciada como "Ch'anna" e, finalmente, "Ch'na". Zen é o nome japonês. Foi Prajnatara quem disse para Bodhidharma ir à China. Como a rota terrestre estava bloqueada pelos hunos e Pallawa tinha negócios no sudeste asiático, Bodhidharma partiu de navio do porto de Mahaballipuram. Depois de percorrer a costa da Índia e a península da Malásia por três anos, ele finalmente chegou ao sul da China no ano 475.

Naquela época, o país era governado pelas famílias Wei do Norte e Liu Sung. No início do século III, a China se dividiu em dinastias norte e sul. Esse período de divisão e conflito durou até o país ser reunificado sob a dinastia Sui, no final do século VI. Foi nesse momento que o budismo indiano virou o budismo chinês. Os norteiros, que gostavam de estratégia e magia, e os sulistas, que preferiam discutir filosofia e entender os princípios, ajudaram a transformar o budismo indiano.

Quando Bodhidharma chegou à China no fim do século V, havia cerca de 2 mil templos budistas e 36 mil clérigos no sul do país. No norte, um levantamento de 447 templos identificou 6,5 mil templos e cerca de 80 mil clérigos. Menos de 50 anos depois, outro levantamento feito ao norte aumentou esses números para 30 mil templos e 2 milhões de clérigos, ou cerca de 5% da população. Muitas pessoas que queriam evitar impostos ou serem recrutadas e outras que buscavam a proteção da igreja por outros motivos seguiram o budismo. No sul, ele ficou restrito à elite educada até o século VI.

Quando chegou ao porto de Nanhai, Bodhidharma visitou centros budistas no sul e começou a aprender chinês, se é que ele não tinha feito isso no caminho desde a Índia. Segundo a obra “Transmissão da Lâmpada” de Taoyuan, Bodhidharma chegou ao sul em 520 e foi convidado a ir à capital para uma audiência com o imperador Wu, da dinastia Liang, sucessor de Liu Sung. Nesse encontro, o Imperador quis saber se era bom fazer trabalhos religiosos, e Bodhidharma respondeu com a doutrina do vazio. O Imperador não entendeu e Bodhidharma foi embora. Os registros mais recentes, no entanto, não mencionam tal encontro.

De qualquer maneira, Bodhidharma atravessou o Rio Yangtze (diz a lenda que foi em um barco de bambu) e se estabeleceu ao norte. Primeiramente, na capital de Wei, Pingcheng. Em 94, quando o Imperador Hsiao-wen mudou sua capital para o sul de Loyang, na margem norte do Rio Lo, a maioria dos monges que viviam na área de Pingcheng também mudou-se, e Bodhidharma provavelmente estava entre eles. Quando a capital foi mudada para Loyang, Sheng-fu mudou-se para o sul. Como a ordenação geralmente leva três anos, Bodhidharma deve ter ido para o norte por volta de 490 e, provavelmente, já falava chinês fluentemente.

Alguns anos depois, em 496, o Imperador ordenou a construção do templo de Shaolin no Monte Sung, na Província de Honan, ao sudeste de Loyang. O templo foi construído para um mestre de meditação da Índia, e não para Bodhidharma. Bodhidharma é o único monge associado a Shaolin, embora mais mestres zen tenham visitado o templo nos últimos 1.500 anos. Bodhidharma passou nove anos meditando de frente para uma parede de pedra dentro de uma caverna a cerca de uma milha do templo Shaoshih Ocidental do Monte Sung. Provavelmente, essa é a lenda sobre a inscrição "este é o local onde TA MO fitou a parede", escrita em uma das salas de um templo em Sung Chan. O templo Shaolin ficou famoso como centro de treinamento de monges em KUNG FU, e Bodhidharma é honrado como fundador dessa arte. O nome "kung fu" significa "TEMPO DE HABILIDADE". Quando alguém se dedica intensamente e transforma uma arte em uma experiência sólida de aprimoramento pessoal, na China essa pessoa é chamada de KUNG FU. No Ocidente, esse termo geralmente descreve todas as artes marciais chinesas.

Na China, o nome dado a todos os conhecimentos das artes marciais é Wushu. No passado, durante o governo do imperador Huang Ti (2.674 a.C.), o Wushu era o conjunto de todos os conhecimentos técnicos desenvolvidos durante uma batalha. O conceito de tempo de habilidade se refere às qualidades psicológicas necessárias para transformar um conhecimento comum em algo realmente profundo. Naquela época, os bandidos eram uma ameaça constante para as pessoas e seus bens. Os mantimentos eram difíceis de encontrar e os monges dos templos tinham pouco o que comer. Quando não eram atacados ou mortos no caminho, frequentemente desmaiavam durante as aulas. A história conta que, quando Bodhidharma chegou ao templo, viu que os monges estavam muito doentes. Eles passavam longas horas parados durante a meditação e isso estava afetando sua saúde. Então, ele resolveu ajudá-los. A história conta que, em certa noite, vendo seus ouvintes dormirem de cansaço durante sua instrução, disse aos monges reunidos: "Embora os ensinamentos da Lei Budista tenham como objetivo alimentá-los espiritualmente, na realidade o espírito e a carne são uma só coisa". Eles não são separados. Olhando para vocês agora, vejo que estão exaustos. Eles não podem esperar terminar os estudos agora. A partir de amanhã, vocês vão levantar cedo e treinar de acordo com o meu método". E passou a ensinar os monges a fortalecer a mente e o corpo de acordo com os sutras Ekikin e Senzui.

Ekikin, com os caracteres eki (mudança) e kin (músculo), significa "disciplinar e endurecer o corpo". Senzui significa "lavar o pó da mente" para revelar sua verdadeira luz. A prática do método descrito no sutra Ekikin fortalece o corpo e permite que se alcance a maestria dos Reis Deva. Limpar a mente com o sutra Senzui faz a gente ter mais força de vontade para seguir o caminho espiritual. Dizem que esses dois sutras juntos dão o poder de mover montanhas e a KI para envolver o universo. Ele ensinou uma combinação de exercícios de respiração profunda, ioga e uma série de movimentos chamados SHI-PA-LO-HAN (dezoito mãos de Lo-Han, um famoso discípulo de Buda). Ele dizia que um corpo saudável não só nos torna mais alertas, mas também nos permite ter uma conexão mais profunda com nossas almas. Esse princípio também é seguido no HATHA YOGA. Bodhidharma não usou as técnicas indianas. Em vez disso, adaptou e melhorou os exercícios usados pelos Mestres de KUNG FU há milhares de anos com a YOGA. Os discípulos gostaram muito e Bodhidharma passou a incluir aulas de KUNG FU na rotina diária. Em poucos anos, o Templo Shaolin ficou famoso pelo ensino da nova doutrina zen e pelo desenvolvimento de novas técnicas de KUNG FU.

Por volta do ano 500, Loyang era uma das maiores cidades do mundo, com mais de meio milhão de habitantes. Quando o Imperador Hsuan-wu morreu em 516 e a Imperadora Dowager Ling assumiu o governo, uma das primeiras coisas que ela fez foi mandar construir o templo Yung-ning. A construção desse templo e de sua torre de 400 pés de altura quase esgotou o tesouro imperial. Segundo o que foi registrado nos templos de Loyang em 547, por Yang Hsuan-chih, os sinos de vento dourados que eram pendurados nos beirais do telhado podiam ser ouvidos a três milhas de distância, e a ponta da torre do templo podia ser vista a 30 milhas de distância. O relato de Yang inclui os comentários de um monge do leste chamado Bodhidharma, que disse que aquela era a estrutura mais imponente que ele já tinha visto. Como o templo não foi construído antes de 516 e foi destruído pelo fogo em 534, Bodhidharma deve ter estado na capital por volta de 520. Registros antigos dizem que ele viajou por toda a área de Loyang, acompanhando as estações do ano. Na capital, no entanto, ele deve ter estado no templo Yung-ming. Yung-ming não é o mesmo que Yung-ning. Foi construído alguns anos antes, no começo do século VI, pelo Imperador Hsuan-wu. Era o templo central para monges estrangeiros. Antes que as pessoas deixassem a cidade durante o colapso de Wei, ao norte, em 534, o templo era a casa de mais de três mil monges de países tão distantes quanto a Síria.

Apesar de o budismo zen ter se popularizado de repente na China, Bodhidharma teve poucos discípulos. Além de Sheng-fu, que se mudou para o sul logo após se tornar monge, os únicos discípulos mencionados são Tão-yu e Hui-k'o. Dizem que os dois estudaram com Bodhidharma por cinco ou seis anos. Tão-yu entendeu o caminho, mas nunca ensinou os outros. Bodhidharma confiou o manto e a tigela de sua linhagem a Hui-k'o. Segundo Tân-hsuan, essa linhagem era uma cópia da tradução do Sutra Lankavatara feita por Gunabhadra.

Em sua Transmissão da Lâmpada, Tao-yuan diz que, assim que transmitiu o patriarcado de sua linhagem para Hui-k'o, Bodhidharma morreu em 528, no quinto dia do décimo mês, envenenado por um monge. Na sua biografia mais antiga, Tansho-hsuan diz que Bodhidharma morreu nas margens do rio Lo, mas não dá a data nem a causa da morte. Segundo Tao-yuan, os restos de Bodhidharma foram enterrados perto de Loyang, no templo Tinglin, na Montanha Orelha de Urso. Tao-yuan também diz que, três anos depois, um oficial encontrou Bodhidharma caminhando pelas montanhas da Ásia Central.

Ele estava carregando um cajado com uma sandália pendurada e disse ao oficial que estava voltando para a Índia. Outros monges ficaram curiosos sobre o encontro e finalmente concordaram em abrir a tumba de Bodhidharma. Eles só encontraram uma sandália. Por isso, Bodhidharma é sempre mostrado com um cajado, no qual a sandália está pendurada.

Depois da morte do Imperador Hsiao-wu, em 534, a região norte se dividiu em duas dinastias: Wei Ocidental e Wei Oriental. A poderosa família Kao de Wei Oriental era famosa por patrocinar o budismo. Por isso, muitos monges que viviam em Loyang, incluindo Hui-k'o, mudaram-se para Yeh, capital de Wei Oriental. Lá, Hui-k'o finalmente encontrou T'na-lin. T'na-lin trabalhou primeiro em Loyang e depois em Yeh, escrevendo prefácios e comentários para novas traduções dos textos budistas. Depois de encontrar Hui-k'o, ele ficou interessado na forma como Bodhidharma ensinava o budismo e escreveu um pequeno texto antes do Esboço da Prática. Nesse prefácio, ele diz que Bodhidharma veio do sul da Índia e que, depois de chegar à China, encontrou apenas dois discípulos de valor: Hui-k'o e Tão-yuan. Ele também diz que Bodhidharma ensinava meditação na parede e as quatro práticas descritas no Esboço.

Se isso é tudo que sabemos sobre Bodhidharma, por que ele é o mais famoso de milhões de monges que estudaram e ensinaram o Dharma na China? Isso porque ele é reconhecido como o responsável por trazer o zen para a China. É claro que a meditação zen já era ensinada e praticada há centenas de anos antes de Bodhidharma chegar. Muitas das coisas que ele disse sobre a doutrina já tinham sido ditas antes por Tão-sheng.

Mas a forma como Bodhidharma ensinava o Zen era única. Como ele diz nesses sermões, "Ver sua natureza é zen... Não pensar em nada é zen. Tudo que você faz é zen." Enquanto outras pessoas viam o zen como uma forma de purificar a mente ou como uma etapa para se alcançar a budeidade (o estado de ser Buda, de iluminação plena), Bodhidharma viu o zen e a budeidade como a mesma coisa, e a budeidade como algo que pode ser vivido no dia a dia.

Ao invés de dizer aos seus discípulos para purificarem suas mentes, ele lhes apontava paredes de pedra, movimentos de tigres e garças, uma embarcação de bambu flutuando no rio Yangtze, uma sandália. Bodhidharma era adepto do zen Mahayana, não do Hinayana (a espada da sabedoria, não a almofada de meditação). Assim como outros mestres, ele ensinou seus discípulos sobre disciplina budista, meditação e doutrina, mas usou a espada que recebeu de Prajnatara para livrá-los das regras, transes e escrituras. Essa espada é difícil de segurar e de usar.

Mas essa ideia radical do zen não surgiu com Bodhidharma ou com Prajnatara. Dizem que, um dia, Brahma, o deus da criação, ofereceu uma flor a Buda e pediu que ensinasse o Dharma. Quando Buda levantou a flor, sua audiência estava confusa, exceto Mahakasyapa, que sorriu. Foi assim que o zen começou. E foi assim que ele foi transmitido: com uma flor, com uma parede de pedra, com um grito. Essa abordagem, criada por Bodhidharma e seus seguidores, mudou como o budismo era entendido e praticado na China.

Bodhidharma foi o primeiro a codificar e estudar o KUNG FU de forma científica. Antes dele, nada tinha sido escrito ou organizado. Técnicas avançadas eram guardadas com cuidado e passadas de geração em geração. No começo, os exercícios de Bodhidharma eram só para a cultura física, mas logo foram adotados pelo kung fu.

Depois que Bodhidharma morreu, seus alunos se separaram e a arte quase se perdeu. Centenas de anos depois, um jovem chamado Yen a reviveu. Yen se tornou sacerdote e adotou o nome de Chueh Yuan. Seu interesse por exercícios e artes marciais o fez estudar o sistema de Bodhidharma e transformá-lo em 72 estilos. Em poucos anos, esse sistema moderno de combate tornou a Arte de Shaolin a mais importante da China. Mas Chueh Yuan ainda não estava satisfeito. Conta a lenda que ele viajou pela China em busca de novos conhecimentos. Certo dia, ele viu um mendigo de sessenta anos sendo maltratado por um jovem mal-educado.

Enquanto Chueh Yuan observava, o brutamontes tentou dar um pontapé nele, mas o ancião se esquivou do golpe e tocou no agressor, que desmaiou. Chueh Yuan ficou impressionado e foi falar com o mendigo. O velho Li Ch'eng não sabia muito sobre artes marciais, mas o apresentou a Pai Yu-Feng, um mestre religioso de 50 anos, de estatura média, muito inteligente e famoso em muitas províncias.

Chueh Yuan convenceu Pai Yu-Feng e Li Ch'eng a irem morar no Templo Shaolin. Lá, eles transformaram os 18 movimentos de Bodhidharma e os 72 movimentos de Chueh Yuan em 170 movimentos, criando os cinco estilos baseados em cinco animais: tigre, dragão, leopardo, serpente e grou. Esses estilos se tornaram a base da escola de Shaolin.

TIGRE (虎 – Hǔ): O estilo do Tigre representa a força bruta, a agressividade e a determinação. É voltado para o desenv olvimento dos músculos, ossos e ten dõ es, com ênfase em ataques diretos e potentes. A técnica da “garra de tigre” é uma de suas marcas, usada para agarrar, rasgar e imobilizar o oponente. É o estilo do poder físico e da resistência.

DRAGÃO (龍 – Lóng): O estilo do Dragão simboliza a sabedoria e o desenvolvimento espiritual. Seus movimentos são fluidos, circulares e imprevisíveis, representando a liberdade de pensamento e ação. O foco está no controle interno da energia (Qi) e na consciência corporal. Não depende da força, mas da integração entre mente e corpo.

LEOPARDO (豹 – Bào): O estilo do Leopardo é rápido, ágil e explosivo. Ele combina velocidade e potência, com técnicas focadas em golpes de impacto e movimentação veloz. Ao contrário do Tigre, o Leopardo economiza energia e busca atacar pontos vitais com precisão. Representa a inteligência estratégica e a ação relâmpago.

SERPENTE (蛇 – Shé): A Serpente simboliza a precisão, a suavidade e o controle do Qi. Seus movimentos são ondulantes, flexíveis e exigem concentração, respiração controlada e foco nos detalhes. Não há uso da força física, mas da energia interna, do toque sutil e da penetraçã o nos pontos vitais. Desenvolve a sensibilidade e a intuição.

GROU (鶴 – Hè): O estilo do Grou representa o equilíbrio, a graça e a paciência. Seus movimentos são elegantes, com postura ereta, deslocamentos leves e uso constante do equilíbrio sobre uma perna. Trabalha a estabilidade, o controle emocional e a precisão técnica. É o estilo da serenidade em meio ao combate.

Diferente das lendas populares, o processo de formação no Templo Shaolin era longo, exigente e baseado em disciplina, dedicação e profundo compromisso com os ensinamentos budistas e marciais.

A rotina dos monges iniciava ainda de madrugada, com meditação, recitação de sutras e práticas de Chan (Zen). O treinamento físico fazia parte da prática espiritual, sendo encarado como uma forma de cultivar o corpo e a mente de forma integrada.

A arte marcial praticada era chamada de Shaolinquan (拳) e incluía:

A formação completa podia levar mais de 10 anos, mas não havia um sistema de graduação formalizado com faixas ou certificados como nas artes marciais modernas. O reconhecimento vinha pela conduta, habilidade, disciplina e compreensão do Dharma (ensinamentos budistas).

O monge guerreiro não era apenas um lutador, mas um praticante espiritual comprometido com a paz, compaixão e o autodomínio. Aquele que demonstrava maturidade espiritual e domínio técnico podia tornar-se instrutor e receber responsabilidades maiores dentro do templo.

A prática marcial era sempre subordinada ao caminho espiritual do Chan, e usar as artes para agredir ou buscar glória pessoal era condenado.Com a chegada de Bodhidharma e a criação da escola de Shaolin, era de se esperar que surgissem diferentes tipos de KUNG FU. No geral, duas escolas diferentes dominaram o Kung Fu: a Escola Mole, ou Externa, e a Escola Dura, ou Interna. Mas isso não quer dizer que são duas escolas opostas. Na verdade, muitas técnicas são usadas pelas duas escolas. A Escola Dura é conhecida pelo ritmo, velocidade e força, com saltos e pontapés. A Escola Mole surgiu cerca de 800 anos depois e é marcada por movimentos lentos e graciosos, que se fundem ao usar o controle mental em vez da força física e a flexibilidade em vez da brutalidade. Os movimentos da Escola Dura são parecidos com os da Ginástica Olímpica, e os da Escola Mole, com os do balé.

Os 18 exercícios originais de Bodhidharma eram da Escola Mole. Isso é curioso porque foi a partir desses exercícios que surgiu a Escola Dura, que dominou totalmente o KUNG FU até que o TAI CHI CHUAN e suas artes parecidas surgissem 500 anos mais tarde. Isso não quer dizer que os exercícios de BODHIDHARMA tenham parado de ser usados. Todo novato precisa aprender isso, não importa em qual escola está.

Bodhidharma foi um grande seguidor de Buda. No Japão, é chamado de Daruma Taishi (ou Bodai Daruma). Sua genealogia é a seguinte:

  • 1 - Shakyamuni (BUDA)
  • 2 - Mahākāśyapa
  • 3 - Ananda
  • 4 - Śāṇakavāsin
  • 5 - Upagupta
  • 6 - Dhṛtaka
  • 7 - Micchaca
  • 8 - Buddhanandi
  • 9 - Buddhamitra
  • 10 - Bhikṣu Pārśva
  • 11 - Puṇyayaśas
  • 12 - Aśvaghoṣa
  • 13 - Kapimāla
  • 14 - Nāgārjuna
  • 15 - Kāṇadeva
  • 16 - Rāhulata
  • 17 - Saṅghanandi
  • 18 - Saṅghayaśas
  • 19 - Kumāralāta
  • 20 - Jayata
  • 21 - Vasubandhu
  • 22 - Manorhita
  • 23 - Haklena-yaśas
  • 24 - Bhikṣu Siṃha
  • 25 - Vasiṣṭha
  • 26 - Punyamitra
  • 27 - Prajñātāra
  • 28 - BODHIDHARMA

OKINAWA

Okinawa é uma província localizada ao sul do Japão, composta por três ilhas principais que se estendem por aproximadamente 700 km ao sul de Kagoshima, até as proximidades de Taiwan.

Quanto à bandeira de Okinawa (imagem ao lado), o círculo externo representa o oceano. O círculo branco, além de simbolizar a letra “O” do alfabeto — em alusão a Okinawa —, representa também a paz e a harmonia entre as pessoas. O círculo interno simboliza o progresso dinâmico e global da província. Em resumo, esse símbolo representa o oceano, a paz e o progresso de Okinawa.

O aspecto mais curioso sobre Okinawa é sua vasta diversidade cultural e étnica, que difere significativamente das culturas tradicionais japonesas. Analisando sua história, é possível compreender a origem dessas diferenças. O arquipélago de Okinawa, até 1879 (11 anos após o início da Era Meiji), era um país completamente independente do Japão. Seu nome antigo era Ryukyu, uma monarquia que perdurou por quase cinco séculos. Antes de 1383, o arquipélago era conhecido pela designação chinesa Liukiu, até recuperar seu nome original.

A história de Ryukyu, comparada à do Japão, é cronologicamente mais recente. Enquanto o clã Yamato já dominava quase toda a ilha de Honshu (a maior do arquipélago japonês) no século VIII, as ilhas de Ryukyu ainda viviam um período pré-histórico, com uma sociedade quase tribal, organizada em pequenas comunidades chamadas gusuku, cada uma liderada por um chefe denominado aji. Havia três gusuku principais em Okinawa: Nakijin, Shuri e Ozato, que funcionavam como pequenos “reinos”. No século XV, Shō Hashi unificou os três territórios, fundando o Reino de Ryukyu, que se manteve soberano até ser anexado pelo Japão na Era Meiji.

Durante o florescimento da civilização ryukyuana, o país recebeu forte influência da China, considerada modelo de cultura e desenvolvimento. Entre os séculos XV e XVII, Ryukyu tornou-se uma potência comercial no extremo oriente. Por manter contato com diversos povos, absorveu influências culturais significativas em sua arte e em seu idioma.

Atualmente, a cultura de Okinawa é única dentro do arquipélago japonês. Embora tenha sofrido forte influência do Japão continental, conseguiu preservar uma essência própria, que ainda hoje é visível nas tradições mantidas por seus descendentes.

ARTES MARCIAIS EM OKINAWA

Até o século IX, Okinawa quase não tinha relações com outros países, mas os registros japoneses de 753 já a mencionam. Por isso, ao contrário do que aconteceu no Japão, a cultura chinesa não influenciou o país até então. Isso porque o Japão se organizou seguindo o modelo chinês, adotando a escrita, a religião, as artes e as ideias da China.

Porém, a partir do século IX, a ilha de Okinawa passou por um grande desenvolvimento, resultado dos primeiros contatos com o Japão e da importação do ferro.

O ferro, usado para fazer instrumentos agrícolas, causou uma grande mudança. Com o budismo, também chegaram à China a escrita chinesa e outros conhecimentos.

A ilha era habitada por vários clãs rivais que se envolviam frequentemente em batalhas sangrentas. Nessa época, o primeiro rei de Okinawa, Shunten, o Senhor de Urasoe, construiu um sistema de defesa fortificado. Esse fato histórico marca o início da ascensão de uma classe guerreira nativa, ou seja, que nasceu na terra onde vive, sem vir de fora.

No século XIV, houve muitas negociações comerciais com a China, a Coreia, o Japão, o Java e o Sumatra. Na política, os chefes locais ganharam mais poder. Isso fez com que os chefes começassem a lutar entre si, até que, em 1316, surgiram três reinos: CHUZAN (Montanha do Meio), NANZAN (Montanha do Sul) e HOKUZAN (Montanha do Norte). Esse é o período chamado de SANZAN JIDAI (Período das Três Montanhas).

Os três reinos começaram a fazer negócios com a China Ming, mais conhecida como Dinastia Ming. O rei Satto, da China, é leal ao imperador chinês e faz uma promessa de fidelidade em 1372.

Neste ano, o Imperador da China também confirmou oficialmente o título de Rei dos três Reis de Ryukyu. É a partir desse evento que começam as viagens de embaixadas chinesas para Okinawa, durante as cerimônias que celebram a sucessão dos três reinos. "O navio que transportava as delegações é chamado na ilha de Okanshin, barco da Coroa. E desde 1372 até 1866 isso aconteceu 23 vezes (História do Karatê, Kenji Tokitsu). Essas delegações, que tinham funcionários civis e militares e chegavam a ter 500 pessoas, foram muito importantes para divulgar as artes marciais chinesas.

Em 1383, os três reinos passaram a pagar tributos à China, situação que durou até 1883. Só cinco séculos depois, Okinawa recuperou o seu nome original, pois até então era chamada pelo nome chinês de Liuqiu (RYUKYU em japonês).

Em 1429, o Rei Sho Hashi (CHUZAN) unificou a ilha, reunindo as velhas províncias de CHUZAN, HOKUZAN e NANZAN, que lutavam entre si pelo poder. A província de CHUZAN do Rei Sho Hashi (1372-1439) venceu a batalha contra as outras duas. Sho Hashi proibiu o uso de armas.

Para evitar uma revolta, o decreto de Sho Hashi incentivou os habitantes de Okinawa a praticarem lutas sem armas. Os chineses que foram enviados pelos Ming também ajudaram. Nessa época, as pessoas começaram a usar objetos do dia a dia, como remos, foices, utensílios de ferro e arpões, para lutar. Com o tempo, essas armas foram transformadas e agrupadas sob o nome de KOBUDO (Caminho das Armas Antigas). Foi quando começaram a trazer elementos das artes marciais chinesas para criar uma arte marcial própria de Okinawa.

Outra coisa que fez com que a "Arte das mãos vazias" surgisse e se desenvolvesse, e que ajudou a fortalecer a cultura chinesa e a aumentar a dependência da ilha da China, foi a chegada das chamadas "36 Famílias", um grupo de chineses comerciantes, à aldeia Kuma, no Reino de Chuzan (atual região de Naha). Em 1392, o Rei SATTO pediu ao Imperador da China que aceitasse essas famílias no Reino de Chuzan.

Essas 36 famílias trabalhavam para o governo chinês e tinham várias funções, como escrever documentos oficiais da ilha. Eles viviam fechados em si mesmos e lutavam para mostrar seu poder e manter sua capacidade de defesa.

Foi na primeira dinastia Sho que a arquitetura, a culinária, o vestuário e a música chinesa se desenvolveram muito. As melhores famílias de Okinawa começaram a mandar seus filhos estudar na China.

A segunda Dinastia Sho começa em 1470. Nessa época, o filho do Rei Sho Em, Sho Shin, proíbe os chefes locais de usar armas e os incentiva a viver como nobres na cidade de Shuri, capital do reino. Essas artes marciais de mãos vazias são praticadas por essa classe.

A partir de 1523, Okinawa viveu o seu melhor momento. A Dinastia Ming e o Xogunato de Ashikaga pararam de fazer negócios juntos e Okinawa virou um grande centro comercial para os dois reinos. Foi nesse tempo, em 1554, que o imperador Ming decidiu que a ilha era importante e deu uma placa para comemorar, dizendo que Okinawa era Shurei no Kuni, que em japonês significa "nação da prosperidade". Essa placa está na Shurei no Mon, uma porta feita especialmente para isso, e que ainda hoje é um símbolo turístico de Okinawa.

Com os negócios se tornando cada vez mais frequentes com o Japão e, é claro, por estar mais perto, os jovens nobres da ilha começaram, por volta de 1572, a escolher os templos budistas de Quioto como local de estudo, em vez de Pequim.

No começo do século 17, o Japão estava saindo de uma guerra civil muito violenta. Tokugawa, o clã vencedor, expulsou os Satsuma, empurrando-os para o sul do país. Ichisa Shimazu foi derrotado, mas não destruído. Ele lançou-se sobre Okinawa no dia 5 de abril de 1609 com três mil guerreiros armados com espingardas (tecnologia militar introduzida no sul do Japão pelos portugueses em 1543). Eles permaneceram até 1879. Esse foi o momento mais difícil da história da Ilha, mas também foi quando o karatê mais cresceu. Logo após a ocupação, Ichisa Shimazu publica seu primeiro decreto, que reforça a proibição de portar armas e de praticar artes marciais. A punição para quem desobedecesse era a morte. (Foto acima: o castelo de SHURI, construído em 1509 pelo rei SHO SHIN, que proibiu pela primeira vez a posse de armas aos habitantes de Okinawa).

Confiscou tudo o que era de metal e desativou as fundições. Depois de muitos pedidos da população, cada vila passou a ter uma faca coletiva. Essa faca era amarrada a uma corrente na praça e era vigiada 24 horas por dia por soldados armados.

Diante de tantas dificuldades, muitas pessoas começaram a lutar por sua liberdade. Nessa época, surge Yara. Yara é um herói nacional. Ele viajou para a China, talvez seguindo os passos de outros compatriotas, e depois de 20 anos voltou com uma habilidade impressionante nas artes marciais chinesas (WUSHU).

Yara contou aos outros o que aprendeu na China enquanto lutava contra os Satsuma. Todos os que ensinavam sabiam dos riscos e faziam o trabalho à noite e em lugares escondidos, para o inimigo não ver. As armas eram tomadas aos poucos, os soldados morriam, as facas comunitárias desapareciam e os Satsuma nunca descobriram quem fazia tudo isso.

Entre os rebeldes, as pessoas consideradas suspeitas eram eliminadas do grupo de forma muito segura. Eles a levavam para o alto mar e a abandonavam em um pequeno barco sujo de sangue de bode. Os tubarões não demoraram a chegar.

A arte marcial de Okinawa passou a ser chamada de TO-DE, onde TO significa "dinastia da China" no dialeto de Okinawa e DE significa "técnica" ou "mãos". Isso aconteceu porque o elemento chinês era muito importante. Portanto, TO-DE significava "Mãos da China", fazendo referência à Dinastia Tang.

Yara não deixou um estilo de caratê definido. Como já foi dito, seus conhecimentos estavam impregnados na arte marcial chinesa. Entretanto, no kobudô, deixou traços mais marcantes, em especial no manejo do sai (um tipo de punhal) e do bo (um bastão).

O nome dado às formas de luta de Okinawa foi "Te", que significa "Mão". Havia três principais grupos de "Te" em Okinawa. Esses núcleos foram as cidades de Shuri, Tomari e Naha. As três principais correntes são chamadas de Shuri-te, Tomari-te e Naha-te.

SHURI-TE - Shuri é a origem de um estilo de karatê que se assemelha ao wushu, praticado no norte da China. Esse estilo prioriza esquivas, golpes rápidos, chutes altos, deslocamentos precisos e velocidade. Podemos dizer com certeza que essa escola era bem mais influenciada pelos chamados Estilos Externos, segundo os chineses. Um dos maiores nomes do Shuri-te foi Shungo Sakugawa (1733-1815). Mestre Sakugawa, que nunca foi à China, aprendeu quase tudo o que sabe com um monge chamado Peichin Takahara, que morava na aldeia de Akata. Aos 23 anos, em Naha, ele começou a praticar com um mestre chinês chamado Kwang Shang Fu, mais conhecido pelos habitantes de Okinawa como Kushanku. Depois que Kushanku foi para a China e Takahara morreu, Shungo Sakugawa decidiu ensinar o que aprendeu com os dois Mestres. O conceito de "DOJO" ou "BUDO" (Caminho da Arte Marcial) é atribuído a Shungo Sakugawa. O lema do dojo era: "Perfeição do caráter, ter fé, ser diligente, respeitar os outros e conter e prevenir a violência".

Shungo Sakugawa (foto ao lado) tinha quase 70 anos quando o jovem Sokon Matsumura começou a treinar com ele. Sokon "BUSHI" Matsumura nasceu em 1796, em uma família nobre de Ryukyu. Aos 20 anos, ele se tornou guarda do príncipe no Castelo de Shuri. Em 832, ele começa a praticar esgrima no Clã Satsuma (Escola Jigen Ryu). Em 1836, ele foi para Pequim, na China, e ficou lá por 15 meses. Lá, ele aprendeu XINGYI-QUAN (que é uma arte marcial do norte da China) com um mestre chamado Wei Bo. Bushi era o maior lutador de artes marciais de Okinawa naquela época. Foi ele que criou a prática de endurecer as mãos usando o makiwara (um método que não era conhecido na China e provavelmente veio do Japão da Escola de Sabre).

Sokon Matsumura (foto ao lado) foi o melhor aluno que Shungo Sakugawa já teve. Depois da morte dele, tornou-se um dos instrutores mais importantes de SHURI-TE. Foi mestre de Yasutsune Itosu (1813-1915), conhecido como "Punho Sagrado", e teve algumas qualidades como karateca. Itosu tinha o corpo largo e a altura média. Suas mãos tinham uma força impressionante, quase como a de um torno mecânico, capaz de esmagar gomos de bambu com um simples aperto. Ele usava suas técnicas com muita força e era imbatível na sua época. Como professor, ele era muito respeitado e todos queriam aprender karatê com ele. Os principais discípulos foram Gichin Funakoshi (1868-1957) e Choshin Chibana (1885-1969).

Itosu foi o responsável por introduzir a arte nas escolas públicas de Okinawa. SHURI-TE foi o precursor dos estilos japoneses chamados SHOTOKAN, SHITO RYU e ISSHIN RYU.

Katas (SHURI-TE): Nijushiho (Niseishi), Unsu, Bassaï Dai, Bassaï Sho, Chinte, Gankaku (Chinto), Sochin (Hakko), Empi, Gojushiho, Matsukaze, Shiho Kosokun, Jiin, Jion, Jitte, Kanku Dai, Kanku shô, Tekki 1-3 (Naihanchin 1-3), Heian 1-5 (Pinan 1-5), Meikyo.

TOMARI-TE - Tomari ficava perto da pequena aldeia de Kumessura, onde moravam militares. O estilo foi criado por Kosaku Matsumura (1829-1898) e Kosaku Oyadomari (1831-1905). Kosaku Matsumura foi Mestre de Chokki Motobu, e Kosaku Oyadomari foi Mestre de Chotoku Kyan (foto abaixo: Monumento em homenagem à Kosaku Matsumura numa praça de Tomari).

Chokki Motobu nasceu em Akahira, na região de Shuri, em uma família nobre. Foi o primeiro a ensinar TO-DE nas ilhas centrais do Japão. Chegou a Osaka em 1921. Ele venceu muitos praticantes de judô e boxe, a quem lançava desafios públicos. Um exemplo foi o famoso combate de novembro de 1921 em Quioto, no qual ele participou de um torneio público entre judocas e lutadores de boxe. Foi quando ele derrotou um grande boxeador europeu chamado Georges. Em 1926, ele publicou o livro Ryukyu Kenpo To-De Jutsu: Kumite Hen, que destaca principalmente as técnicas de luta. Ele também foi aluno de Yasutsune Azato (SHURI-TE), um dos professores mais famosos da época. Até então, o Tomari-te era ensinado e influenciou o Shuri-te e o Naha-te.

Yasutsune Azato foi aluno de Sokon Matsumura e professor de Gichin Funakoshi, Shotoku Kyan e Ankichi Arakaki (foto ao lado), entre outros karatecas que criaram importantes estilos de karatê. Azato também foi especialista em equitação, esgrima e kyudo, além de ser um brilhante literato e observador político. Ele morreu em 1906.

Chotoku Kyan nasceu em dezembro em Shuri. Filho de um nobre que trabalhou para o último rei de Ryukyu e praticava TO-DE. Kyan foi aluno de Yasutsune Itosu e apresentou ao mundo dois katas famosos: BASSAI (PAI SAI) e KWANKU (KUSHANKU). Ele morreu em 20 de setembro de 1945.

Em 1892, Itosu liderou uma apresentação de TO-DE (Okinawa-te) para o comissário da Educação, Shintaro Ogawa, que estava visitando Okinawa. Em 1901, TO-DE foi apresentado como uma matéria de educação física na Escola Primária de Shuri.

Em 1904, ele fez uma apresentação sobre o TO-DE para um grupo de professores locais de educação física e inspetores. O objetivo era mostrar como aplicar o TO-DE na educação física dos jovens. (Foto ao lado: Yasutsune Itosu)

Em 1907, ele criou os cinco Katas "Pinans", que mais tarde foram renomeados por Gichin Funakoshi como "Heian". Ele os dividiu em cinco níveis (DANS), seguindo o modelo de classificação dos Katas de Sabre da Escola Jigen Ryu. Ele foi aluno de Sokon Matsumura e Mestre de Gichin Funakoshi, além de muitos outros karatecas famosos que ajudaram a criar importantes estilos de karatê moderno, como Kenwa Mabuni, Kentsu Yabu e Choshin Chibana. Ele morreu em 1915.

Katas (TOMARI-TE): Empi (Tomari No Wanshu), Chatanyara No Kushanku, Sakugawa Kushanku, Tomari Bassai, Ishimine No Bassai, Oyadomari No Bassai, Kiyan No Chinto.

NAHA-TE - O maior Mestre do NAHA-TE foi Kanryo Higaonna. Ele era bem jovem quando mudou-se para a China vivendo lá por muitos anos. Quando voltou para Naha, abriu uma escola que ensinava técnicas respiratórias chinesas, com elementos do antigo TO-DE, adaptando seu ensino à morfologia dos habitantes da ilha.

Katas (NAHA-TE): Saifa, Seienchin, Sanseiru, Seisan, Shisochin, Seipai, Kururunfa, Suparinpei, Juroku, Aoyagi, Seiryu, Myojo, Annanko, Pappuren, Shinsei, Haffa, Heiku, Paiku.

Os habitantes de Okinawa se orgulham de sua nobre arte e respeitam a tradição, mantendo-a como um tesouro. Para a maioria dos karatecas de Okinawa, principalmente os mais velhos, a prática do karatê não deve ser feita para competir. Eles não aceitam o karatê como esporte.

KANRYO HIGAONNA

Kanryo Higaonna nasceu em Naha, no dia 10 de março de 1851. Ele era filho de um samurai. Nessa época, os samurais passaram por grandes dificuldades. Eles precisavam fazer outras coisas além de trabalhar para o governo, como faziam antes da guerra civil. Isso aconteceu porque o Xogunato Tokugawa foi derrubado e o poder imperial foi restaurado. Assim, o antigo império feudal se tornou uma nação burguesa moderna. Em 1876, um decreto proibiu os samurais de portar duas espadas, uma longa e outra curta. O pai de Kanryo ficou doente e começou a trabalhar como vendedor de produtos essenciais. Ele viajava de barco pelas ilhas do arquipélago de Ryukyu (ilhas ao sul do Japão) para vender suas mercadorias.

Desde pequeno, Kanryo ajudava o pai no trabalho. Por conta do esforço físico que o trabalho exigia, ele desenvolveu um corpo forte. Ainda era jovem quando seu pai morreu repentinamente. Em 1870, começou a praticar com um velho morador de Kume, chamado de "Velho mestre de Doru", e logo em seguida, com outros dois moradores de Kume de etnia chinesa: Sesho Arakaki (1840-1920) e Kusuku. Nesse mesmo período, a situação política no Japão piorou, pois o país queria tomar posse de Okinawa, que até então pertencia à China. Em 1866, muitas pessoas saíram da cidade para morar na China. Em 1874, Higaonna viajou para a China e se estabeleceu em Fukien, no sul do país onde começou a treinar Kung Fu com Mestre Lew Lyu Ko e Waishinzan da Escola LUI-QIA-QUAN (uma das cinco grandes escolas do Shaolin-Quan do sul da China). No começo, Kanryo não podia fazer nenhum tipo de treinamento. Ele precisou fazer muitas coisas, como cuidar dos jardins, da academia e limpar o local. Só depois de um tempo executando essas tarefas, foi aceito como discípulo.

Essa era uma prática comum naquela época. Antigamente, as pessoas precisavam fazer serviços para a escola antes de serem aceitas. Isso acontecia para que elas aprendessem a ter um bom comportamento. Só depois que os professores ficavam satisfeitos e confiantes é que o aluno iniciava o treinamento.

Os treinamentos eram muito difíceis. Praticava o kata Sanchin para fortalecer os músculos. Depois de um tempo, Kanryo foi considerado um dos melhores alunos de Lew Lyu Ko. Sua técnica preferida era o mae geri, por isso ficou conhecido como HIGAONNA "A PERNA". Também treinava com técnicas de armas e estudava medicina chinesa.

Mestre Lew Lyu Ko passou a admirar muito Kanryo Higaonna e o tornou Mestre, o que naquela época era uma honra muito rara. Voltou para Okinawa em 1887, depois de ter morado na China por 13 anos. Em 1890, a pedido dos moradores, abriu um dojo em Naha, onde começou a ensinar a arte que aprendera no sul da China.

Nesse momento, apresentou o Kata Sanchin. Para ensinar os jovens, criou um método de treinamento que desenvolvia a mente e o corpo e que melhorava o bem-estar físico e psicológico.

A primeira vez que a arte se "espalhou" foi em Outubro de 1905, quando Higaonna começou a dar aulas na escola secundária e era extremamente exigente durante os treinos. No dia a dia, ele era calmo e humilde, e se dedicava muito aos estudos e à prática de artes marciais.

Kanryo Higaonna era tão forte que as pessoas o chamavam de "Ashi no Higaonna" em Okinawa. Seu caráter virtuoso era bem conhecido e respeitado. Por ser tão popular, os habitantes de Naha o chamavam de "Obushi Higaonna Tamnei ", um nome que mostrava a afeição e o respeito que tinham por ele.

Mestre Kanryo Higaonna foi o primeiro a modernizar o karatê, focando no Naha-Te. A maioria dos seus alunos criou seus próprios estilos inspirados nos seus ensinamentos. Ele morreu em 23 de dezembro de 1915. Os ensinamentos continuaram com os alunos que se destacaram e dentre eles estava Chojun Miyagi, o fundador do Goju-ryu. (Foto ao lado: Kanryo Higaonna ao centro e Chojun Miyagi ao seu lado esquerdo)

CHOJUN MIYAGI

Chojun Miyagi nasceu em Naha, no dia 25 de abril de 1888. Muitos sobrenomes de Okinawa terminam com GI, que significa "CASTELO". Antigamente, em Okinawa, essa palavra era pronunciada "GUSUKU". Por isso, o sobrenome de Chojun era "MIAGUSUKU". Seu primeiro nome era MATSUU. Com três anos de idade, foi adotado por um tio que morreu em seguida. Os pais adotivos eram uma rica família de comerciantes que frequentemente viajavam para a China, o que os tornava uma das famílias mais prósperas da cidade. Ele recebeu da família adotiva o nome de Chojun, que vem da família Miyagi. Assim, passou a ser chamado de Chojun Miyagi.

Ele começou a treinar aos 11 anos no dojo da Mestra Ryuko Aragaki. Com 14 anos, seu avô o levou ao Mestre Kanryo Higaonna. Depois de um tempo trabalhando para ele (coisa comum naquela época), ele foi aceito como aluno.

O treino era muito difícil, com muita corrida e exercícios de força. A história conta que Chojun Miyagi desmaiava várias vezes enquanto treinava o Kata SANCHIN. Isso acontecia porque o treino era muito exigente e Kanryo Higaonna esperava muito dele.

Ele treinou a mesma coisa por 13 anos e se tornou um karateca muito forte. Kanryo Higaonna foi seu mestre por 13 anos. Ele viajou para a China em 1915 para encontrar o Mestre Lew Lyu Ko, que havia treinado Kanryo Higaonna. Ele não o encontrou. Ele treinou artes marciais locais da província de Fujian por vários meses. Foi aí que aprendeu o Kata ROKKISHU (SEIS MÃOS), e a partir dele criou o Kata TENSYOU (MÃOS FLUTUANTES). Ele também estudou duas modalidades de kung fu: Shaolin e Pa Kua.

O estilo Shaolin (Pequena Floresta) é o estilo original de onde surgiram a maioria dos estilos modernos. Essa prática era feita no Templo Shaolin e foi introduzida por Bodhidharma para preparar fisicamente os monges, para que resistissem às longas horas de meditação. O PA KUA (ESTILO DA CEGONHA) é um estilo interno (NEI CHIA). A base é a interpretação dos trigramas do Livro das Mutações (I Ching). São oito ângulos de defesa, treinados progressivamente e em forma circular. Não se sabe ao certo de onde vem esse estilo, mas a referência mais antiga menciona Tung Hai Chu'uan de Wenan Hsien, da província de Hopek. Ele aprendeu essa arte com um taoísta nas montanhas da província de Kiangsu durante a dinastia Ching (de 1798 a 1897 a.C.).

Ele voltou em 1915 para organizar as cerimônias fúnebres de seu Mestre, Kanryo Higaonna. Continuou treinando com os métodos aprendidos com KANRYO HIGAONNA e ensinando em diferentes dojos, sempre em boas condições físicas. Mesmo treinando, a Chojun Miyagi não aplicou o espírito de sua arte em cada momento.

Em 1921, ele foi escolhido para representar o Naha-Te ao príncipe Hirohito (que se tornaria o imperador do Japão). Em 1926, ele criou o "CLUBE DE ESTUDOS SOBRE KARATE-DO" para ensinar as artes marciais de Okinawa. Para isso, ele chamou os mestres Chomo Hanashiro (NAHA-TE), Kenwa Mabuni (SHITO RYU) e Mobutu Choyo. Com eles, ele trabalhou durante três anos para aperfeiçoar os aspectos básicos, os Katas, os treinamentos físicos e a filosofia do KARATE-DO. Em 1927, ele foi convidado por Jigoro Kano para ensinar caratê no Japão, junto com Kenwa Mabuni. Em 1928, ele chega a Tóquio para ver o Butokushai, uma festa de artes marciais organizada pela Butokukai. Faz apresentações sobre TO-DE em algumas universidades da região de Quioto. Em 1929, Gogen Yamaguchi convidou-o para ir ao Japão, a fim de participar de uma convenção de artes marciais japonesas. Foi nesse momento que ele escolheu o nome para o estilo (GOJU-RYU). (Foto ao lado: praticantes de KARATE-DO observados por Chojun Miyagi).

Dois fatos diferentes contam como surgiu o Estilo. O primeiro é que, em 1928, Chojun Miyagi foi convidado para apresentar a arte chamada TO-DE (MÃO DA CHINA) no DAI NIPON BUTOKUKAI, em Kyoto. Fundada em 1895, a DAI NIPON BUTOKUKAI (Associação das Virtudes das Artes Marciais) é uma organização que promove a prática de artes marciais. Essa associação foi dirigida pelas gerações mais importantes de artistas marciais do Japão. Esse lugar é onde as pessoas aprendem e melhoram as artes tradicionais do budô, como kendo, judô, kyudô e, mais tarde, caratê. Em 1902, foram definidos os métodos de atribuição dos títulos de Mestre de Budô, que são: Renshi, Kyoshi e Hanshi.

Chojun Miyagi não pôde ir para Quioto, mas enviou seu aluno mais graduado, Jin'nan Shinzato. Os outros participantes questionaram Jin'nan Shinzato sobre o estilo que ele praticava. Ele disse que era o HAN-KO-RYU (ESTILO SEMIFORTE). Ao voltar para Okinawa, Jin'nan Shinzato contou o que aconteceu para Chojun Miyagi. Miyagi, reconhecendo a necessidade de se batizar, escolheu um verso do poema chinês Ken no Taiyo Hakku (Ho wa Goju o Tondosui), que diz que "Tudo no universo respira força e suavidade". Assim, Miyagi batizou seu Estilo de Goju Ryu.

A segunda versão diz que esse nome foi adotado mais tarde, em 1935. No seu livro de 1934, "Karate-Do Geisetsu", Chojun Miyagi diz que o Goju Ryu Karatê Kenpo foi desenvolvido a partir de um sistema chinês chamado Fuzhou.

Alguma coisa rígida pode ficar flexível, e, em algumas condições, o flexível pode virar rígido. A luz deixa o ambiente positivo, e a ausência dela, negativo. Assim como uma pessoa em movimento é vista como "positiva", uma pessoa parada é vista como "negativa".

Chojun Miyagi explica o que é o GOJU-RYU com uma frase: "Se o adversário atacar com suavidade, é preciso enfrentá-lo com força. Se ele atacar com força, é preciso usar a suavidade."

Em 1934, ele foi ao Havaí e começou a levar o karatê Goju-ryu para outros países. Em 1935, ele se formou KYOSHI na BUTOKUKAI, sendo o primeiro MESTRE DE KARATÊ-DO a receber tal título. Em 1937, o nome "Estilo" foi registrado oficialmente pela DAI NIPPON BUTOKUKAI KARATE-DO JUKKYOSHI (ASSOCIAÇÃO JAPONESA DAS ARTES MARCIAIS) e o karatê-do é reconhecido como uma arte marcial japonesa. Também lança um livro com o título "FUNDAMENTOS DO KARATE-DO". Ele também estudava a filosofia budista.

No ano seguinte, Chojun Miyagi é nomeado diretor da Associação de Okinawa da BUTOKUKAI. Ele também foi premiado com a medalha de Excelência das Artes Marciais. Volta para a China para continuar seus estudos, desta vez nas províncias de Fujian e Pequim. Ele também viajou para a Coreia, onde praticou vários estilos de wushu. Depois de voltar em 1944, ele cria os KATA GEKISAI DAI ICHI e GEKISAI DAI NI para preparar os japoneses para lutas corpo a corpo durante a Segunda Guerra Mundial. Durante a ocupação de Okinawa pelas forças aliadas, o karatê enfrentou um momento difícil. Várias pessoas morreram, incluindo um filho de Chojun Miyagi e seu aluno mais graduado, Jin'nan Shinzato. (Foto ao lado: alunos de Chojun Miyagi demonstrando o Kata Saifa).

Um de seus alunos, Ei’ichi Miyazato, disse em uma entrevista que o treinamento dado no dojo de Chojun Miyagi durava entre 2 e 4 horas e que os alunos eram livres para irem e virem treinar por conta própria e que o maior número de alunos que treinavam juntos era 10.

Em 1946, Chojun Miyagi virou diretor da Associação Civil de Okinawa de educação física. Ele voltou a dar aulas de artes marciais em uma academia da polícia e em um dojo particular chamado "O JARDIM". Essa academia foi onde treinaram Seikichi Toguchi, Ani'ichi Miyagi, Seko Higa, Ei'ichi Miyazato e Teruo Chinen.

Chojun Miyagi era um homem tranquilo e humilde. Ele morreu em Okinawa no dia 8 de outubro de 1953. Certa vez, ele disse que se tivesse dedicado seu tempo e sua capacidade a algo diferente, também teria êxito, mas dedicou sua vida para aprender tudo com o Mestre Higaonna.

GOGEN YAMAGUCHI

Jitsumi Yamaguchi nasceu em Kagoshima, ao sul de Kyushu, em 21 de janeiro de 1909. Iniciou seus estudos de karatê em Miyazaki, na ilha de Kyushu, em 1923, no dojo de Maruta, um carpinteiro de Okinawa que era aluno de Chojun Miyagi. Também estudou kendo (arte da espada). Maruta, experiente karateca, desenvolveu no jovem Yamaguchi uma atitude séria e a prontidão para treinar duramente, passando-lhe tudo o que conhecia sobre o karatê.

Yamaguchi era rápido, ágil e forte, e tinha a reputação de ser um lutador enganador, que não dava chance a nenhum adversário. Após anos de aprendizagem, ele estabeleceu seu primeiro dojo de karatê na Universidade Ritsumei, em Kioto. Seu dojo logo se tornaria famoso na cidade pelo treinamento árduo e pelos pesados exercícios respiratórios. Naquela época, os karatecas praticavam apenas kata e yakusoku kumite, sendo incapazes de competições. Foi então que Yamaguchi criou o Jyu Kumite (luta sem simulação) e estabeleceu regras.

Em 1931, aos 22 anos de idade, ele foi apresentado ao fundador do Goju-ryu, Chojun Miyagi. Esse encontro afetaria profundamente sua visão sobre o karatê. Previsivelmente, Yamaguchi havia considerado apenas o aspecto GO (duro) do estilo até então. Só depois de se encontrar com Chojun Miyagi é que passou a treinar tanto a parte espiritual quanto a física. Chojun Miyagi passou a ter muita estima por Yamaguchi, e por ele se especializar tanto no aspecto duro do Goju, apelidou-o de Gogen, que significa "tempestuoso". Também o apontou como seu sucessor na escola Goju do Japão.

Em 1934, graduou-se na Universidade Ritsumei, em Kioto. Nos anos seguintes, Gogen Yamaguchi passou longas temporadas no Monte Kurano, onde se submetia a exercícios ascéticos e a treinamentos de meditação intensivos. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi enviado à Manchúria (China) como oficial de inteligência (1934-1945), mas acabou capturado pelos russos e enviado a um campo de refugiados na Mongólia, onde permaneceu por dois anos em condições severas. Em diversas ocasiões, teve de recorrer à sua perícia no karatê para sobreviver. Durante todo esse tempo, continuou a treinar e desenvolver o karatê Goju-Ryu. Reconquistada a liberdade em 1947, regressou ao Japão e tornou-se uma das figuras mais excitantes da história do karatê, ficando mundialmente conhecido como “Gato” por sua postura favorita, chamada de “Neko Ashi Dachi” (postura do gato).

Acredita-se que tenha adotado essa postura ao observar, na Manchúria, como um tigre agia para atacar sua presa. Em 1950, fundou o Karate Goju Kai (Organizações de Karate Goju) em Tóquio. Também uniu todas as escolas de karatê do Japão em uma instituição única. Dessa união surgiu, em 1964, a Federation of All Japan Karate-Do Organizations (FAJKO). Juntou ao sistema Goju os Taikyokus, métodos de treinamento para iniciantes como preparação para katas mais avançados. Ao combinar a prática religiosa com o treinamento de karatê, incorporou à ioga e à religião todos esses aspectos e fundou o Gojushinto.

O príncipe Higoshikuni, da família imperial japonesa, nomeou Gogen Yamaguchi “Shihan das Divisões das Organizações de Karatê-do”. Nunca antes um homem simples havia recebido um reconhecimento tão importante pelo desenvolvimento e propagação do karatê.

Mestre Gogen Yamaguchi recebeu de Chojun Miyagi, em 1951, o título de Hanshi (10º Dan). Ele também foi monge xintoísta e swami de ioga, além de ficar conhecido pela prática de takigyo (meditação sob a cascata).

Abaixo, os cinco segredos do Goju-ryu escritos por Gogen Yamaguchi::

Gogen Yamaguchi faleceu em 20 de maio de 1989. Já no leito de morte, suas últimas palavras foram: Eu dei tudo de mim. Fui Feliz!. Em sua lápide, na cidade de Iruma, província de Saitama, está escrito: “um homem que dedicou toda a sua vida ao karate-do Goju Ryu” além também dos dizeres “Myoho Shisei Goju Ryu” que traduzindo seria: “Minhas histórias me levam à devoção ao Goju Ryu”.

A história completa da vida e obra desse grande mestre pode ser vista no documentário “GOGEN YAMAGUCHI – THE CAT” disponível no Youtube. Aqui um link para assistir totalmente legendado: https://youtu.be/X9N_JhQ31CM

GOSHI YAMAGUCHI

Hirofumi Goshi Yamaguchi nasceu em Shinjing, Manchúria, no dia 28 de setembro de 1942. Terceiro filho de Gogen Yamaguchi, iniciou a prática do Karate-Do aos oito anos de idade, no dojo Senzoku, em Asakusa. Conquistou o grau de Shodan (1º Dan) em 1957 e o de Nidan (2º Dan) em 1959. Em 1962, tornou-se Sandan (3º Dan) e passou a atuar como instrutor.

Goshi Yamaguchi ingressou na universidade em 1963, onde estudou Cinema no Departamento de Artes. Nesse período, foi convidado a lecionar Karate-Do em um dojo nos Estados Unidos por um ano. Ao retornar ao Japão, passou a ministrar aulas em diversos dojos do estilo Goju-Ryu.

Formou-se na universidade em 1969, mas seu principal objetivo era promover e desenvolver o Karate-Do Goju-Ryu. Com esse propósito, assumiu a liderança da Goju-Kai do Japão e da Associação Goju-Kai Internacional, sendo nomeado Saiko Shihan em 1990 por ambas as entidades, após o falecimento de seu pai. Goshi Yamaguchi também colaborou com Gogen Yamaguchi no desenvolvimento dos Tokutei Kata Genkaku, Chikaku, Tenryu e Kohryu.

Na juventude, gostava especialmente de demonstrar o kata Seisan. Foi ele quem desenvolveu todos os bunkai da Goju-Kai. Segundo suas palavras, os bunkai praticados por Gogen Yamaguchi eram oriundos do Karate tradicional de Okinawa — muito rígidos, com forte impacto e pouca fluidez. Por isso, Goshi Yamaguchi reformulou todos os bunkais, do Gekisai Dai Ichi ao Suparinpei.

Atualmente, Saiko Shihan Goshi Yamaguchi é 8º Dan e ministra seminários em diversos países ao redor do mundo.

RYUZO WATANABE

Nascido em Janeiro de 1923, descendente de Samurais, chegou ao Brasil dia 07 de Fevereiro de 1930, saindo do Japão em final de Dezembro de 1929, num navio cargueiro, com apenas 6 anos e 11 meses de idade.

Bem cedo se atraiu pelas Artes Marciais, chegando a praticar Jiu-Jitsu, Kendo, Judo, além de suas ocupações na lavoura e como caminhoneiro. Porém, foi só aos 37 anos que encontrou no KARATE-DO a Arte que modificaria o sentido da sua vida. Não foi fácil seu acesso a essa prática. Tentou contato com Mestre MITSUSUKE HARADA, de São Paulo, e conseguiu treinar com Mestre SEICHI AKAMINI. Procurou também a Associação Brasileira de KARATE-DO que por ser, na época, uma organização muita fechada não lhe permitiram acesso imediato. Foi através de um empregado seu chamado Haishi, no entanto, que pode entrar naquele local, para um primeiro treino, inusitadamente vestindo camiseta e calça de linho. Passaria, daí em diante, a praticar seis exaustivas horas por dia com toda a dedicação de que era capaz e indiferente a opiniões alheias.

Coincidentemente, o Japão tentava uma representação do Estilo GOJU-RYU no Brasil, não tendo achado quem correspondesse às expectativas. Foi através de uma visita do Mestre DOI em nosso país que HANSHI RYUZO WATANABE recebeu a solicitação de tomar o cargo de diretor da sucursal por nomeação do Mestre GOGEN YAMAGUCHI. Foi a partir desta nomeação que o Estilo GOJU-RYU começou oficialmente em São Paulo, no dia 15 de Setembro de 1975.

Seu dojo situava-se na zona leste de São Paulo, mais precisamente na rua da Mooca. À frente dos cargos de Fundador Presidente da UNIÃO KARATE-DO GOJU-RYU DO BRASIL (U.K.G.B.), Diretor Presidente da Sucursal da INTERNATIONAL KARATÊ GOJU ASSOCIATION do Japão, Presidente da ORGANIZAÇÃO E UNIÃO SUL AMERICANA DE KARATÊ GOJU KAI (U.S.A.K.G.) e Presidente da ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA CULTURAL DE KARATÊ GOJU-RYU, HANSHI RYUZO WATANABE confessou que teve certo trabalho, no início, para formar os primeiros instrutores (só do Estilo GOJU-RYU, chegou a formar 450 faixas-pretas).

Para Hanshi Ryuzo Watanabe, o Goju-Ryu não era uma fonte de renda ou de sobrevivência, já que ele possuia outras atividades, mas sim algo a que ele se dedicaria por ideal e pela necessidade interior de expandir uma arte tão bonita quanto o karatê.

Hanshi Watanabe teve uma família formada (cinco filhos e dois netos) e jamais se recusou a participar de eventos ou tarefas que beneficiassem seu estilo. Ele enfatizava que os novos valores deveriam também atuar de maneira dinâmica em todas as atividades que se apresentem (campeonatos, arbitragens, cursos), adquirindo assim a experiência necessária para se destacarem no movimento Goju no futuro.

A seguir, uma mensagem do Mestre Ryuzo Watanabe: “Que cada jovem praticante de caratê se espelhe na dignidade de seu exemplo e, conduzido pela chama interior que cada ser humano possui no âmago de seu ser, dê plenitude à vida, concretizando uma obra maior que a do homem que a realizou”. Ele faleceu em 5 de dezembro de 1998.

LUIZ KOTSUBO

Luiz Antonio de Araújo Kotsubo nasceu em 20 de junho de 1956, na cidade de Valença, Rio de Janeiro. Filho de Mitsul Kotsubo e Rachel de Araújo Kotsubo, é pai de Thiago Studart Kotsubo e João Studart Kotsubo e tem a Engenharia Civil como formação acadêmica.

Seu primeiro contato com as artes marciais foi através do Jiu-Jitsu. Durante esse período, ao ler uma revista francesa especializada, deparou-se com uma matéria sobre o lendário Mestre Gogen Yamaguchi, conhecido como "The Cat", grande nome do karatê Goju-Ryu. Impressionado com a postura e o olhar intenso do mestre, Kotsubo decidiu buscar um dojo onde pudesse aprender essa arte.

Iniciou seus treinos no karatê em 1970 com o sensei Marcelo Arantes, membro da Associação Brasileira de Karatê (ABK) e futuro fundador da Confederação Brasileira de Karatê (CBK). Em 1974, passou a treinar sob a orientação da ABK, então presidida pelo Mestre Ryuzo Watanabe, preparando-se para o exame de faixa preta (Shodan). Os treinos eram rigorosos e ocorriam na Rua da Tabatinguera, aos últimos domingos de cada mês, junto aos professores Paulo Nakaema e Pedro Yokote.

Em 1977, recebeu uma visita surpresa do Mestre Watanabe em seu dojo em Valença. Para sua surpresa, o mestre já conhecia a cidade, pois havia trabalhado como caminhoneiro na construção da rodovia Valença–Barra do Piraí.

Em 1994, Luiz Kotsubo foi nomeado por Watanabe como representante oficial do Goju-Ryu no Rio de Janeiro, responsabilizando-se pela organização do seminário internacional ministrado por Goshi Yamaguchi em 1995.

Como atleta, destacou-se em competições nacionais e internacionais, com conquistas como:

🥉 3º lugar em Jyu Kumite – Campeonato Brasileiro da Goju-Kai (São Bernardo do Campo/SP)

🥉 3º lugar em Kata – Sul-Americano da Goju-Kai (São Paulo, 1983)

🥉 3º lugar em Kata – Sul-Americano da Goju-Kai (Cubatão, 1992)

🏆 Campeão Brasileiro Interestilos (São Gonçalo, 1992)

🥉 3º lugar em Kata – Campeonato Carioca (1992, seletiva para o Nacional da WKF)

Em 2007, iniciou um projeto de reestruturação da IKGA (International Karate-Do Goju-Kai Association) no Brasil. Com o objetivo de apresentar a proposta ao Saiko Shihan Goshi Yamaguchi, viajou para Santiago (Chile) durante o Seminário do Bloco Sul-Americano, acompanhado dos professores Sérgio Nascimento e João Godoi, além do apoio de 56 procurações de instrutores tradicionais da Goju-Kai no Brasil.

No congresso, com a presença de representantes sul-americanos, Goshi Yamaguchi concedeu a Kotsubo o título de Renshi e a representação oficial da IKGA no Brasil, consolidando seu legado como um dos principais difusores do Goju-Ryu no país.

Atualmente Mestre Luiz Kotsubo possui a graduação de 7º Dan, o título de Renshi-Shihan e ministra seminários e exames de graduação em todo o país.

ANTONIO FELIPE DA SILVA

Nas décadas de 1960 e 1970, os circos que percorriam o interior do Brasil traziam consigo uma atração especial: as lutas livres. Era comum que lutadores profissionais desafiavam moradores locais, muitas vezes humilhando os "heróis" da cidade que, sem técnica, dependiam apenas da força bruta. Foi em um desses circos que Antonio Felipe da Silva viu pela primeira vez um lutador usar golpes de mão aberta (shuto) e ouviu falar do karatê, descrito como "a arte marcial mais mortal de todos os tempos".

Essa experiência despertou nele o desejo de se tornar um grande lutador, levando-o à primeira academia de judô de Umuarama (PR), fundada pelos irmãos Ivo e Nelson Arazawa, judocas renomados de Assaí (PR).

Após mudar-se para Curitiba para cursar Universidade Federal do Paraná (UFPR), Antonio Felipe retomou seu treinamento marcial, praticando aikidô brevemente com o professor Fumio, estudante de arquitetura. No entanto, foi no karatê-dô – então em ascensão na capital paranaense – que encontrou sua verdadeira vocação.

Uma imagem contendo pessoa, homem, segurando, multidão Descrição gerada automaticamenteEm 1974, matriculou-se na Associação Meibu-Kan, liderada pelo rigoroso mestre Julio Celso de Lara Tomasi ("Julinho"), conhecido por seu estilo combativo e aulas exigentes. Apesar das dificuldades em conciliar trabalho noturno, faculdade e treinos, Felipe perseverou.

Com o falecimento precoce do mestre Julinho, o karatê Goju-Kai no Paraná quase desapareceu. Um grupo de alunos, liderados pelo faixa-marrom Vitor Cunha, decidiu buscar orientação direta da Goju-Kai Internacional, representada no Brasil pelo mestre Ryuzo Watanabe (6º Dan). Em 1975, foram recebidos no dojo da Rua Tabatinguera, 340 (Liberdade/SP), onde adotaram oficialmente o Goju-Ryu autêntico.

Antonio Felipe abraçou a linhagem Yamaguchi com devoção, competindo em campeonatos nacionais, sul-americanos e mundiais pela Goju-Kai. Paralelamente, tornou-se um líder administrativo no karatê brasileiro:

Hoje Renshi Antonio Felipe da Silva (7º Dan) enxerga o karatê como "uma escola de aprimoramento do caráter humano", mais que um mero conjunto de técnicas. Em suas palavras: "Vislumbro o karatê-dô como uma ferramenta de formação ética e harmonização da vida, sustentando-nos nas demandas profissionais e intelectuais."

Sua trajetória, desde os ringues de circo até a liderança federativa, reflete uma jornada de resiliência e paixão pelas artes marciais, deixando um legado que transcende medalhas e títulos.

MEITOKU YAGI

Logo após a morte de Chojun Miyagi em 1953, sua família reuniu-se para decidir qual discípulo deveria assumir a liderança do estilo. O escolhido foi Meitoku Yagi, que recebeu o quimono e a faixa preta do fundador do Goju-Ryu. Essa atitude, que é altamente simbólico no Japão, indicou que ele era visto como um dos sucessores mais respeitados da tradição do mestre. Yagi havia sido um dos primeiros alunos de Chojun Miyagi e demonstrava ter assimilado não apenas as técnicas físicas, mas também os princípios espirituais do Goju-Ryu.

Nascido em 6 de março de 1912, começou a treinar karatê-do com Chojun Miyagi em 1926, aos 14 anos (não aos 13, conforme registros biográficos). Seu avô o apresentou ao mestre, mas, como era tradição na época, Yagi precisou realizar serviços humildes antes de ser aceito como discípulo. Sua linhagem remonta às Seis Famílias de Okinawa (Kume Mura), que migraram da China para o arquipélago em 1392.

Conhecido por sua sobriedade e dedicação, Meitoku Yagi nunca buscou fama ou lucro com o karatê-do. Manteve o legado de Miyagi com discrição, sem promover sua escola de forma comercial.

Na juventude, era chamado de "o quebrador de makiwaras" devido à sua força descomunal. Acreditava que um único soco deveria ser decisivo, mas equilibrava essa potência com refinamento: além de guerreiro, era um talentoso pianista e violinista.

Em 1986, recebeu a Ordem do Mérito do Imperador Hirohito por suas contribuições ao karatê-do e a Okinawa (sendo o segundo mestre a ser condecorado, após Gichin Funakoshi). Dois anos depois, em 1988, tornou-se campeão nacional de "Chun-Ji" (uma variante chinesa do xadrez) e, em 1989, sagrou-se campeão mundial da modalidade.

Apesar de suas inúmeras conquistas, Meitoku Yagi manteve-se uma pessoa humilde e autêntica ao longo da vida. Preservava hábitos simples, como varrer a calçada do dojo todas as manhãs após as crianças passarem a caminho da escola.

Suas memórias do treinamento com Chojun Miyagi, que durou desde seu primeiro dia de aula até a morte do mestre em 1953, permaneciam vívidas. Yagi descrevia os treinos como intensos desde o início, sem distinção entre iniciantes e veteranos.

O Rigor do Treinamento no Dojo de Miyagi consistia em:

Contrariando a crença de que Miyagi fazia os alunos praticarem apenas o kata Sanchin por três anos, Yagi esclarecia: "Miyagi submetia os alunos a 3 a 5 anos de preparação física antes de ensinar Sanchin. Muitos desistiam antes mesmo de aprendê-lo."

Os que perseveravam treinavam apenas Sanchin por mais um longo período. O rigor era tanto que marcas roxas pelo corpo eram comuns, causadas pelas correções à mão de Miyagi. Nos banhos públicos, reconheciam-se os discípulos de Miyagi pelas feridas e hematomas. As pernas ficavam tão doloridas que, para usar a latrina tradicional japonesa (agachada), muitos precisavam amarrar uma corda no teto para se levantar.

Yagi sempre afirmou que a severidade do método de Miyagi servia como um filtro natural, separando os verdadeiros dedicados daqueles que buscavam apenas treinos superficiais. Muitos abandonavam o dojo em busca de práticas mais leves, mas os que perseveravam tornavam-se embaixadores do autêntico espírito do Goju-Ryu.

Meitoku Yagi manteve a mesma exigência implacável que aprendera com Chojun Miyagi. Seu filho mais novo, Meitetsu Yagi, recorda que, enquanto outras crianças brincavam, ele era obrigado a treinar no dojo. Só na idade adulta compreendeu a importância daquela disciplina rigorosa, reconhecendo nela uma herança valiosa.

De acordo com Yagi, Chojun Miyagi ensinava inicialmente apenas 4 katas: Sanchin, Seienchin, Seisan, Tensho.

Os demais katas do Goju-Ryu só eram transmitidos após anos de preparação. Além disso, Miyagi adaptava a execução de cada kata conforme o nível de compreensão do aluno, tornando possível identificar seu estágio de aprendizado apenas observando sua performance.

Essa abordagem personalizada na interpretação dos Katas gerou divergências entre os praticantes de Goju-Ryu. Enquanto alguns defendiam que cada kata tem uma única interpretação correta, Yagi sustentava que Miyagi ensinava variações conforme a evolução do aluno. Isso levou a debates, e até conflitos, entre karatecas que insistiam em padronizações rígidas.

Assim como Miyagi, Yagi mantinha seu dojo anexo à residência, estando sempre presente e acompanhando de perto o progresso de cada aluno. Essa proximidade permitia que ele conhecesse a dedicação, ou a falta dela, de todos que ali treinavam.

No Dojo de Meitoku Yagi não havia ornamentos ou artifícios para atrair alunos. Na entrada, apenas uma placa de madeira com os dizeres "Yagi Dojo". O interior era despojado (sem espelhos) pois Yagi acreditava que o verdadeiro espelho era o professor, capaz de revelar ao aluno o que ele precisava enxergar em si mesmo.

Yagi manteve intacta a essência do Goju-Ryu que recebeu de Chojun Miyagi, transmitindo-a aos seus filhos através de treinamento rigoroso e máximas filosóficas. Seu objetivo era que, quando chegasse o momento, estivessem preparados para assumir a linhagem com plena compreensão do sistema.

Ele ensinava que o termo "Goju-Ryu" ("Estilo Rígido e Suave") podia ser interpretado de duas formas complementares:

Yagi, que também era um exímio caligrafista, registrou a filosofia do estilo em pergaminhos e pinturas. Dois de seus ensinamentos mais célebres:

"Não há técnicas secretas no karatê-do. Pratique cem vezes, pratique mil vezes."

"As técnicas secretas existem no coração puro." (gravado na entrada do dojo).

Yagi contava que Miyagi, certa vez, interrompeu os treinos de karatê por três anos, substituindo-os por trabalhos físicos extenuantes. O objetivo? Identificar os discípulos verdadeiramente dedicados. Muitos desistiram; os que permaneceram foram reconhecidos como dignos de herdar o Goju-Ryu.

Yagi adotou critérios similares. Exigia que os alunos chegassem cedo para limpar o dojo com panos de algodão. Observava o interesse cotidiano e apenas os mais comprometidos recebiam instrução avançada.

Deixava claro que seu objetivo nunca foi formar apenas lutadores fortes ou campeões, mas sim guiar seus discípulos a se tornarem pessoas melhores. Ele acreditava que a prática correta do karatê-do naturalmente desenvolveria força física e técnica, mas o verdadeiro valor estava em moldar o caráter—criando indivíduos íntegros para o mundo.

Yagi manteve-se fiel aos ensinamentos rigorosos de Chojun Miyagi, transmitindo o Goju-Ryu de Okinawa às gerações futuras sem concessões. Sua recusa em modernizar ou comercializar o estilo custou-lhe fama e riqueza, mas ele nunca vacilou: "Os alunos sérios, aqueles que buscam o verdadeiro Goju-Ryu, encontrarão seu caminho até aqui."

Sua postura atraiu até mesmo Gogen Yamaguchi (fundador da Goju-Kai), que visitou Yagi inúmeras vezes para comparar katas e aprimorar-se nos métodos avançados do estilo.

Yagi não herdou apenas o quimono e a faixa de Miyagi. Recebeu a missão de preservar a essência do Goju-Ryu. Em 1956, fundou a Associação Meibukan Goju-Ryu (com sede em Naha), assegurando que os princípios do mestre fundador permanecessem intactos. Em 1972 ele foi promovido ao 10º Dan pelas autoridades de Okinawa, em reconhecimento à sua dedicação à preservação e divulgação do Karate Goju-Ryu e ao legado de Chojun Miyagi. Além disso, foi nomeado Tesouro Cultural Intangível de Okinawa, um dos maiores reconhecimentos que um mestre de artes marciais pode receber no Japão.

Meitoku Yagi faleceu em 7 de fevereiro de 2003, mas seu legado persiste: um karatê que transcende a técnica, forjando não só corpos, mas almas.

KENWA MABUNI

Kenwa Mabuni: The Founder and Legacy of Shito-Ryu Karate – Karateka - Karate MerchandiseKenwa Mabuni (摩文仁 賢和, Mabuni Kenwa) foi um mestre de Karate-dō e criador do estilo Shitō-ryū, que tinha como objetivo unificar os ensinamentos da arte marcial tal como ele havia aprendido com seus mestres, preservando não apenas as formas, mas também o espírito da arte. Nasceu em 14 de novembro de 1889, na cidade de Shuri, então capital da ilha de Okinawa. Era o segundo filho de uma família tradicional de oficiais a serviço dos reis de Ryūkyū, denominada Shizoku (descendentes da casta Pēchin). Seus ancestrais serviram aos senhores de Ryūkyū por centenas de anos.

Teve seu primeiro contato com o Tōde (antigo nome do Karate-dō) por volta dos dez anos de idade, através de um ajudante de seu pai chamado Zeihaku Matayoshi, com quem aprendeu o kata Naihanchi Shodan. No entanto, foi a saúde frágil de Kenwa Mabuni que levou seu pai a buscar nas artes marciais um meio de fortalecer seu corpo.

Mais tarde foi apresentado por um amigo de seu pai ao célebre mestre de Shuri-te, Ankō Itosu (1830–1915), que já tinha mais de setenta anos e era um dos artistas marciais mais renomados de Shuri. Assim, aos 13 anos, Kenwa Mabuni começou a praticar as técnicas do Shuri-te, tornando-se discípulo de Ankō Itosu, a quem permaneceu leal até sua morte, aos 85 anos.

Κenwa Mabuni | Shitoryu Karate-Do, Shitoryu Greece, Shitokai Greece | Yoshukan, Kobudo, Iaido,Tamiya ryu, George Pelekis, Mabuni, Kassis, Karate, Martial artsAos vinte anos, Kenwa Mabuni começou a trabalhar como professor substituto em uma escola primária de Naha. Foi lá que conheceu e desenvolveu uma grande amizade com Chōjun Miyagi (1888–1953), que mais tarde fundaria o estilo Gōjū-ryū.

Em 1909, incentivado por Chōjun Miyagi e apoiado por seu mestre, Ankō Itosu, Kenwa Mabuni começou a aprender Naha-te. Por recomendação de Miyagi, ele treinou diretamente com Kanryō Higaonna (1853–1915), o maior expoente desse estilo, que vivia em Naha.

Assim, de 1909 até meados de 1910, quando ingressou no serviço militar na guarnição de Kumamoto, e após concluir seu alistamento dois anos depois, Kenwa Mabuni pôde treinar simultaneamente com Ankō Itosu e Kanryō Higaonna, os dois mestres mais proeminentes de Karate em Okinawa na época.

Em 1912, após concluir o serviço militar, Kenwa Mabuni ingressou na escola de polícia de Okinawa por conselho de Chōjun Miyagi. Dois anos depois, aos 25 anos, tornou-se inspetor de polícia, cargo que ocupou por aproximadamente dez anos.

Seu trabalho permitia que viajasse por todo o arquipélago de Ryūkyū, dando-lhe a oportunidade de conhecer e treinar diferentes estilos, inclusive com mestres menos conhecidos. Isso lhe possibilitou resgatar diversos katas e técnicas que estavam em risco de desaparecer.

O ano de 1915 foi marcante e triste para Kenwa Mabuni, pois Kanryō Higaonna e Ankō Itosu faleceram com menos de um ano de diferença.

Mabuni KenwaApós a morte de seus mestres, passou a treinar com Seishō Aragaki (1840–1918), que vivia em Kumemura e ensinava um estilo semelhante ao Naha-te. Aragaki também era um renomado mestre de Kobujutsu (arte marcial antiga).

Aos 26 anos, considerava-se muito jovem para seguir seu próprio caminho. Então, junto com Chōjun Miyagi, apenas um ano mais velho, fundou um grupo de pesquisa dedicado ao estudo e prática do Tōde.

Em 1918, Kenwa Mabuni disponibilizou sua casa para as reuniões do grupo, que foi batizado de "Ryūkyū Tōde Kenkyū-kai" (Associação de Pesquisa do Tōde de Okinawa). Essa associação reunia os principais mestres da época, como Chōshin Chibana, Gichin Funakoshi, Chōtoku Kyan e Chōki Motobu, entre outros.

Não demorou para que Kenwa Mabuni se tornasse um respeitado instrutor de Shuri-te e Naha-te. Em 1918, ele já era uma figura de destaque nas artes marciais.

Por volta de 1924, conheceu Wu Xian Hui (1887–1940), um mestre chinês de "Báihè-quán" (punhos da garça branca), da província de Fujian, que vivia em Okinawa como comerciante de chá. Seu nome era pronunciado "Gogenki" no dialeto local. Os ensinamentos desse mestre influenciaram profundamente o estilo que Kenwa Mabuni viria a criar. Ele aprendeu com Wu os katas Nipaipo, Haffa (Hakuchō) e Paipuren (Happōren), que ainda são praticados no Shitō-ryū.

Em 1927, Kenwa Mabuni e Chōjun Miyagi tiveram a oportunidade de demonstrar e explicar as técnicas e a filosofia do Tōde para Jigoro Kanō, fundador do Jūdō. Mabuni demonstrou o Shuri-te e Miyagi o Naha-te. Jigoro Kanō ficou impressionado e comentou sobre o potencial de difusão dessa arte marcial por todo o Japão.

Inspirado pelas palavras de Kanō, Kenwa Mabuni decidiu mudar-se para o Japão. No início da Era Shōwa (S hōwa-jidai), em 1929, aos 40 anos, ele se estabeleceu em Ōsaka com sua família, iniciando a propagação do Tōde n a região. Em 1934 Kenwa Mabuni passou a utilizar o nome Shito-Ryu ao estilo que ensinava, unindo as escolas Shuri-te e Naha-te. O nome "Shito" é uma junção dos caracteres dos nomes de seus dois mestres: Shi () de Itosu e To () de Higaonna (lido como "To" em on'yomi, leitura chinesa).

Kenwa Mabuni faleceu em 23 de maio de 1952, aos 62 anos, vítima de um ataque cardíaco. Sua importância era tamanha que sua morte foi anunciada em todo o Japão pelo rádio. Em seu funeral, realizado no cemitério de Hattori, em Ōsaka, compareceram mais de três mil praticantes de Karate.

SEIGO TADA

O Hanshi Seigo Tada nasceu em 18 de fevereiro de 1922, como filho primogênito da família Tada em Kyoto, Japão, a cidade onde o Karate Goju-Ryu foi formalmente introduzido na ilha principal de Honshu. O Japão é formado por quatro ilhas principais: Hokkaido, ao norte; Honshu, a maior; Shikoku, a oeste; e Kyushu, ao sul. Okinawa é uma pequena ilha localizada ao sul de Kyushu.

Seu primeiro contato com as artes marciais ocorreu quando ainda era jovem. Em 1937, aos 15 anos, mudou-se com a família para a cidade de Xangai, na China. Lá, conheceu um mestre de Kempo chamado Ching Lou e aprendeu essa arte marcial chinesa.

Em março de 1939, já de volta a Kyoto, iniciou seu aprendizado de karate na Universidade Ritsumeikan, onde cursava o ensino médio. Em 1941, começou o curso de Ciências Econômicas na mesma universidade. Lá existia um clube de karate supervisionado por Chojun Miyagi, fundador e responsável pela introdução do Karate Goju-Ryu. Em pouco tempo, Seigo Tada tornou-se o técnico de karate da universidade.

Em 1943, foi convocado para a Segunda Guerra Mundial e destacado para o batalhão “Tokotai”, que tinha a mesma função do esquadrão “Kamikaze” (Ventos Divinos), famoso por suas táticas suicidas. Felizmente para o mundo do karate, a guerra terminou sem que o ele tivesse sido designado para essa missão derradeira.

Logo após a guerra, sentindo que algo deveria ser feito para elevar o moral do abatido povo japonês, ele iniciou em Kyoto um trabalho baseado no ensino do Karate Goju-Ryu, buscando elevar a autoestima e a confiança de seus praticantes.

Em agosto de 1945, retornou ao Japão vindo da Coreia e, em setembro do mesmo ano, abriu o “Torimaru Dojo”, a primeira academia a utilizar o nome Seigokan. Nesse mesmo ano, graduou-se na Universidade de Ritsumeikan e tornou-se funcionário público.

Em 1947, convidado a dar aulas no Saineikan Budo Castle, famoso centro de artes marciais na cidade de Kyoto, decidiu largar o emprego e dedicar-se de corpo e alma ao ensino do Karate Goju-Ryu Seigokan.

Devido ao grande suc esso de suas aulas, Seigo Tada fundou, nesse mesmo ano, a All Japan Seigokan Karate-do Association.

Em 1951, abriu o Toofukuji Dojo, de onde saíram grandes karatekas da Seigokan. Um episódio interessante na vida do Hanshi Seigo Tada foi sua visão de futuro em relação ao karate, antes de se juntar às tropas japonesas. Prevendo uma profunda crise econômica após a guerra, o jovem mestre estocou uma quantidade de kimonos e escondeu-os em sua casa. Dificuldades de toda ordem assolavam o país com o fim do conflito, porém o jovem Hanshi Seigo Tada, com a venda dos kimonos e a receita das aulas, conseguiu manter-se naqueles dias difíceis.

Com a fama de grande lutador, a Seigokan cresceu rapidamente, abrindo filiais em outras cidades e províncias. O primeiro sinal de expansão foi a abertura de um Dojo na província de Shiga, na cidade de Ootsu (1952). Seguindo essa rota, a Seigokan logo se espalhou por todo o Japão, do norte na ilha de Hokkaido, até o sul na ilha de Kyushu.

Apesar de o karate daquela época utilizar poucas técnicas de perna, o jovem Seigo Tada impunha-se usando uma grande variedade de chutes, que, conforme ele mesmo dizia, eram suas técnicas preferidas. Isso deveu-se à influência do Kempo chinês aprendido na adolescên cia.

No dia 9 de março de 1954, o Mestre Seigo Tada casou-se com a jovem Okamoto Mitiko, médica residente na cidade de Himeji, na província de Hyogo, e para lá transferiu a sede da Goju-ryu Seigokan.

Sua arte, a partir de 1966, começou a ganhar o mundo. O Oh Do Kan, um famoso centro de artes marciais de Hong Kong, convidou um instrutor de Karate Goju-Ryu Seigokan. Para lá foi enviado o instrutor Yukiaki Yoki e, depois, Shoji Yuki, entre outros instrutores da Seigokan, ambos da faculdade de línguas estrangeiras de Kyoto, que introduziram o Karate Seigokan na ex-colônia britânica.

Esse acontecimento foi de extrema importância para os brasileiros, pois nessa academia treinava um karateca de nome José Martins Achiam, nascido em Macau, colônia portuguesa próxima a Hong Kong. Antes da introdução oficial da Seigokan em Hong Kong, em 1965, um executivo japonês e instrutor de Goju-Ryu ensinou a técnica a um grupo de jovens chineses, mas, devido a problemas de saúde, retornou ao Japão, deixando a semente do karate nesse grupo. Entre eles estava o jovem José Martins Achiam. Em 1966, após graduar-se faixa marrom, já sob a instrução de professores da Seigokan, ele iniciou informalmente o ensino do Goju-Ryu Seigokan em Macau para um grupo de amigos. Nessa turma inicial, treinavam os instrutores que fundaram a Goju-Ryu Seigokan no Brasil: Luís Pedruco, Acaio e Puchy.

O Hanshi Seigo Tada iniciou, na década de 60, um trabalho visando a introdução do karate como esporte olímpico, a exemplo do judô em 1964. Teve funções de extrema importância, atuando não só como dirigente, mas também como árbitro, delegado e inspetor nos primeiros campeonatos japoneses e mundiais.

Em sua trajetória de vida, o Karate Seigokan expandiu-se para a Ásia, Europa, Oceania, América do Norte e América do Sul. Em 2 de fevereiro de 1971, foi inaugurada a sed e da Seigokan na cidade de Himeji, em instalações privilegiadas.

Em 1995, na festa do Jubileu de Ouro da Seigokan, quando o Brasil participou pela primeira vez com uma equipe (antes, os atletas brasileiros participavam individualmente), conseguindo um feito inédito: a equipe sagrou-se campeã na comemoração do 50º aniversário de fundação da Seigokan. Dois anos depois, repetiu-se esse feito no último torneio em que o Hanshi esteve presente, ocorrido em 26 e 27 de julho de 1997.

Infelizmente, em 18 de outubro de 1997, o Hanshi Seigo Tada faleceu, aos 76 anos de idade, vítima de um infarto, fato que chocou a todos, dado o excelente estado de saúde que ele apresentava meses antes, durante o 72º Torneio Mundial de Karate da Seigokan, que comemorava o 52º aniversário de fundação da All Japan Seigokan Karate-do Association. (foto acima: visita de Seigo Tada ao Brasil)

Entre os feitos do Grande Hanshi Seigo Tada, destacam-se:

O Hanshi Seigo Tada foi realmente uma personalidade ímpar dentro do karate, um líder nato, generoso e sempre à disposição de qualquer aluno, independentemente da idade ou graduação. Realmente, alguém cujo lugar dificilmente será preenchido à altura.

O ideal do Hanshi Seigo Tada era que todos os membros da Seigokan se tornassem uma única família. O grande legado que ele deixou foi esta organização, a Japan Karate-do Seigokan, que é considerada, conforme fontes pesquisadas na internet, como a maior organização de Karate Goju-Ryu estabelecida no Japão.

Após sua morte, a Seigokan foi presidida por sua esposa, a Sra. Okamoto Mitiko, que ficou conhecida como Seigo Tada II e atualmente é presidida por Akira Okamoto, conhecido como Seigo Tada III.

GICHIN FUNAKOSHI

Nasceu em 10 de Novembro 1868 em Shuri, no distrito de Yamakawa-chō. Filho único de uma família modesta, teve uma saúde frágil durante toda a infância por ter nascido prematuro. A família Tominakoshi (nome formal da família) possuía o título de shizoku (pequena aristocracia).

Ainda jovem, alterou sua data de nascimento de 1868 para 1870, a fim de apresentar a idade exigida para prestar o exame de admissão à Escola de Medicina de Tóquio, no qual foi aprovado. Entretanto, não entrou para o curso, pois a nova lei proibia que homens usassem cabelos amarrados em coque sobre a cabeça, também conhecidos como birote ou “chon mage”, símbolo da virilidade e da maturidade em Okinawa. Tradicionalista, a família de FUNAKOSHI recusou-se a aceitar essa imposição. Pequenos fatos, grandes efeitos. Se tivesse ido para Tóquio na ocasião, não teria conhecido o Okinawa-te e o karatê teria tido outro destino.

Gichin Funakoshi começou a praticar to-de em Okinawa, sob a orientação de Yasutsune Azato, pai de um colega de escola. A carta de recomendação do jovem foi entregue a Azato por seu avô, Gisu Tominakosi, um confucionista que ensinava membros da família real. O médico da família, Tokashiki, apoiou a decisão, considerando esse procedimento um método de reforço da saúde do jovem. Funkoshi treinava em segredo, à noite, sem fazer alarde do que lhe ensinavam, numa época em que a prática da arte marcial de Okinawa era proibida pelos japoneses. Era obrigado a repetir mês após mês o mesmo KATA, “a ponto de sentir exasperação e humilhação”, como escreveria em suas memórias, sob a expressa proibição de passar a um novo KATA sem a autorização de seu mestre.

É possível que FUNAKOSHI tenha estudado com TAITEI KINJO, conhecido como “PUNHO DE FERRO” pela sua capacidade de derrubar um touro com a potência de seu soco, antes de se tornar discípulo de YASUTSUNE AZATO.

Gichin Funakoshi falava com muita emoção dos tempos de sua juventude e de Mestre Azato, do qual fora, segundo sua autobiografia, o único discípulo por muito tempo. O treinamento era severo, e o Mestre era avaro de comentários, ainda menos de elogios aos progressos conquistados: tudo o que ouvia era “mais um pouco...”. E o melhor cumprimento se limitava à única palavra: "Bom...". Somente com o nascer do sol é que AZATO abria um pouco a alma e falava da essência da arte.

Ainda transcorria a época em que ninguém se interessava em transmitir conhecimentos por escrito; época em que o Okinawa-te, oficialmente proibido, não deixava entrever nenhuma possibilidade de carreira para instrutores profissionais; época em que cada história contada rapidamente tomava as dimensões de lenda. Entretanto, FUNAKOSHI insiste em suas lembranças de nunca ter presenciado, no decorrer de sua vida, façanhas que fossem além das possibilidades humanas e insiste também na ideia de que todo homem tem seus limites.

Gichin Funakoshi conheceu e treinou com outros mestres, como Yasutsune Itosu, Sokon Matsumura, Kanryo Higaonna, Kiyuna (capaz de descascar um tronco de árvore com as mãos) e Niigaki.

Em 1902, liderou uma demonstração de To-De perante Shintaro Ogawa, comissário escolar, contribuindo para o reforço do ensino da disciplina na região.

Em 1903, apresentou o primeiro programa pedagógico para a prática do To-De. Seu avô e o Mestre Yasutsune Azato haviam ensinado os clássicos chineses desde a infância, e ele decidiu aplicar esses conhecimentos, tornando-se professor. Ele é aprovado nos exames para professor primário, profissão que exercerá até 1921, sem nunca ter sido registrado um dia de falta por doença.

Em 1906, organiza a primeira exibição pública de To-De em Okinawa. Neste mesmo ano, nasce seu terceiro filho, que receberá o nome de Yoshitaka (ou Gigo), e que desempenhará um importante papel no desenvolvimento técnico do caratê no Japão.

Em 1912, treinou militares da Marinha Imperial Japonesa que foram enviados a Okinawa para aprender TO-DE. Já em 1913, ele organizou uma equipe de demonstração de to-de, que realizou centenas de exibições entre 1913 e 1915 perante milhares de espectadores por todo o território de Okinawa. Integram esse grupo personalidades que se tornariam famosas no panorama do caratê, tais como Choki Motobu, Chotoku Kyan e Kenwa Mabuni.

Em 1917, liderou a primeira demonstração de TO-DE fora de Okinawa, na BOTOKUDEN, em Quioto. No dia 6 de março de 1921, junto com Chojun Miyagi, lidera uma demonstração de To-De no grande salão do Castelo de Shuri. Neste dia, o príncipe herdeiro Hirohito assistiu à demonstração.

Também neste ano, ele funda e passa a presidir a Shobukan de Okinawa (Associação para a Promoção do Espírito das Artes Marciais de Okinawa)

No dia 1º de abril de 1922, o Ministério da Educação organiza a "PRIMEIRA EXIBIÇÃO ATLÉTICA NACIONAL" em Tóquio, onde diversas artes marciais são exibidas. O TO-DE é uma das artes convidadas, e Gichin Funakoshi é escolhido pelos diversos especialistas de Okinawa para liderar a demonstração, a qual constitui a primeira apresentação pública de TO-DE ao público japonês não natural de Okinawa. Em 17 de maio, após a exibição pública de TO-DE, Gichin Funakoshi, a convite de Jigoro Kano (fundador do judô), realiza uma demonstração no Kodokan. Nesta demonstração, Gichin Funakoshi pede a seu discípulo Shinken Gima que demonstre o kata Naifanchin (mais tarde denominado Tekki). Em junho de 1922, ele publica um artigo sobre o TO-DE no jornal Tóquio Nichinichi. Trata-se do primeiro artigo publicado sobre essa arte fora de Okinawa. As primeiras aulas são dadas apenas aos membros da Tabata Poplar Club (uma associação artística), e a primeira escola é aberta no Meisei Juku (um dormitório para estudantes originários de Okinawa), situado no bairro Suidobata, em Tóquio.

Ainda no mesmo ano, a editora Bukyoshaha traz a público o primeiro livro de Gichin Funakoshi, Ryu-Kyu Kenpo: To-De. O artista Hoan Kosugi desenhou para a capa do livro o famoso "Tigre", que se tornaria um símbolo da arte de Funakoshi. Em 1924, seu filho Yoshitaka (Gigo) Funakoshi (foto abaixo à direita) vem morar em sua casa em Tóquio. Embora praticante de TO-DE, GIGO dedica apenas parte do seu tempo à prática, já que estuda no Laboratório de Radiologia da Universidade de Tóquio, onde obtém o diploma de “técnico de radiologia”, passando então a trabalhar nesse mesmo local e no Ministério da Educação.

Ao saber que as instalações do Meisei Juko, onde Gichin Funakoshi dava aulas, haviam sido destruídas pelo terremoto de 1923, Hokudo (Hirō Michi) Nakayama (o fundador do moderno Iaido) oferece a Funakoshi os horários livres de seu dojô de kendo, situado em Kyobashi, Tóquio. Gichin Funakoshi adota um esquema de graduações (kyu, dan) semelhante ao do Kodokan. Os karatecas passam a usar um karate-gi branco (semelhante ao do judô, porém mais “leve”) e os “dan” passam a usar a faixa preta. É fundado o primeiro clube universitário na Universidade de Keiho, a convite do professor Shinyo Kasuya, do Departamento de Línguas Germânicas.

Dava aulas durante o dia e, em seguida, percorria furtivamente o caminho noturno até a casa de seu mestre, Yasutsune Azato (pertencia a uma das duas classes superiores de famílias Shizoku em Okinawa, possuía a vila de Azato, localizada entre Shuri e Naha). Às vezes, praticava sob a tutela de dois mestres ao mesmo tempo: Yasutsune Azato e Yasutsune Itosu.

Em 1926, Gichin Funakoshi publica, pela Editora Kobundo, uma segunda edição de seu primeiro livro, desta vez sob a designação: Rentan Goshin to-de Jutsu (as placas de impressão originais do seu primeiro livro haviam sido destruídas no terremoto de 1923).

Em 1935, ele publicou sua obra fundamental, Karate-do Kyohan (conhecido internacionalmente como O texto do mestre). Nela, FUNAKOSHI propõe oficialmente a modificação do kanji "TO" (associado à dinastia chinesa Tang, e que dignifica "antigo") pelo kanji "KU", que significa "vazio". Como ambos os kanji também se pronunciam "kara", a forma verbal continua inalterada. O karatê deixa então de significar "a mão antiga" ou "chinesa" e passa a ser conhecido como "mãos vazias". (Imagem ao lado: o DOJO KUN do SHOTOKAN). Na primavera de 1936, a coleta de fundos iniciada no ano anterior por Kichinosuke Saigo dá frutos, e o dojo de Funakoshi começa a se tornar realidade, com as primeiras aulas ocorrendo desde logo. Na porta de entrada, é colocada uma placa com o nome “SHOTOKAN”, designação escolhida pelos seus alunos em sua homenagem.

Seu filho, Gigo Funakoshi, introduz, nesse mesmo ano, a prática do Jiyu Kumite e, com o apoio de Shigeru Egami e Genshin Hironishi, entre outros, desenvolve novas técnicas de pernas, como: Yokogeri (Kekomi e Keage), várias formas de Mawashigeri e Ushirogeri. As posições de base tornam-se mais baixas que as tradicionais.

Em 1º de março de 1938, a construção do dojo Shotokan é concluída. Com a materialização do Shoto Kan, o "espírito do grupo" criado em 1935 por Kichinonosuke Saigo para o desenvolvimento dos ideais de Gichin Funakoshi se corporifica. Esse grupo, designado SHOTOKAI (Associação Shoto), passará a ser, digamos assim, a "alma" do SHOTOKAN, a Casa de Shoto.

Em 29 de julho, foi realizada a inauguração formal do dojo Shotokan em Zashigaya, Tóquio (foto ao lado). Em 1940, Gichin Funakoshi proíbe seus alunos de executarem jiuy kunite (combate livre), pois verificou que, em parte devido ao fervor nacionalista e também pelo desejo de competição, essa prática induz a um espírito de violência contrário à essência do budo.

Em dezembro de 1943, ele publicou “Karate-do Nyumon”. Crê-se que Yoshitaka Funakoshi tenha colaborado ativamente com seu pai na elaboração da parte técnica do livro, juntamente com Wado Uemura e Yoshiaki Ayaishi.

Em 10 de março de 1945, entre 2 e 3 horas da manhã, o dojo Shotoikan e a residência da família FUNAKOSHI, anexa a ele, são destruídos durante os bombardeios em Tóquio. Gichin FUNAKOSHI foi acolhido pelo filho mais velho, Yoshihide, e passou a residir na casa situada no bairro Koishikawa, em Tóquio. Neste mesmo ano, Gigo FUNAKOSHI morre vítima de uma prolongada doença pulmonar. Seu funeral ocorreu em 24 de novembro. Nesse período, Mitsusuke Harada treina por três meses a pedido direto de seu instrutor Genshin Hironishi, sob a supervisão direta de Gichin Funakoshi. Os treinos ocorrem na sala de estar da casa de Yoshihide FUNAKOSHI e resumem-se ao estudo de um único kata, taikyoku shodan.

A esposa de Gichin, que lograra sobreviver à destruição de Okinawa, deixa sua região natal e se reúne ao marido em Oita, Kyushu, onde passam a viver em condições muito difíceis. Comiam alguns vegetais que plantavam e algas marinhas que colhiam na praia. No outono de 1947, ela morre devido a uma crise de asma.

“Estando sentado com ela numa tarde, via-a levantar o corpo mirrado da cama e virar o rosto na direção de Tóquio. Vi seus lábios se moverem em uma oração silenciosa. Em seguida, voltou-se novamente, agora na direção de Okinawa, bateu as mãos trêmulas e fez outra oração silenciosa. Eu sabia o que se passava em sua mente: ao olhar na direção de Tóquio, ela pensou no imperador e no Palácio Imperial; lembrou-se de seu filho e netos; e, quando se voltou para Okinawa, ofereceu sua derradeira oração aos espíritos ancestrais antes de ela mesma juntar-se a eles. Assim minha mulher morreu...”.

Logo em seguida, FUNAKOSHI regressa a Tóquio, voltando para a casa do seu filho mais velho, YOSHIHIDE. Durante a longa viagem, ele é ovacionado por alunos que o esperam nas estações onde o trem para. Encorajado pelos discípulos, ele organiza, ainda em 1947, uma grande demonstração de caratê em Tóquio (foto ao lado: Gichin Funakoshi e Yoshitaka Funakoshi, segundo e terceiro da esquerda para a direita, junto de alguns alunos). Em 1º de maio de 1949, às 18 horas, no Iomiuri Shibum Hall, é criada a Nihon Karate-do Kyokai (conhecida internacionalmente como Japan Karate Association — JKA).

A criação da organização é fruto da iniciativa de Kichinosuke Saigo, que assume a presidência, Genshin Hironishi, Isao Obata, Seichi Takaga e Hiroshi Noguichi, entre outros. Sendo o corpo original dos fundadores da JKA constituído por homens de elevada estirpe social, cujas ocupações profissionais não lhes permitem dedicação exclusiva ao karatê, estes decidem colocar a liderança "de fato" da JKA nas mãos de excelentes instrutores, como Masatoshi Nakayama (nomeado instrutor-chefe) e Hidetaka Nishiyama (escolhido para liderar o Conselho Pedagógico).

Masatomo Takagi, conhecido por seus dotes de gestor de negócios, é contratado como Secretário-Geral da organização. O objetivo original da JKA é congregar, em uma única organização, todos os estilos de caratê existentes no Japão, mas tal integração se revelará impossível.

Em 1950, Isao Obata, entre outros, funda a All-Japan University Karatê League. Essa liga pretende preservar a linha original de FUNAKOSHI, considerando que a prática da JKA se afastou dela. Todos os clubes de karatê das várias universidades japonesas aderem a esta liga, mas a Universidade de Takushoku permanece ligada à JKA.

Em 1951, apesar de ter mais de 80 anos, FUNAKOSHI continuava a ensinar quase que exclusivamente KATA nas universidades de Waseda, Keio, Hosei, Chuo, Hitotsubashi e Gakushin, bem como no Colégio Nacional de Educação Física (Nikaido) e nas academias naval e militar.

Entre junho e setembro de 1953, FUNAKOSHI realizou uma série de demonstrações em várias bases aéreas dos EUA com alguns de seus estudantes mais antigos, incluindo Isao Obata, Hidetaka Nishiyama, Masatosi Nakayama e Toshio Kamata, entre outros, acompanhados por judocas do Kodokan e por praticantes de kendo. Essas demonstrações são patrocinadas pelo "U.S. Strategic Air Command". Em cada local, os mestres permanecem, em média, dois dias, ministrando dois dias de ensino e realizando demonstrações para militares, e outros dois dias de demonstrações nas cidades das redondezas.

Em 1956, Isao Obata, Iroshi Noguichi, Genshin Hironishi e outros "homens de confiança" de FUNAKOSHI, provenientes da "linha tradicional" do caratê, abandonam a JKA. Com o apoio do próprio Gichin Funakoshi, que assume a presidência da organização, e de Shigeru Egami, o discípulo mais próximo de Funakoshi nos últimos anos de vida, formalizam a Nihon Karate-Do Shotokai. Assim, no karatê, cria-se um profundo cisma. De um lado, a linha esportiva, claramente maioritária, liderada pela JKA (organização profundamente dominada pelo "espírito de Takushoku", a universidade que encarna a ambição expansionista e colonizadora do Japão). Do outro, a linha tradicional, que rejeita a competição esportiva e a comercialização, e que se identifica com o grupo Shoto Kai. Em 13 de outubro de 1956, FUNAKOSHI termina o prefácio da segunda edição de Karate-do Kyohan, lamentando-se do "quase irreconhecível estado espiritual a que chegou o mundo do karatê atual" e apelando a quem possa "compreender seus anseios profundos, de forma a completar os objetivos do trabalho". (Foto ao lado: Gichin Funakoshi e Kichinosuke Saigo).

Em japonês, a palavra "SHOTO" significa "ONDA DE PINHEIROS" (SHO: árvore; TO: oceano; KAN: academia). Shuri, cidade natal de Funakoshi, era rodeada por colinas com florestas de pinheiros e vegetação subtropical. Segundo Funakoshi, "era possível ouvir o farfalhar dos pinheiros e sentir o profundo e impenetrável mistério que está na raiz de toda a vida; o sussurro era uma espécie de música celestial". À medida que se aprofundava no conhecimento da arte marcial, tornava-se mais consciente de sua natureza espiritual. Ele usufruía sua solidão enquanto ouvia o vento assobiando entre os pinheiros. Era uma excelente forma de alcançar a serenidade da mente exigida pelo karatê.

Decidiu que não havia nome mais apropriado para assinar seus poemas do que "Shoto". Muitas vezes, achou que, se não escrevesse "Shoto" juntamente com "Funakoshi", as pessoas poderiam não saber quem ele era.

Mestre Gichin Funakoshi faleceu em 26 de abril de 1957. Consta que, em seus últimos dias, pouco antes de partir, fez alguns movimentos com os braços, dizendo que começava a "sentir o tsuki".

Muitas coisas são contadas que não podem mais ser constatadas nem corretamente interpretadas. O filho primogênito, YOSHIHIDE, decidiu organizar o funeral com o apoio da NIHON KARATE-DO SHOTOKAI e dos amigos mais próximos da família FUNAKOSHI, nomeadamente: SHIGERU EGAMI (que esteve junto ao leito do Mestre quando este exalava o último suspiro), GENSHIN HIRONISHI e MOTOHIRO YANAGISAWA.

A JKA, entretanto, discorda da decisão de Yoshihide FUNAKOSHI e afirma que se recusa a participar do funeral de Gichin FUNAKOSHI caso não lhe seja permitido organizá-lo. Promove-se, então, uma reunião de emergência entre a Nihon Karate-do Shotokai e a Nihon Karate-do Kyokai (JKA).

Como não houve consenso entre as duas partes, concluiu-se que a decisão de participar do funeral do mestre FUNAKOSHI competirá à consciência pessoal de cada um de seus alunos.

No dia do funeral de Gichin Funakoshi, verificou-se que apenas os grupos universitários ligados ao Shotokai (Chuo, Senshu, Toho, Gakushiin e Tóquio Noko) compareceram. O grupo universitário de Waseda hesita, mas acaba por participar (por insistência do presidente da universidade, o dr. Nobumoto Ohama, um amigo e conterrâneo de Funakoshi). Infelizmente, a grande maioria dos alunos de Gichin Funakoshi, especialmente os mais ligados à JKA, não comparece ao funeral do mestre.

Por iniciativa da Nihon Karate-do Shotokai, é publicada, por ocasião do primeiro aniversário de sua morte, a segunda edição de Karate-do Kyohan ("O Texto do Mestre"), em 1958.

Para muitos de seus conterrâneos, Funakoshi era "mais que humano", era um "tatsujin" (indivíduo fora do comum).

Abaixo, os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi (Niju Kun):

Esses vinte princípios foram o legado do mestre Gichin Funakoshi para o desenvolvimento espiritual e mental de seus alunos. Eles evidenciam o desejo do mestre de assegurar que o praticante não se concentre apenas nos aspectos técnicos do karatê (socar, chutar, bloquear), mas também no lado espiritual da arte marcial. É a preocupação com os aspectos espirituais, insistia o mestre, que transforma o karatê de mera arte marcial em um Caminho.

O "estilo Funakoshi" sempre foi "formar o homem, mais do que o guerreiro". O velho mestre tinha o costume de perguntar: “Qual a utilidade de um homem forte, mas sem filosofia?

A essência de sua abordagem da "arte da mão vazia" talvez esteja contida nessas duas sentenças:

HIDETAKA NISHIYAMA

Nasceu em 10 de outubro de 1928, em Tóquio. Aos 5 anos de idade, começou a treinar Kendô, e aos 10 anos iniciou no Judô. Alguns anos depois, recebeu a faixa preta em Kendô. Nessa mesma época, começou a praticar Karatê-dô com Gichin Funakoshi, no Shotokan.

Em 1945, ingressou na Universidade de Takushoku, obtendo um ano depois o grau de shodan. Em 1948, graduou-se nidan e, em 1950, sandan, no mesmo período em que cofundou a All Japan Collegiate Union, sendo eleito seu primeiro diretor. Em 1951, formou-se em Ciências Econômicas e foi nomeado diretor da Japan Karate Association (JKA). Posteriormente, mudou-se para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Los Angeles como instrutor-chefe da JKA no país.

Em 1953, viajou por diversas bases da Strategic Air Command (SAC), introduzindo o Karatê-dô em todo o território norte-americano. Em 1960, publicou o livro "Karate: A Arte de Combate com as Mãos Vazias", que se tornou um best-seller.

Em 1961, organizou o primeiro encontro amistoso de Karatê entre Estados Unidos e Japão. Três anos depois, fundou a Pan American Karate Union (PAKU), sendo eleito diretor. Mais tarde, foi nomeado diretor executivo da International Amateur Karate Federation (IAKF).

Em 1975, em Los Angeles, organizou o primeiro Campeonato Mundial da IAKF, com participação de países como a Colômbia. Anos depois, a IAKF passou a aceitar outros estilos de Karatê, dando origem à International Traditional Karate Federation (ITKF), com Nishiyama como presidente.

Em 3 de novembro de 2000, como presidente da ITKF e da American Amateur Karate Federation (AAKF), foi condecorado pelo governo japonês com o título de Grão-Mestre do Karatê Tradicional, em reconhecimento por sua contribuição à divulgação da cultura japonesa no mundo.

Nishiyama recebeu pessoalmente do Imperador do Japão a honraria da Ordem do Tesouro Sagrado, Raios Dourados com Roseta, a mais alta condecoração japonesa já dedicada ao Karatê Tradicional. Foi a primeira vez que uma condecoração deste nível foi dedicada ao Karatê Tradicional.

Faleceu aos 80 anos, em 8 de novembro de 2008, deixando um legado imensurável para o Karatê Tradicional, com mais de 50 anos de dedicação aos aspectos físicos, mentais e espirituais da arte.

MASATOSHI NAKAYAMA

Nasceu em 6 de abril de 1913 em Kanazawa, no Japão, em uma família de samurais e instrutores de kendô. Seu pai, Naotoshi, estudou judô e era médico militar. Além dos estudos acadêmicos, Nakayama dedicou-se à prática de kendô, judô, esqui, tênis e atletismo. Seu avô, Naomichi Nakayama, além de instrutor de kendô, foi cirurgião em Tóquio. Naotoshi seguiu os passos do pai na medicina e naturalmente esperava que Masatoshi fizesse o mesmo.

Em 1932, quando Nakayama chegou à Universidade Takushoku para iniciar seus estudos, planejava continuar praticando o esporte. No entanto, por ter chegado fora do horário, ele se apresentou ao dojô enquanto a equipe de karatê treinava. Fascinou-se com o que viu e, como ele mesmo mencionava, "esqueceu-se completamente do kendô".

Naquela época, o Mestre Funakoshi ainda ensinava ativamente, e seus treinos eram exaustivos e extremamente rigorosos. Aproximadamente 10% dos alunos permaneciam por mais de seis meses. Os treinos consistiam em 50 a 60 repetições do mesmo kata e cerca de mil golpes no makiwara por sessão.

A geração de Nakayama havia crescido praticando tanto kendô quanto judô, o que os havia habituado a confrontos reais. Isso os levou a desenvolver o karatê em combates semilivres (1934) e livres (1935). No outono de 1936, Nakayama e outros discípulos de Funakoshi realizaram a primeira demonstração pública desses métodos no Centro Cívico de Tóquio.

Além das cinco horas diárias de treino, Nakayama cursou História e Língua Chinesa. Em 1933, passou quatro meses na Manchúria como estudante do segundo ano. Retornou à China em 1937 para um intercâmbio na Universidade de Pequim, onde posteriormente trabalhou para o governo chinês.

Durante sua estada na China, continuou a praticar e ensinar karatê, além de estudar artes marciais chinesas. Ele não pôde participar da inauguração do primeiro dojo dedicado ao karatê no Japão, o Shotokan, mas escapou dos horrores da Segunda Guerra Mundial.

Ao retornar ao Japão, descobriu que muitos de seus companheiros de karatê, assim como o dojo Shotokan, haviam sido destruídos na guerra. Reorganizou as aulas e, em maio de 1949, ajudou a fundar a JKA (Japan Karate Association). Aos 81 anos, Funakoshi, então mestre honorário da JKA, escolheu Nakayama como instrutor-chefe.

Em 1947, tornou-se treinador da equipe de karatê da Universidade Takushoku. Em 1952, foi contratado como membro do Departamento de Educação Física, assumindo posteriormente sua direção. Entre suas principais contribuições destacavam-se:

Em 1965, publicou "Dinâmica do Karatê", e em 1977, a série "O Melhor Karatê". Outras obras notáveis incluem:

Ele faleceu em 14 de abril de 1987, aos 74 anos. Até o fim, viajou, ensinou e escreveu mais de 20 livros sobre karatê, consolidando a JKA como uma organização global com 10 milhões de praticantes em 150 países.

Foi um verdadeiro mestre, que absorveu a filosofia, a técnica e os ideais de Gichin Funakoshi e os transmitiu ao mundo com devoção incansável.

HIROKAZU KANAZAWA

Nascido em 1931, em Kanagawa, Hirokazu Kanazawa personificava todas as virtudes de um verdadeiro mestre das artes marciais: humildade, paciência, cortesia e simpatia. Essas qualidades foram moldadas por seu treinamento direto sob os lendários Mestre Gichin Funakoshi e Mestre Masatoshi Nakayama.

Em busca da perfeição na técnica e em sua sua jornada para aprimorar o Karate-Do, Kanazawa decidiu estudar Tai Chi Chuan – uma arte marcadamente oposta ao karatê, porém valiosa para desenvolver relaxamento muscular e controle dinâmico. Essa abordagem complementar permitia-lhe executar técnicas de karatê com maior eficiência biomecânica.

Sua introdução ao Tai Chi ocorreu de maneira casual: um de seus alunos, de origem chinesa, propôs uma troca de conhecimentos. Kanazawa ensinava Karate-Do em troca de lições de Tai Chi Chuan.

O aprendizado não foi fácil. Demorou dois anos para dominar os princípios do Tai Chi, mas uma vez internalizados, Kanazawa passou a integrar harmoniosamente ambas as artes. Enquanto o Karate-Do privilegia movimentos rápidos e lineares, o Tai Chi baseia-se em movimentos suaves e circulares – um contraste que enriqueceu sua prática marcial.

Ao atingir o 5º Dan, Kanazawa foi nomeado Diretor técnico da JKA (Japan Karate Association). No entanto, renunciou ao cargo em 1977, discordando da filosofia institucional que, em sua visão, limitava o acesso ao Karate-Do. Ele defendia que a arte deveria ser para todos, não apenas para uma elite.

Com uma carreira lendária, alcançou o 10º Dan, solidificando-se como um dos maiores mestres de Karate-Do Shotokan do mundo. Foi presidente da Shotokan Karate-Do International Federation (SKIF) até seu falecimento em 2019, liderando uma organização com milhares de membros em mais de 100 países.

Um Feito Histórico: A Vitória com a Mão Fraturada - Em 1957, Kanazawa venceu o Campeonato Japonês de Karatê em circunstâncias extraordinárias. Um dia antes da competição, fraturou a mão durante um treino intenso de kumite contra seis oponentes simultâneos. Seu mestre, Masatoshi Nakayama, recomendou que desistisse. Porém, ao encontrar sua mãe – que viajara de longe para vê-lo competir –, ela o encorajou com uma frase decisiva: "No Karate-Do, não usamos apenas as mãos, mas também os pés."

Com essa motivação, Kanazawa competiu e sagrou-se campeão, escrevendo um dos episódios mais inspiradores da história das artes marciais.

MASUTATSU OYAMA

Nascido em Kimje, na Coreia, em 1923, Yee Yung começou a treinar Chabi (uma combinação de Kenpo e Ju-Jitsu) aos 9 anos de idade. Também estudou Taekkyon e Taekwondo, que seriam depois unidos para dar origem ao taekwondo. Aos 13 anos, aprendeu o estilo Shaolin de kung fu com um agricultor contratado pelo seu pai. Aos 14 anos, entrou para uma academia militar japonesa e adotou o nome Masutatsu Oyama, que significa "elevação da alta montanha".

Nessa época, seu principal modelo humano era Otto von Bismarck, o unificador da Alemanha: “sempre com o desejo de ser o Bismarck do Oriente, saí de casa aos 13 anos e fui para Tóquio” (La Voie Kyokushin).

Em Tóquio, Oyama pratica, inicialmente, judô no Kodokan. Em 1938, inscreveu-se no Shotokan, onde praticou karatê-do por cerca de dois anos com Gichin Funakoshi e seu filho Yoshitaka. Mas já duvidava de sua abordagem linear. Eu não gostava da ideia de controlar minhas técnicas. Era rígido demais para mim, então parti...” (MAS OYAMA, La Légende du Karaté). (MAS OYAMA, a lenda do karatê).

Oyama deixa o dojo Shotokan em 1940, depois de treinar lá por cerca de um ano e meio. Sua partida ocorreu após a derrota de YOSHITAKA para um karateca do Estilo GOJU-RYU. De qualquer forma, a maioria dos karatecas japoneses mais conhecidos, em um momento ou outro, havia passado pelo Shotokan, e OYAMA não seria exceção.

Ao deixar FUNAKOSHI, OYAMA torna-se discípulo de SO NEISHU (que, por sua vez, era discípulo de CHOJUN MIYAGI). Este, de origem coreana (seu nome anterior era Cho Hyung In), tinha Gogen Yamaguchi como mestre, fundador da Goju Kai. Foi por seu intermédio que OYAMA estudaria o ZEN: “No karatê, o que sempre conta mais que as técnicas ou a força é o elemento espiritual que permite ao indivíduo mover-se e agir em plena liberdade. Para se alcançar a boa atitude de espírito, a meditação zen é muito importante. Quando dizemos que essa meditação implica um estado de impassividade e na ausência total de pensamento, queremos dizer que, por meio dela, podemos vencer a emoção e o pensamento, e dar às nossas capacidades um curso mais livre que nunca. O homem que quer seguir a Via do Karatê não pode negligenciar o ZEN e o aperfeiçoamento espiritual” (MAS OYAMA, La Légende du Karaté).

Sob os conselhos de So Neishu, Oyama estudou por algum tempo sob a direção do próprio Yamaguchi. Em 1947, vence o All Japan Karatê Championship, realizado em Kioto, no Karuyama Gimmasium.

Em 1948, depois de passar alguns meses na prisão, Oyama se submeteu a um exílio voluntário de 18 meses no monte Kiyosumi, distrito de Shiba: “Quando estava na prisão, depois da Segunda Guerra Mundial, ciente de não estar qualificado para ensinar ou trabalhar e incerto quanto ao futuro, decidi me dedicar ao caratê. Ao ser posto em liberdade, dirigi-me imediatamente para as florestas do monte Kiyosumi, onde treinei sozinho por um ano e meio. Penso que todos que se dedicam a uma causa devem passar por um período de isolamento como esse. Meu treinamento cotidiano começava bem cedo, com uma sessão de purificação espiritual sob as águas geladas de uma cascata”.

Em seguida, eu voltava correndo para a minha modesta residência e continuava o meu treino. Utilizava tudo o que a natureza colocava à minha disposição para desenvolver minha condição física e minha força. Eu cuidava para não negligenciar nenhuma parte do corpo ou aspecto do treinamento.

A manhã era dedicada ao fortalecimento dos meus músculos e à melhora da minha capacidade respiratória. Corria pelas montanhas, mudava de lugar pedras e troncos de árvores, mergulhava em torrentes geladas. Terminava o treino matinal com uma nova sessão de meditação. À tarde, eu praticava karatê. Eu instalava makiwara nos troncos das árvores e os golpeava por várias horas, com os punhos e com os pés. Também me exercitava no quebramento, até que o estado das minhas mãos me impedisse de continuar.

Durante todo o tempo de meu retiro nessas montanhas, nem um dia se passava sem que eu me entregasse a um penoso e violento treinamento, fizesse chuva ou faça sol. Quando a escuridão caía sobre as montanhas, eu podia sentir a absoluta profundidade de minha solidão. Cercado pelas trevas e pelo silêncio, eu acendia uma vela em minha pobre cabana e pendurava na parede uma folha de papel branco sobre a qual eu havia traçado dois círculos: o da direita, Sei, simbolizava a ação, e o da esquerda, Do, simbolizava a inatividade. Observando esses dois círculos, eu entrava em profunda meditação.

Esse prolongado retiro, longe de toda civilização, permitiu-me aumentar consideravelmente o nível do karatê, mas sobretudo atingir um estado mental peculiar, que não tinha mais nada em comum com o de antes”. (MAS OYAMA, La Légende du Karaté).

À medida que OYAMA toma consciência de suas prodigiosas faculdades, um projeto começa a germinar em seu espírito: realizar uma façanha fora do comum que provasse a superioridade do caratê sobre todas as outras formas de combate sem armas. Ele decide finalmente repetir os feitos de certos praticantes de Kenpo de Okinawa (Sokon Matsumura e Taitei Kinjo) ao abater touros.

Antes de enfrentar os primeiros touros, OYAMA visita diferentes matadouros da prefeitura de Chiba para testar sua força de golpe. Depois de várias tentativas cuidadosas, ele consegue abater seu primeiro touro. A técnica consistia em desferir um golpe de punho (tsuki) sobre a testa do animal, entre os olhos, no ponto em que os profissionais exercem a pressão com a ajuda de uma marreta e de um martelo.

Em 1950, OYAMA enfrentou seu primeiro touro em uma arena. A besta dobra sob o efeito do primeiro golpe, mas OYAMA não consegue matá-la. Ele tenta um golpe circular com a mão (mawashi-shuto-uchi) e quebra os chifres do animal. Depois disso, no Japão e nos Estados Unidos, ele enfrentaria 52 touros, partindo os chifres de 49 e matando os outros três.

Em 1952, OYAMA foi convidado pela US Professional Wrestling Association, de Chicago. Ele viajou acompanhado do judoca Endo Kokichi, faixa preta 6º Dan, e de um lutador havaiano apelidado “The Great Togo”.

O Wrestling Hall de Chicago era um imenso ginásio com capacidade para mais de 15 mil pessoas. Naquela noite, estava lotado. Great Togo me apresentou ao público. Ele falava inglês, mas não entendi uma palavra do que disse.

Eu deveria fazer uma demonstração de meus talentos de karateca antes da luta-combate que deveria constituir o acontecimento principal da noite. Eu havia previsto partir de início uma única tábua de madeira de uma polegada de espessura, depois duas, três... Até quebrar cinco tábuas empilhadas, uma sobre as outras. No entanto, quando me apresentaram as tábuas, fiquei surpreso com o tamanho delas: tratava-se, na verdade, de duas tábuas de madeira de cinco polegadas de espessura cada! Compreendi, então, que a barreira da linguagem poderia me custar caro. A primeira tábua quebrou no ato, sob o efeito do meu primeiro golpe, e Endo me perguntou se eu queria continuar. Ele segurou a segunda tábua com ambas as mãos e recuou um passo para firmar sua posição. Era a primeira vez que eu tentava quebrar uma madeira tão espessa mantida verticalmente. Após um breve instante de concentração, quebrei essa segunda tábua com um único tsuki. A próxima deveria ser feita em tijolos. No entanto, eu ignorava que os tijolos americanos eram bem mais duros que os japoneses. Além disso, não havia nenhum suporte rígido para colocá-los e o chão era coberto por um tapete espesso e macio. Na primeira tentativa, golpeei em shuto, sem sucesso. Fiz uma nova tentativa, com resultado idêntico. Decidi, então, tomar mais tempo para me concentrar, e uma estranha calma começou a me invadir. A cólera e a impaciência foram aos poucos deixando meu espírito, enquanto uma nova força me penetrava. Consegui! Fui ovacionado como jamais fora antes.Voltando ao vestiário, encontrei um homem que me esperava... Ele examinou minha mão direita com atenção e disse: ‘Queria que as mãos do meu filho fossem tão fortes quanto essas’. Esse homem era Jack Dempsey, um dos maiores pugilistas de todos os tempos” (MAS OYAMA, La Légende du Karaté).

Após essa demonstração, na turnê que empreenderam pelos Estados Unidos, Endo e OYAMA adotaram, respectivamente, os nomes de “Ko Tego” (Pequeno Togo) e “Mas Togo”. Entre 1952 e 1954, OYAMA realizou mais de 200 demonstrações e aceitou numerosos desafios contra lutadores e pugilistas: “Na verdade, eu não tinha vontade de partir nessa turnê. Não gostava de receber dinheiro em demonstrações de Budo, mas era preciso viver, e me ofereciam 100 dólares por semana, com todas as despesas pagas. Para o período pós-guerra, no Japão, era uma fortuna... Ah! Eu era muito forte naquela época.

Eu poderia ter sido campeão de atletismo, mas tudo que me interessava era o karatê" (MAS OYAMA, La Légende du Karaté).

Em 1954, após uma estadia nas ilhas do Havaí, OYAMA retorna ao Japão, onde funda, em Tóquio, o primeiro dojo da sua arte marcial. Em 1956, ele esteve em Okinawa antes de fazer uma longa viagem pelo Sudeste Asiático. Foi nessa ocasião que enfrentou um campeão de boxe tailandês apelidado de Black Cobra. "Um dos objetivos de minha viagem pelo Sudeste Asiático era testar a eficiência do muay thai como método de autodefesa. Black Cobra era um lutador que tinha plena confiança de suas capacidades para enfrentar um karateca. Eu não tinha dúvidas de que ele era rápido e poderoso! Suas técnicas de pernas eram notáveis e muito eficientes. Ele tentou me atingir na cabeça com chutes circulares várias vezes. Ele também tinha excelente precisão nos golpes e não hesitava em saltar sobre mim toda vez que via uma oportunidade. Ele possuía um senso de equilíbrio espantoso e, mesmo quando falhava em seus chutes, não perdia por um instante sequer a posição, o que é raro nesse tipo de técnica.

Durante os primeiros minutos de combate, eu lhe dei a impressão de suportar mais ou menos seus ataques. Eu precisava encontrar a abertura e o momento favorável. Finalmente, encaixei um "shuto" no queixo. Encadeei imediatamente um chute no corpo. Ambos caímos. Mas fui o único a levantar!

Apesar de tudo, eu não ficaria inteiramente satisfeito com a vitória. Preciso melhorar minha capacidade de encadear técnicas de braços e pernas. (MAS OYAMA, La Légende du Karaté).

Em 1957, OYAMA fundou a KYOKUSHINKAI (Associação da Verdade Extrema), em oposição a outras organizações japonesas de caratê. Oyama detestava o "karatê-esporte" e os permanentes desentendimentos da Japan Karatê Association: "na época do primeiro campeonato mundial, decidi manter as competições na sala de artes marciais (Budo-Kan) em Tóquio, porque era o único imóvel capaz de acomodar mais de 10 mil espectadores que sabíamos viriam assistir às competições. Em outra ocasião, usamos um ginásio municipal com capacidade para 1.300 pessoas. O recinto lotou, e cerca de 5 mil pessoas se viram impedidas de entrar por falta de espaço. Entretanto, fomos notificados de que o Budo-Kan não seria alugado. Corri para saber o motivo e ouvi de um jovem empregado que nosso pedido havia sido recusado por acharem que o karatê kyokushin não era um karatê legítimo. Perguntei então qual justificativa havia para isso e o funcionário me disse que era o número de adeptos de uma escola de karatê que determinava sua legitimidade. Ele acrescentou que considerava determinada escola verdadeiramente legítima, mas ficou embaraçado quando lhe fiz notar que o maior número de público que aquela escola era capaz de reunir em torneios e campeonatos era de cerca de 3 mil pessoas, enquanto o Karatê Kyokushin atraía mais de 10 mil pessoas.

Percebendo que o número de público não justificaria a recusa da Budo-Kan, o interlocutor disse que não podia nos alugar a sala porque, durante nossos torneios, derramava-se sangue. No entanto, sangue também era derramado nas competições de boxe que o Budo-Kan nunca hesitou em permitir em suas dependências.Mais tarde, verifiquei que um poderoso dirigente de outra associação de Karatê estava por trás desse incidente. Alguns anos antes, havia nos oferecido uma grande ajuda financeira se nossa organização se filiasse à tal associação, mas eu recusara...” (MAS OYAMA, La Légende du Karaté).

Em 1958, ele publica seu primeiro livro, “What is Karatê?”. O sucesso fulgurante dessa obra o levará a publicar, mais tarde, This is Karatê (1965) e Karatê, the world of the ultimate (1984).

Também em 1958, Edward Bobby Lowa cria a ramificação havaiana da Kyokushinkai e, no ano seguinte, organiza em Honolulu o primeiro torneio oficial de karatê Kyokushin, o First Hawaii Karatê Tournament. Nessa ocasião, OYAMA fez uma demonstração pessoal de kata e quebramento. Em 1960, o segundo torneio havaiano já contava com a participação de 16 países.

Em 1962, é organizado no Madison Square Garden, em Nova York, o primeiro North America Open Karatê Tournament (United States Championship), vencido por Gary Alexander. Em 1964, a KYOKUSHINKAI ganhou destaque na mídia internacional ao aceitar um desafio lançado por lutadores holandeses. A escola de Oyama delega três de seus representantes para ir a Bangcoc. No mesmo ano, é criada a International Karatê Organization (IKO).

Somente em 1969 é organizado em Tóquio o primeiro All Japan Open Karatê Tournament. Yamazaki Terutomo venceu o torneio, enquanto Soeno Yoshiji (futuro fundador do Shodokan) ficou em segundo lugar e Hasegawa Kazuyuki, em terceiro.

Em 1970, ele publica seu terceiro livro, “Advanced Karatê”. Em 1972, OYAMA ocupa novamente as páginas da crônica internacional. Nesse ano, uma equipe japonesa (independente da IKO e da KYOKUSHINKAI) participou de maneira desastrosa de uma competição organizada em Paris. Oyama insiste no caráter duvidoso desse confronto, denuncia as regras de "não contato" em vigor na competição e ressalta a total ausência de representatividade da equipe japonesa presente na França.

Hoje, a organização KYOKUSHINKAI está presente em mais de 130 países. "Aparentemente, todos querem ver o karatê nos Jogos Olímpicos. Certamente, para o karatê esportivo, seria muito bom. Mas o problema é como entrar. Há tantos estilos diferentes. Se aceitarem a modalidade, seriam necessárias quatro categorias: peso pluma, médio, pesado e categoria aberta. Mas tudo isso não é budo, e para o verdadeiro budoka não tem nenhuma importância...” (MAS OYAMA, La légende du karaté). (MAS OYAMA, La légende du Karaté).

Depois de suas estadias em Okinawa e nas ilhas do Havaí, OYAMA decidiu reviver, no karatê Kyokushinkai, uma prova antiga, praticada desde tempos remotos nas escolas de kendo e judo: a prova dos 100 combates.

Conta-se a história célebre de que, em sua melhor fase, OYAMA realizou a prova dos 100 combates por três dias seguidos, ou seja, fez 100 combates por dia durante três dias. Nessa ocasião, seu dojo já era famoso pelo valor de seus lutadores, e OYAMA teria saído seriamente ferido de uma das provas, tendo, entretanto, vencido todas elas.

A história da traição de Júlio César por Brutus é bem conhecida... Não é impossível que uma pessoa semelhante a Brutus possa estar entre os meus numerosos alunos. E eu não sei o que deveria fazer em tal caso... É provável que eu chegasse a esmagar essa pessoa. Mas também provavelmente não faria outra coisa além de me afligir.

É fútil perseguir alguém que já fugiu. Traidores geralmente perdem todos os seus amigos. Frequentemente, a traição é inspirada pelo desejo de dinheiro ou de fama. Mas aqueles que percebem isso acabam abandonando o traidor, que então é traído pelos seus próprios amigos.

As pessoas pensam que sou corajoso porque sempre sobrevivi a situações de perigo. Na verdade, porém, tenho enfrentado situações diferentes com reações diferentes. Houve momentos em que me envergonhei de mim mesmo. Em outros momentos, tenho agido com extrema prudência; em outros, ainda fiz prova de uma coragem de leão. Fiz com que o karatê Kyokushinkai se tornasse célebre no mundo todo, não somente devido ao poder e ao rigor de seu método de treinamento, mas também pela maneira como ele incute cortesia e respeito aos outros. O homem deve buscar a aventura. Ele deve lutar e explorar. Ele deve estabelecer uma meta e viver para alcançá-la. Um homem é forte quando tem um objetivo pelo qual luta.” (Mas Oyama, La Légende du Karaté).

Para finalizar sua história, mais algumas palavras de Masutatsu Oyama: “Minhas próprias vitórias foram o fator determinante da propagação e do renome do caratê. Mantenho o inigualável recorde de vitórias sobre pugilistas ingleses, lutadores, judocas e boxeurs thais. Venci touros furiosos com as mãos nuas.

Continuo persuadido de que, enquanto eu puder utilizar o karatê, serei imbatível em um conflito não armado. Um homem não pode conhecer a verdadeira natureza das artes marciais se não tiver passado pela experiência do combate real. Para merecer o nome de karateca, é preciso encontrar e superar o verdadeiro perigo. Sou provavelmente o único dirigente de karatê japonês do pós-guerra a ter enfrentado a morte tantas vezes. Por isso, tenho sido denegrido por pretensos karatecas pacifistas que não conhecem o combate real. Como se deve julgar os instrutores de uma espécie de dança de karatê que transmitem a seus alunos as técnicas e o espírito do combate, se eles próprios nunca combateram? A essência do karatê reside no combate”.

Masutatsu Oyama faleceu em 1994.

TADASHI NAKAMURA

Seido Karate | Seido Karate - London ShibuKaicho (Grão-Mestre) Tadashi Nakamura é o fundador e presidente da Organização Mundial de Seido-Juku Karate. Karateca renomado internacionalmente, Nakamura possui o 9º Dan e mais de cinquenta anos de experiência na prática e no ensino de artes marciais. Especialista no uso de armas orientais, já realizou inúmeras palestras e demonstrações de artes marciais em diversos países ao redor do mundo.

Começou seu treinamento em karate em 1953, aos onze anos de idade. Suas primeiras experiências foram no estilo Goju, sob a instrução do Sensei Kei Miyagi, filho de Chojun Miyagi (fundador do estilo). Em 1956, Nakamura passou a treinar com Masutatsu Oyama, o fundador do Kyokushin Karate e, em 1959, conquistou o grau de shodan. Na época, ele era o aluno mais jovem do Kyokushin no Japão a receber a faixa-preta.

Em 1961, aos dezenove anos, estreou no cenário competitivo com uma vitória em primeiro lugar no Campeonato Aberto Japonês de Karate Estudantil. No ano seguinte, tornou-se um herói nacional no Japão ao nocautear um campeão tailandês de kickboxing em uma luta que determinaria qual nação possuía a arte marcial superior. Nakamura venceria muitos outros torneios ao longo de sua carreira competitiva.

Nessa mesma época, também começou a ensinar karate a outras pessoas. Foi instrutor-chefe na base militar americana de Camp Zama, perto de Tóquio, de 1961 a 1965, e treinou a equipe de karate da Universidade Médica de Toho por três anos. Enquanto conquistava seu sétimo dan no Kyokushin Karate, também atuou como instrutor-chefe no Kyokushin Karate Honbu em Tóquio.

Em 1966, Nakamura foi pessoalmente selecionado por Masutatsu Oyama para ajudar a levar o verdadeiro espírito do karate aos Estados Unidos. Naquele ano, ele se mudou para Nova York e começou a ensinar Kyokushin Karate em um pequeno dojô no Brooklyn. Em 1971, Nakamura estabeleceu a sede norte-americana do Kyokushin Karate. Ele foi o líder do Kyokushin Karate na América por uma década e, nesse período, treinou e formou muitos alunos talentosos.

Em 1976, desligou-se respeitosamente do Kyokushin Karate. No mesmo ano, ele fundou a Organização Mundial de Seido Karate, que refletia suas próprias convicções sobre o verdadeiro significado do karate. Nakamura criou o Seido – que significa "caminho sincero" em japonês – para desenvolver indivíduos completos, comprometidos em melhorar a si mesmos e suas comunidades. Com os princípios de amor, respeito e obediência como base do Seido Karate, Nakamura garantiu que seus alunos se desenvolvessem espiritualmente e moralmente, além de fisicamente.

Hoje, o Seido Karate é uma organização internacional com filiais prósperas em 15 países e mais de 20 mil alunos em todo o mundo. O Honbu do Seido em Nova York é uma das maiores escolas de artes marciais do mundo, com cerca de cinquenta faixas-pretas treinando diariamente. Mais importante, o Seido representa o ideal pessoal de Kaicho Nakamura de que o karate pode ajudar as pessoas a entenderem melhor a si mesmas e aos outros. Os programas do Seido Karate ao redor do mundo continuam a visão de Nakamura, desenvolvendo indivíduos que contribuem significativamente para suas comunidades e para a sociedade como um todo.

Embora desempenhe diversas funções como presidente da Organização Mundial de Seido Karate e da Seido Juku Benefit Foundation, Kaicho Nakamura é, antes de tudo, um instrutor de karate. Ele ministra aulas diariamente no Seido Honbu e também realiza frequentemente seminários e palestras. Ele permanece comprometido em ajudar outros a alcançarem seu pleno potencial humano, tanto como karatecas quanto como indivíduos.

TOMOHARU KISAKI

Mestre Tomoharu Kisaki nasceu em Osaka em 1920, sendo descendente de samurais. Seu interesse pelo caratê despertou muito cedo, quando aprendeu esta arte com o fundador do Goju-ryu, Chojun Miyagi. Também foi discípulo de Gogen Yamaguchi. Mestre Kisaki era uma grande personalidade no karatê no Japão.

Ele era presidente da Federação Estudantil de Karatê e professor emérito das artes do budo. Seu dojo em Osaka chamava-se YUISHINKAN, que significa "Edifício do Coração Valoroso". Esse nome é apropriado para o estilo Goju-ryu.

O mestre Kisaki participou como instrutor em vários acampamentos de verão para instrutores da ITKF. Chegou ao 9º dan e faleceu em 1996.

SEKO HIGA

Nasceu em 1889 e começou seus treinamentos com Kanryo Higaonna aos 14 anos de idade. Após a morte de Kanryo Higaonna, passou a treinar com Chojun Miyagi.

Foi professor primário e, posteriormente, ingressou na polícia. Em 1931, deixou a polícia e abriu seu próprio dojo em Naha. Após a Segunda Guerra Mundial, inaugurou um novo dojo em Itoman, com a ajuda de Seikichi Toguchi, e também passou a lecionar na Universidade de Ryukyu.

Com o falecimento de Chojun Miyagi, tornou-se seu sucessor temporário, responsabilidade que posteriormente foi transferida a Meitoku Yagi. Em 1956, foi nomeado vice-presidente da Federação de Karate-Do de Okinawa, assumindo a presidência dois anos depois. Nesse período, fundou a escola Shodokan e organizou a Federação Internacional de Karate-Do Kobudo (IKKF).

Após sua morte, em 1966, seu filho Seikichi Higa herdou a representação da escola Shodokan.

SEIKICHI TOGUCHI

Nasceu em 20 de maio de 1917, em Naha. Terceiro filho de Masahide Toguchi, começou a treinar no dojo do mestre Seko Higa em 1932 — o único dojo de um aluno do mestre Chojun Miyagi ainda em atividade durante sua vida. Treinou também diretamente com Chojun Miyagi, que frequentava o dojo regularmente para ministrar aulas.

Em 1942, alistou-se no exército japonês e foi enviado à Indonésia como engenheiro elétrico durante a Segunda Guerra Mundial. Lá, ensinou Karate-Do tanto para militares quanto para a população local. Retornou a Okinawa em 1946, estabelecendo-se em Itoman, onde auxiliou na reconstrução do país e ajudou o mestre Seko Higa a construir seu dojo — o primeiro a reabrir após a guerra.

Em 1952, Chojun Miyagi nomeou-o diretor executivo da Organização Goju-Ryu. Dois anos depois, Seikichi Toguchi assumiu o cargo de vice-presidente, sob a presidência do mestre Seko Higa. Em 1954, fundou a escola Shorei-Kan na cidade de Koza. No início, o número reduzido de alunos dificultava a manutenção do dojo, e sua esposa abriu uma sala de jogos próxima a uma base militar para complementar a renda.

Em 1963, criou a Hosei University Goju Association. No dia 10 de outubro de 1970, a Shorei-Kan participou do 1º Campeonato Mundial de Karate-Do, onde Seikichi Toguchi demonstrou o kata Seipai.

O mestre Seikichi Toguchi faleceu em 31 de agosto de 1998, aos 81 anos.

EI'ICHI MIYAZATO

Nasceu em Naha no dia 5 de julho de 1922 e faleceu em Okinawa, no dia 11 de Dezembro de 1999. Em 1935, aos 13 anos, começou a treinar karatê com Chojun Miyagi. Miyazato também era muito ativo no Judo sendo campeão do All Okinawan Judo.

Entre seus alunos destacam-se Morio Higaonna (fundador da IOGKF – International Okinawan Goju-Ryu Karate-Do Federation) e Teruo Chinen (Jundokan International).

Por conta de seu vasto conhecimento sobre o Karate-do Goju Ryu e muitos anos treinando com Chojun Miyagi, fundou em 1956 a Jundokan e dedicou sua vida em promover o Karate-do Goju Ryu de Okinawa.

O Jundokan era uma organização pouco estruturada e não era motivada com o propósito de fazer dinheiro. Miyazato sensei considerava que, com base na filosofia de Chojun Miyagi, uma pessoa não devia ganhar dinheiro com o Karate. Miyazato acreditava que uma pessoa deveria cuidar de sua família, do trabalho e, após isso, do Karate. As aulas de Jundokan eram muito informais. Qualquer um podia entrar e se exercitar no seu próprio tempo. Muitos estudantes aprendiam kata ou treinavam em pequenos grupos com base em seus horários de trabalho. Eles eram livres para treinar o tanto quanto quisessem no dojo.

Na última entrevista dada antes de falecer, Ei’ichi Miyazato contou fatos interessantes sobre Mestre Chojun Miyagi durante e logo após a Segunda Guerra Mundial. Segue alguns trechos: “A maioria dos alunos de Chojun Miyagi morreu durante a Guerra em Okinawa ou abandonou o Karate após ela. Em 1953, quando Chojun Miyagi morreu, todos os alunos veteranos realizaram reuniões para decidir o que fazer sobre o futuro do Karate Goju-Ryu. Muitos deles pararam de praticar por um longo período de tempo e não quiseram se envolver. Outros tantos esqueceram os katas ou nunca aprenderam todos de Chojun Miyagi. Eu fui um dos poucos estudantes que tiveram a sorte de aprender todos os katas.

Este foi um período muito difícil para todos. Nosso grão-mestre de Goju-Ryu morreu de repente, não tínhamos água, eletricidade e algumas famílias estavam sem casa. Foi um período muito difícil de sobrevivência em que nossa principal preocupação era com nossas famílias, em alimentá-las. A prioridade não estava no Karate. Depois da Guerra, Miyagi sensei me pediu para ensinar Karate na Academia de Polícia. Eu então me tornei assistente de Miyagi sensei. Eu também estava treinando Judo. A casa onde Miyagi nos ensinou não estava em boas condições. Eu circulei pela região pedindo dinheiro às pessoas para construir um bom dojo alí. Comecei a trabalhar muito duro para construir um dojo melhor para o meu professor, mas Miyagi morreu repentinamente. Na época anterior à morte dele, ele estava sob uma tremenda quantidade de estresse e pesar. Duas de suas filhas estavam no navio Tsushi Ma Maru, indo para o Japão continental. O navio foi atingido por uma bomba e afundou. Seu terceiro filho, Jun, foi morto durante a guerra em Nanbu (seção sul) de Okinawa. O discípulo número um de Miyagi, Jin’an Shinzato, também foi morto durante a Guerra. Eu sinto que todo esse estresse emocional foi parte da razão pela qual Miyagi sensei morreu repentinamente.

TOSHIO TAMANO

Nasceu em Tóquio no dia 14 de setembro de 1942. Começou a praticar artes marciais com nove anos de idade. Em 1960, ingressou na Shorei-Kan Okinawan Goju-Ryu Karatê em Tóquio, durante a época em que Seikichi Toguchi ensinava ali. Foi nesse período que descobriu a importância do método Shorei-Kan como sistema para transmitir as técnicas e conhecimentos do Goju-Ryu e para manter o espírito do Karatê-Do tradicional de Okinawa.

Formou-se em arquitetura na Universidade de Tóquio. Posteriormente, instalou-se em Okinawa e, quando não ensinava na escola Shorei-Kan de Koza, aproveitava para estudar Kobudō de Okinawa com o mestre Shimpo Matayoshi.

Em 1969, mudou-se para os Estados Unidos, onde abriu, em Nova York, o primeiro dojō Shorei-Kan, sendo nomeado dois anos depois representante da Shorei-Kan nos Estados Unidos.

Após três anos, mudou-se novamente, desta vez para a Europa, introduzindo a Shorei-Kan no Velho Continente e tornando-se representante europeu da escola.

Em 1983, foi promovido a 7º Dan e recebeu o título de Shihan, sendo o primeiro aluno do mestre Seikichi Toguchi a alcançar tal façanha. Criou a organização europeia Shorei-Kan Europe em 1986, assumindo a função de diretor técnico da mesma. Essa associação reúne todos os praticantes de Shorei-Kan da Europa e tem como principal função preservar os ensinamentos das três gerações de mestres do Karatê-Do Goju-Ryu.

Seguindo o método de ensino Shorei-Kan, criou um programa baseado nos mesmos princípios para o ensino do Kobudō de Okinawa.

Segue um breve comentário do mestre Toshio Tamano sobre o Karatê-Do:

“A diferença fundamental entre o Karatê Budō (karatê como arte marcial) e o karatê de competição, ao meu entender, é que este último não tem contato algum com a essência do Budismo Zen, na qual o outro se encontra muito presente no karatê tradicional.

O Karatê-Do Goju-Ryu está enraizado no Budismo Zen; deriva do boxe chinês do templo Shaolin, criado pelos monges dessa religião. Em consequência, o Goju-Ryu herdou o verdadeiro espírito do Zen. O mestre Chojun Miyagi afirmou que a meta do Karatê-Do é a mesma que a do Budismo Zen: alcançar a iluminação espiritual.

Atualmente, o karatê de competição é popular em todo o mundo. Se insistirmos demasiadamente no aspecto esportivo, o espírito do Budō se perderá, e as técnicas da arte marcial serão modificadas, perdendo seu significado real. O público terá uma ideia errada sobre o verdadeiro objetivo dessa arte.

Por essa razão, tenho a convicção pessoal de que todos os karatecas, independentemente do estilo que pratiquem, devem conhecer o Karatê Budō. Sem esse ponto de referência, pouco a pouco, as técnicas e o espírito do Karatê-Do irão se perder, e, no futuro, o Karatê-Do estará reduzido a uma simples prática esportiva de luta.

TERUO CHINEN

O Mestre Teruo Chinen iniciou seus estudos no Karatê-Do em 1951, sob a tutela de Chojun Miyagi. Após a morte de Miyagi, em 8 de outubro de 1953, continuou seu treinamento com Ei’ichi Miyazato.

Em 1969, mudou-se para os Estados Unidos, onde começou a ensinar Goju-Ryu. Fundou a Jundokan International em homenagem ao seu mestre, Ei’ichi Miyazato. Jundokan era o nome de seu dojō, que posteriormente se expandiu para o Canadá e a Europa.

Entre 1973 e 1979, Chinen viajou pela Europa e África do Sul para difundir o karatê. De 1979 a 1986, atuou como consultor técnico da Federação Internacional de Karatê Goju-Ryu de Okinawa (IOGKF), liderada por Morio Higaonna.

Em 1987, Chinen estabeleceu sua própria organização, a Jundokan International, rompendo seus vínculos com a IOGKF. Nesse mesmo ano, colaborou como tradutor no livro "Kata Clássico do Karatê de Okinawa" e ministrou aulas de kata em Vancouver. Por volta de 1988, Miyazato o promoveu ao 7º Dan.

Em 1995, Chinen foi diagnosticado com diabetes, mas continuou a viajar pela Europa e América do Norte, ensinando karatê e liderando a Jundokan International.

Em uma reflexão sobre o futuro do karatê nos EUA, em 1997, ele declarou:

"Espero que as próximas gerações não apenas aprimorem sua técnica, mas também saibam compartilhar seus conhecimentos. As pessoas devem preservar as tradições, não perdê-las. Antigamente, na China e em Okinawa, o ensino era restrito, feito a portas fechadas. Hoje, graças à mídia, o karatê não é mais um segredo. Há mais troca de saberes agora."

Ao longo de sua trajetória, Chinen desenvolveu métodos de treinamento únicos e altamente eficazes. Ele sempre enfatizou:

Seus alunos destacavam seu ensinamento central: viver com "punho firme, mas coração compassivo". Faleceu em 9 de setembro de 2015, deixando um legado de excelência marcial e profundidade filosófica.

MORIO HIGAONNA

Morio Higaonna nasceu em Naha, Okinawa, em 1938. Sua família havia se mudado do sul do Japão antes da invasão americana em 1945 e retornou a Okinawa pouco depois do fim da guerra.

Iniciou seus treinos de karatê aos 14 anos com seu pai, praticando o estilo Shorin-Ryu. Posteriormente, treinou com o mestre Ei’ichi Miyazato, discípulo direto de Chojun Miyagi, fundador do Goju-Ryu.

Em 1960, mudou-se para Tóquio, onde estudou Comércio na Universidade Takushoku. Durante esse período, começou a ensinar karatê-dô no dojo Yoyogi, onde permaneceu por 15 anos antes de retornar a Okinawa. Em 1979, fundou a International Okinawa Goju-Ryu Karate-Do Federation (IOGKF), hoje presente em mais de 30 países.

Uma curiosidade contada pelo Mestre Ei’ichi Miyazato em uma entrevista pouco antes de falecer: As graduações de 8º e 9º Dan do mestre Morio Higaonna foram concedidas por um instrutor com quem ele nunca treinou: Yuchoku Higa, do estilo Shorin Ryu.

Além de sua influência como mestre, Higaonna é autor de diversos livros, entre eles a série "Traditional Karate-Do", que se tornou referência no estudo do karatê tradicional.

TATSUO SHIMABUKO

Master Tatsuo ShimabukuTatsuo Shimabuku nasceu em 1908 com o nome de Shinkichi, que mais tarde abandonou para adotar "Tatsuo", que significa "menino dragão".

Conhecido por seu profundo amor pelas artes marciais e por sua busca incessante por conhecimento, Shimabuku era um tradicionalista que não se limitava à forma ortodoxa do karatê de Okinawa.

Seu primeiro contato com as artes marciais ocorreu ainda na infância, quando foi introduzido ao Shuri-Te por seu tio, Gajoko Choyu. Mais tarde, treinou com o grande mestre Chotoku Kyan, sob cuja tutela estudou por aproximadamente vinte anos, aprendendo os kata Wansu, Kusanku e Chinto, além de ter seu primeiro contato com o kobudô.

Também praticou Naha-Te com Chojun Miyagi, fundador do Goju-Ryu, aprendendo os kata Seiyunchin e Sanchin. Outro mestre fundamental em sua formação foi Choki Motobu, cujo treinamento marcou um divisor de águas no desenvolvimento do Isshin-Ryu. Com Motobu, aprendeu a famosa versão do kata Naihanchi e teve como companheiro de treinos o mestre de Hsing Yi, Tong Gi Siang.

Nessa mesma época, começou a treinar kobudô com Taira Shinken, destacando-se especialmente no manejo do bō (bastão longo).

Por volta de 1940, Shimabuku começou a ensinar sua própria interpretação do karatê, ainda sem um nome oficial, considerada uma fusão entre Shorin-Ryu e Goju-Ryu.

Apesar de sua crescente fama, ele nunca abandonou seu trabalho como agricultor, dividindo seu tempo entre o campo e o dojo. Essa rotina foi interrompida em 7 de dezembro de 1941, com o ataque japonês a Pearl Harbor.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Shimabuku refugiou-se no interior para evitar o recrutamento militar, pois discordava da guerra. Sua reputação como exímio karateca, no entanto, levou o exército japonês a persegui-lo. Após negociações, ele concordou em treinar soldados em troca de permanecer como civil, garantindo sua sobrevivência durante o conflito.

No período pós-guerra, Shimabuku enfrentou dificuldades extremas: estava falido, sem moradia e havia perdido seu pai em um bombardeio americano. Mesmo assim, continuou a ensinar de maneira informal até início dos anos 1950, quando se estabeleceu em um novo dojo na aldeia de Chum.

Em 1954, após uma demonstração pública que atraiu a atenção de soldados americanos, ele formalizou seu estilo, batizando-o de Isshin-Ryu ("Método do Coração") e adotando a Mizugami (deusa dos mares da mitologia okinawense) como símbolo.

Mudou-se para Agena, onde passou a ensinar karatê a militares americanos, levando o Isshin-Ryu aos EUA. O estilo rapidamente se difundiu, especialmente entre fuzileiros navais e soldados da Força Aérea, tornando-se um dos mais tradicionais e influentes do karatê norte-americano.

Tatsuo Shimabuku faleceu em 30 de maio de 1975, aos 67 anos. Diferente de outros mestres, não deixou documentos escritos nem designou um sucessor, pois acreditava que o estilo deveria adaptar-se ao praticante, mantendo-se vivo e mutável.

O Isshin-Ryu foi reconhecido oficialmente em 15 de janeiro de 1954, sintetizando as melhores técnicas que Shimabuku aprendeu ao longo da vida. Conhecido como "Estilo do Mestre", foi aprovado pelos principais karatecas de Okinawa antes de sua oficialização.

Sua filosofia reflete no significado do nome Isshin-Ryu: um método que clareia a consciência, eliminando o desnecessário e focando no caminho verdadeiro — um legado que permanece vivo até hoje.

YOSHIMI INOUE

Yoshimi Inoue nasceu em 28 de setembro de 1946, em Tottori, Japão. Sempre praticou esportes na infância e, ainda muito jovem, deparou-se com um livro que ensinava karatê. Começou a praticá-lo sozinho e apaixonou-se pela arte.

Após formar-se no ensino médio, aos 18 anos, contrariando a expectativa de seus pais (que esperavam que ele se tornasse médico), decidiu procurar o professor mencionado no livro que utilizava para treinar e viajou para Osaka com o objetivo de treinar com o Mestre Teruo Hayashi. Depois de muito esforço e inúmeras tentativas, Soke Teruo Hayashi permitiu que Yoshimi se tornasse seu aluno.

Durante o período em que Hayashi liderava a Seishin-Kai, Yoshimi Inoue era seu único uchi deshi (“discípulo residente”). Em uma entrevista à revista Karate-Do, Soke Inoue descreveu sua rotina:

"Eu limpava o dojô, os banheiros e o escritório, depois treinava até o almoço. Após comer, treinava mais um pouco e, quando os alunos chegavam (por volta das 16h ou 17h), eu os ensinava. Quando terminavam, eu voltava a treinar. Basicamente, treinava o dia todo.

Eu era o único assistente de Hayashi Sensei. Repetíamos os kihon incessantemente, todos os dias. No início, havia muitos iniciantes (faixas-brancas), mas com o tempo, apareceram faixas mais avançadas.

Como ficar sozinho no escritório era entediante, eu também praticava kumite com Hayashi Sensei. Ele tinha cerca de 41 ou 42 anos e estava no auge. Levar um soco forte aos 18 ou 19 anos era assustador! Eu pensava: "Se vou apanhar, é melhor avançar do que recuar... Se for nocauteado, pelo menos acaba logo!" (risos). Mas quando eu caía, ele gritava: "Levanta!!!". Percebi que não adiantava ficar no chão – treinávamos até ele dizer "Yoshi!" (chega).

O dojô tinha dois andares. Certa vez, durante um kumite, fui empurrado até as escadas e precisei recuar degrau por degrau, enquanto Hayashi Sensei continuava me atacando com chutes frenéticos. Nem sei se dava para chamar aquilo de kumite... Era mais uma luta selvagem! (risos) Naquela época, não usávamos luvas. Eu sabia que não tinha chance, mas queria construir um corpo resistente – e foi assim que desenvolvi minha forma física."

Apesar da rigidez nos treinos, Hayashi Sensei era bondoso e exigente com as boas maneiras, nunca batendo em Inoue fora do treino.

Quando seu pai adoeceu, Inoue, que era o filho mais velho, voltou a Tottori e com a permissão de Soke Hayashi, abriu um dojô filial do Hayashi-Ha Shito-Ryu.

Em 1986, ele foi um dos quatro mestres selecionados pelo governo japonês para representar o Shito-Ryu em uma turnê pelos EUA, promovendo o karatê. Em Washington D.C., chegou a dar aulas de defesa pessoal para a esposa do presidente americano.

Em 2005, Yoshimi decidiu desenvolver sua própria instituição, que chamou de Japan Karate-Do Inoue-Ha Shito-Ryu Keishin-Kai.

Ao longo dos anos, além de seu dojô ter formado inúmeros campeões mundiais de diversos estilos, também tornou-se um técnico renomado das seleções nacionais do Japão.

Além de um grande mestre, Soke Yoshimi Inoue era uma pessoa fantástica e dono de uma energia e alegria capazes de contagiar qualquer um ao seu redor. Faleceu em 01 de Maio de 2015.

OSVALDO MESSIAS DE OLIVEIRA

Sensei Osvaldo Messias de Oliveira é uma das figuras mais influentes do karatê brasileiro, especialmente no desenvolvimento e organização do karatê interestilos no país. Nascido em 21 de agosto de 1946, iniciou sua trajetória no karatê em 1963, treinando na academia do Professor Yukio Mishima, em São Paulo. Graduou-se faixa-preta no estilo Shotokan em 1970 e passou a ministrar aulas no City Bank Club no mesmo ano. Como atleta, conquistou títulos de campeão paulistano, paulista e brasileiro.

Sua carreira como árbitro começou em 1972, e em 1986 tornou-se o primeiro árbitro internacional brasileiro no Campeonato Mundial em Sydney, Austrália. Participou de competições em mais de 25 países, incluindo EUA, México, Espanha, Hungria, Austrália, Peru, Chile e Grécia.

Em 1974, colaborou na fundação da FPK (Federação Paulista de Karatê), sendo o sócio nº 0002. Em janeiro de 1993, fundou a FPKI (Federação Paulista de Karatê Interestilos), onde é sócio nº 0001 e atual Diretor Administrativo. Em março de 1994, ajudou a criar a CKIB (Confederação de Karatê Interestilos do Brasil), assumindo como Vice-Presidente (sócio nº 0001).

Após deixar a CKIB em 1995, fundou a IKO (International Karate-Do Organization) em 09 de Dezembro daquele mesmo ano, sendo eleito Presidente. Em Maio de 1996, estabeleceu a CBKI (Confederação Brasileira de Karatê Interestilos), presente em 26 estados brasileiros.

Em Julho desse mesmo ano, lança o livro “KARATÊ INTERESTILOS – Regras I.K.O. International Karatê-Dô – Organizations – KATA E KUMITÊ”, pela Editora Século XX.

Em 1997, foi eleito Presidente da WKIF (World Karate Do Interstyles Federation) e da CBKI. No mesmo ano, organizou um campeonato que entrou para o Guinness Book of Records, com 1.985 atletas participantes.

Promovido ao 8º Dan em 1999, em reconhecimento aos seus serviços prestados ao Karatê, continuou a liderar delegações brasileiras em mundiais como Aberdeen (Escócia, 2001), Novi Sad (Iugoslávia, 2002) e St. Petersburg (Rússia, 2003), além de eventos na Alemanha e outros países.

Em 2005, participou da fundação da WUKO (World Union of Karate Organization) em Roma, Itália, sendo membro fundador. Nesse mesmo ano, organizou o Campeonato Mundial da WUKO em Fortaleza, com 38 países, e foi eleito seu primeiro Presidente. Também fundou a UPKI (Unión Peruana de Karate Interestilos) no Peru e organizou o maior Campeonato Brasileiro da história, com 1.832 atletas.

Entre 2006 e 2007, dirigiu e organizou competições internacionais na Nova Zelândia, Áustria, Brasil, Índia, Espanha, Ucrânia, Itália e África do Sul.

Reeleito Presidente da WUKF (anteriormente WUKO) em 2009, em Odessa (Ucrânia), por unanimidade (54 votos a 0), Osvaldo Messias de Oliveira segue como uma das maiores referências do Karatê mundial. (Foto ao lado: demonstração em 1976)

GOJU-RYU

Chojun Miyagi (1888-1953) – Goju Ryu Karate Do Ho Ei JukuGoju-ryu – Wikipédia, a enciclopédia livreO Goju-Ryu (剛柔流), que significa literalmente "Estilo Rígido e Suave", é um dos estilos tradicionais do karate de Okinawa e posteriormente japonês, desenvolvido principalmente em Okinawa no início do século XX. Seu criador foi Chojun Miyagi (1888–1953), um dos maiores nomes da história do karatê.

A formação do Goju-Ryu tem raízes profundas no Naha-te, um dos três estilos principais praticados em Okinawa (além do Shuri-te e Tomari-te). O Naha-te era influenciado por técnicas de combate chinesas, especialmente do sul da China (como o estilo da garça branca e o estilo da mão de monge).

Miyagi foi discípulo de Kanryo Higaonna, que estudou artes marciais na China e introduziu métodos chineses em Okinawa. Após a morte de Higaonna em 1916, Miyagi até a China para aprofundar seu conhecimento. Ao retornar, combinou os princípios duros (go) e suaves (ju) das artes marciais em um sistema coerente, dando origem ao Goju-Ryu, oficialmente nomeado em 1930.

Em 1933, o estilo foi reconhecido pelo Dai Nippon Butokukai, tornando-se um dos primeiros estilos de karatê formalmente aceitos no Japão.

O Goju-Ryu é conhecido por sua combinação equilibrada de técnicas duras e suaves, o que se reflete tanto nos movimentos quanto na filosofia do estilo:

Além de Chojun Miyagi, vários outros mestres desempenharam papéis essenciais na preservação e difusão do estilo:

Com o tempo, o Goju-Ryu ramificou-se em diversas escolas e federações, cada uma com pequenas variações técnicas e metodológicas:

O nome Goju-Ryu reflete a dualidade presente na natureza e na vida: força e suavidade, rigidez e flexibilidade, ataque e defesa, controle e explosão. A filosofia do estilo busca o equilíbrio entre o corpo e a mente, com ênfase no autocontrole, respeito e evolução pe ssoal.

O Goju-Ryu é um estilo profundo e completo, que mantém vivas as raízes chinesas do karatê de Okinawa enquanto desenvolve um sistema de combate eficaz, filosófico e tradicional. Sua influência é global, com milhares de praticantes em todo o mundo, unidos pelo espírito de busca contínua pela perfeição física, mental e espiritual.

ANALISANDO OS KANJIS "GO" e "JU"

O kanji 剛 (GO) “forte”, “duro”, “rígido”, “resistente” é composto por dois elementos principais:

Interpretação simbólica do kanji

A montanha/colina 岡 simboliza algo grande, firme, estável, ou seja, resistência física e estabilidade;

A espada 刀 representa força bruta, poder ofensivo, decisão e corte direto.

Juntos, esses elementos formam a ideia de "força firme" ou "dureza controlada", algo forte como uma rocha, mas preciso como uma lâmina.

O kanji 柔 (JU), usado em palavras como Goju Ryu (剛柔流) e Judo (柔道) é cheio de significado visual. A estrutura desse kanji é composta por duas partes: (hoko) e (ki).

Este kanji é um pictograma antigo e sua forma evoluiu com o tempo. Originalmente, ele representava uma haste longa com uma ponta afiada, como uma lança usada em guerra e a parte de cima simbolizava a ponta da arma, e a parte de baixo, o cabo. Mas com o tempo, os traços foram estilizados e perderam um pouco da semelhança direta com o objeto real.

Curiosidade

O kanji 矛 também aparece na palavra 矛盾 (mujun), que significa “contradição”. Literalmente "lança e escudo" vem de uma fábula chinesa sobre um homem que dizia ter uma lança que podia perfurar qualquer escudo e um escudo que podia bloquear qualquer lança. Uma contradição total — daí o uso metafórico.

No contexto do kanji 柔, o uso da "lança" com a "árvore" representa, de forma mais simbólica, a força sendo suavizada ou domada, como se fosse uma arma que se curva ou se adapta, transmitindo a ideia de flexibilidade controlando a rigidez, ou seja, a capacidade de se adaptar e ceder sem quebrar, como um galho que se dobra com o vento.

A ideia é que força verdadeira também inclui flexibilidade e adaptação, não apenas rigidez. Por isso, no Goju Ryu, o "JU" refere-se a técnicas suaves, circulares e de redirecionamento de força — em contraste com o "GO" 剛, que representa a força dura e direta. É um belo conceito visual e filosófico: a suavidade vence a dureza ao se adaptar.

Essa é justamente a essência do estilo Goju Ryu: a união equilibrada do rígido com o suave .

KATA GOJU-RYU (GOJU-KAI)

KAISHUU KATA – Katas clássicos trazidos da China pelos primeiros mestres.

KIHON KATA – Kata de origem chinesa. A diferença é que não trabalha técnicas de combate, mas sim o controle da respiração e a energia interna.

HEISHUU KATA – Não trabalha técnicas de combate, mas sim o controle da respiração e a energia do corpo. Foi criado por Chojun Miyagi, baseando-se no kata Rokkishu.

TAIKYOKU KATA – Katas básicos criados por Gogen Yamaguchi, visando facilitar o aprendizado dos katas mais avançados pelos iniciantes. “Taikyoku” significa "primeiro curso".

FUKYU KATA – Katas básicos, criados por Chojun Miyagi e Seikichi Toguchi, para o treinamento dos alunos iniciantes.

SANSHU KATA Katas para treinamento criados pelo Saiko Shihan Goshi Yamaguchi. Assim como SANCHIN e TENSHO, esses 4 katas têm o objetivo de contribuir para o treinamento do Karate-do Goju-Ryu. Embora consistam em movimentos simples, o praticante pode obter uma compreensão mais profunda do conceito dos movimentos de defesa (uke), usando movimentos circulares característicos do Goju-ryu e o conceito dos movimentos de contra-ataque (gaeshi).

Estes katas são apenas para fins de treinamento e não podem ser usados em competição. São eles:

TOKUTEI KATA – “Katas Exclusivos” (特定型). São katas proibidos de serem executados em campeonatos e por karatecas abaixo do 5º Dan. São demonstrados apenas em cerimônias especiais. São eles: Genkaku, Chikaku, Tenryu e Koryu. Foram criados por Goshi Yamaguchi, Saiko Shihan da International Karate-do Goju-Kai Association (IKGA), com a orientação e aprovação de seu pai, Gogen Yamaguchi, fundador do Goju-Kai, com o intuito de serem ensinados apenas aos instrutores de alto nível (Shihan) dentro da IKGA. Eles não são utilizados em competições, mas sim como formas avançadas de treinamento e expressão técnica e filosófica do Estilo Goju Ryu.

Cada um possui um significado simbólico:

Esses nomes refletem elementos da filosofia oriental como céu, terra, escuridão e luz, e representam a integração dos aspectos físicos e espirituais no treinamento do karatê.

Portanto, embora Gogen Yamaguchi tenha sido o mentor e aprovador desses katas, a criação e desenvolvimento foram realizados por Goshi Yamaguchi, consolidando-os como parte do legado da família Yamaguchi na Goju-Kai.

KATA GOJU-RYU - ORIGENS E SIGNIFICADOS

Os Princípios Secretos do Goju-Ryu (Gokui) nos Katas. O kata é a manifestação real da técnica, que pode ser transformada a qualquer instante. Nele, a essência do Karate-Do assume uma forma definida. Abaixo, os katas do estilo Goju-Ryu e seus significados:

Significado: "Três Batalhas" (corpo, alma e espírito). Desenvolve a musculatura, a respiração e a postura. Era o primeiro kata ensinado por Chojun Miyagi, e seu treinamento durava até três anos antes de se aprender outro.

Simboliza o Go (剛, forte) – a manifestação externa do poder interior. Sua prática exige controle absoluto, harmonia e ausência de pensamentos dispersos. Fortalece a técnica respiratória (ibuki), a força física e o espírito do Karate-Do.

Significado: "Mãos Flutuantes" ou "Mãos que Giram". Representa o Ju (柔, suave), com movimentos fluidos, semelhantes ao bater de asas de um pássaro. Se Sanchin é Ritsurei (postura ereta), Tensho é Zazen (meditação sentada).

Desenvolve o Ki (energia interna) e a harmonia entre corpo e espírito. Criado por Chojun Miyagi, baseado no kata chinês Rokkishu.

Significado: "Demolidor" ou "Destruidor". Foca em sequências diretas de socos, cotoveladas e chutes potentes. Criados por Miyagi para introduzir alunos aos princípios do combate.

Significado: "Quebrar e Rasgar" ou "Esmagar e Derrotar". Esse kata enfatiza movimentos rápidos, explosivos e técnicas de agarramento e arremesso, simbolizando o ato de quebrar a defesa do oponente e finalizar o confronto rapidamente. É um dos primeiros katas intermediários ensinados no Goju-Ryu. De origem chinesa, foi trazido à Okinawa por Kanryo Higaonna. Originalmente era pronunciado "Saiha", mas foi adaptado para "Saifa", em Okinawa.

Significado: "Controlar e puxar para dentro no combate" ou "Manter a calma em meio à tempestade". O kata Seienchin (também escrito Seiyunchin) é um dos katas tradicionais do karate Goju-Ryu, com raízes no estilo Naha-te de Okinawa. Possui raízes no Hsing Yi (sistema interno chinês). Não possui chutes, apenas técnicas de mãos. Ele é considerado um kata de nível intermediário/avançado, muito rico em aspectos técnicos e filosóficos. Acredita-se que tenha vindo do kung fu chinês, principalmente do estilo White Crane. Foi incorporado ao Goju-Ryu por Chojun Miyagi e também aparece em outros estilos como o Shito-Ryu.

Significado: "36" (6 × 6). Refere-se aos 36 pontos de combate da tradição chinesa, baseados na teoria dos seis órgãos yin e seis yang, multiplicados por 3 formas internas e 3 externas. Essas 3 formas internas e 3 formas externas vêm do conceito taoísta de equilíbrio entre corpo, mente e energia. São elas:

3 Formas Internas (內三合 – Nei San He):

1. Coração e Intenção (心與意合 – Xin yu Yi He):

→ A mente e o coração devem estar alinhados com a intenção.

2. Intenção e Energia (意與氣合 – Yi yu Qi He):

→ A intenção guia o fluxo de energia (ki/qi).

3. Energia e Força (氣與力合 – Qi yu Li He):

→ A energia deve se converter em força física de forma harmoniosa.

3 Formas Externas (外三合 – Wai San He):

1. Mãos e Pés em Coordenação (手與足合 – Shou yu Zu He):

→ Coordenação precisa entre membros superiores e inferiores.

2. Cotovelos e Joelhos em Alinhamento (肘與膝合 – Zhou yu Xi He):

→ Conexão entre articulações centrais para gerar poder.

3. Ombros e Quadris em Harmonia (肩與胯合 – Jian yu Kua He):

→ Movimento integrado entre parte superior e inferior do tronco.

Sanseiru deriva do kempo chinês da escola Bai He Quan (Estilo da Garça Branca) e foi trazido a Okinawa por Kanryo Higaonna. É um kata avançado que exige precisão, controle de respiração, e domínio de posturas como shiko-dachi e sanchin-dachi. Além do Goju Ryu, também é praticado pelos estilos Uechi Ryu e Shito Ryu.

Significado: “13”. O significado exato de “Treze” é debatido, mas pode se referir a: “13 Posturas”, “13 Técnicas”, “13 Inimigos”. É originário do sul da China, provavelmente da escola do monge budista chinês Ru Ru Ko, com raízes no Kung Fu da região de Fujian. Foi passado à Kanryo Higaonna, mestre de Chojun Miyagi e fundador do Goju-Ryu. É considerado um kata fundamental do Goju-Ryu e um dos mais antigos preservados em Okinawa. Combina movimentos lentos e fortes com rápidos e explosivos. Seisan é visto como um kata de maturidade técnica, com profundidade simbólica e aplicação prática direta.

Significado: "Combate nas Quatro Direções". Kata chinês aprendido por Kanryo Higaonna com o mestre Lew Lyu Ko. Era o kata preferido de Chojun Miyagi. Combina movimentos suaves (Ju) com movimentos fortes (Go) — essência do Goju-Ryu. Foca em combate a curta distância (clinch ou corpo a corpo). Inclui várias técnicas de mão aberta, bloqueios circulares, torções, projeções curtas e ataques rápidos e diretos. Trabalha bastante a estabilidade, respiração controlada e uso do quadril.

Significado: "18". O número 18 pode representar o 6 × 3, ou seja, a combinação simbólica das 6 direções: norte, sul, leste, oeste, cima e baixo com o 3 representando corpo, mente e espírito. Provém do Hakku Ken (punho da garça branca), uma arte marcial do sul da China. Foi aprendido por Kanryo Higaonna na China e depois ensinado a Chojun Miyagi, que o adaptou para o Goju-Ryu. O próprio Chojun Miyagi refinou o kata dentro da visão Goju de "duro e suave".

Apresenta uma mistura de técnicas rápidas com movimentos circulares e torções além de conter defesas contra agarrões. Possui projeções e contra-ataques curtos e diretos. Trabalha muito a mobilidade de quadril, a rotação de tronco, o equilíbrio e transições entre força e suavidade.

É um kata avançado que contem técnicas ocultas para confundir o adversário. É uma evolução do kata Seisan e por esse motivo normalmente é ensinado após o aprendizado e domínio do Seisan.

Seipai exige maturidade técnica e mental. Sua execução deve demonstrar controle, fluidez e intenção marcial. É como um “diálogo” entre suavidade fluida e força explosiva. Ideal para refinar a aplicação do Goju-Ryu.

Significado: Kururu (parar, manter) + Un (repentino) + Fa (quebrar, atacar ou explodir) → "Parar subitamente e atacar com força". O nome já revela a dinâmica do kata: pausas e explosões rápidas.

Assim como outros katas do Gōjū-ryū, foi trazido da China por Kanryo Higaonna. Tem base no estilo Bai He Quan (Garça Branca) do sul da China. Chōjun Miyagi manteve o Kururunfa por sua riqueza técnica e valor combativo.

É considerado um kata muito útil para defesa pessoal, por ter movimentos práticos e compactos. Considerado um kata de maturidade técnica, onde o aluno começa a expressar controle total entre tensão e relaxamento

Significado: "108" (3 × 36). O 3 representa: bem, mal e paz. O 36 (6 × 6) remete aos mesmos princípios do Sanseiru. No budismo, 108 simboliza as 108 paixões humanas a serem superadas.

Lenda: No século XVII, um grupo de 108 guerreiros (similar a Robin Hood) praticava artes marciais. Um deles ensinou suas técnicas na escola Lui-Qia-Quan, onde Higaonna mais tarde estudou. O kata homenageia esses guerreiros e sua busca por justiça e iluminação.

Os katas do Goju-Ryu não são apenas sequências de movimentos, mas ensinamentos codificados que unem técnica, filosofia e energia (Ki). Cada um carrega história, simbolismo e aplicações práticas, refletindo a profundidade do Karate-Do como arte marcial e caminho de vida.

KATAS DE OUTROS ESTILOS

Também escrito Ananku, é tradicionalmente praticado em estilos como Shito-Ryu e Shorin-Ryu, embora sua origem seja um pouco distinta de outros katas clássicos de Okinawa.

Acredita-se que Ananko tenha sido criado ou introduzido em Okinawa por Chotoku Kyan (1870–1945), um dos grandes mestres do karatê de Okinawa. Ele teria aprendido ou desenvolvido o kata após uma viagem à ilha de Taiwan (na época Formosa), de onde pode ter vindo a inspiração ou elementos técnicos. Não é um kata encontrado nos estilos chineses clássicos, o que reforça a ideia de que é uma criação original ou uma adaptação okinawana.

Ananko pode ser traduzido como: "Luz do Sul Pacífico" ou "Paz do Sul".

O termo “Anan” pode se referir ao antigo nome vietnamita para a região central do Vietnã, o que reforça a ligação com a Ásia continental. O "Ku" (空) pode significar "vazio", comum nos nomes de katas, remetendo ao “karate” (mãos vazias).

Características do kata:

Significado: "Invadir a Fortaleza". Representa impetuosidade, espírito forte e força exuberante, como se o praticante estivesse conquistando uma fortaleza inimiga. Contém bloqueios dinâmicos e mudanças rápidas de posição, simbolizando a capacidade de transformar desvantagens em vantagens.

Linha de atuação: Forma de "T".

Número de movimentos: 42.

Introduzido no Karate-Do por Chotoku Kyan.

Significado: "Mãos incomuns". Inclui técnicas circulares e pouco convencionais, com foco em defesas sutis e contra-ataques precisos. Uma das características desse kata são os 3 pulos dados no final. Algumas teorias sugerem que esses 3 pulos foram adicionados na transição do kata para o Shotokan, apenas para que o praticante retorne ao ponto inicial (respeitando o embusen). Outra teoria sugere que quem o aprendeu não o fez por completo deixando de aprender a parte final e por isso dos 3 pulos, para o kata terminar no local correto.

Significado: "Lutador do Leste" ou "Paz no Leste". É um kata praticado em vários estilos de karatê, especialmente Shōtōkan, Shitō-ryū, Shūrin-ryū e Matsubayashi-ryū. Esse kata tem origem no karatê de Okinawa. Acredita-se que foi ensinado por um marinheiro ou guerreiro chinês chamado Chintō (ou Annan, em algumas versões), que teria naufragado em Okinawa no século XIX. Esse homem teria impressionado os locais com sua técnica de luta. O mestre Sōkon Matsumura (um dos fundadores do karatê em Okinawa) aprendeu com ele e desenvolveu o kata. No Shōtōkan, Gichin Funakoshi renomeou o kata para Gankaku (岩鶴), que significa “A Garça Pousada na Pedra”, e alterou alguns movimentos para se adequar ao estilo mais linear e formal do Shōtōkan.

Significado: "O Voo da Andorinha". Caracteriza-se por movimentos rápidos, saltos e mudanças de altura, imitando a agilidade da andorinha. Excelente para treinar transições corporais e inversão de posições.

Linha de atuação: Forma de "T". Número de movimentos: 37.

Significado: "A Garça Pousada na Pedra" e foi inspirado no equilíbrio de uma garça (tsuru) sobre uma perna. Desenvolve chutes laterais (yoko-geri) e equilíbrio dinâmico. Anteriormente esse kata se chamava Chinto (鎮東) e Gichin Funakoshi o renomeou para Gankaku (岩鶴) e alterou alguns movimentos para se adequar ao estilo mais linear e formal do Shōtōkan.

Significado: "54 Passos". Kata avançado com sequências complexas e mudanças de ritmo. Ele é praticado principalmente em estilos como Shotokan, Shito-Ryu e outros, mas não faz parte do currículo tradicional do Goju-Ryu, embora alguns mestres possam incluí-lo em treinamentos mais amplos ou em fusões de estilos.

Origem: Tem raízes no estilo Shōrin-ryū de Okinawa e é considerado de influência chinesa, com traços de artes marciais da escola do sul da China.

Significado: "Meia-Lua". Movimentos semicirculares coordenados com a respiração profunda (ibuki). Combina técnicas lentas e explosivas, com ênfase em deslizamentos (yori-ashi).

Linha de atuação: Forma de cruz (+).

Número de movimentos: 41.

Significado: "Paz e Tranquilidade" (originalmente Pinan, termo chinês). Criados por Yasutsune Itosu como uma simplificação de katas antigos para iniciantes. Ensinam técnicas fundamentais de defesa pessoal e preparam para os katas avançados.

Objetivo: Desenvolver técnica básica, postura e espírito calmo.

Significado: “108 passos” (é uma leitura alternativa do kata Suparinpei, originário do estilo Goju-Ryu).

Trata-se de uma versão adaptada e introduzida no Japão continental, especialmente através do estilo Shito-Ryu, por Kenwa Mabuni, que fez ajustes técnicos e de interpretação.

Significado: "Sombra da compaixão". Kata raro que tem uma origem envolta em certo mistério, com movimentos fluidos e circulares. É um kata clássico de Okinawa, provavelmente vindo da linhagem Tomari-te, uma das três principais escolas de karatê pré-modernas de Okinawa. Seu nome é semelhante a outros dois katas: Jion e Jitte, sugerindo que os três podem ter origens ou influências comuns. Alguns estudiosos acreditam que Jiin tenha vindo do mesmo templo chinês budista que inspirou Jion (cujo nome significa “amor e bondade do templo”), mas o significado de Jiin é mais enigmático. Jiin é escrito com os kanji (ji - compaixão) e (in - sombra, oculto). Assim, uma possível tradução seria “sombra da compaixão” ou “compaixão oculta” — o que carrega um tom mais simbólico e espiritual. Possui movimentos semelhantes aos de Jion e Jitte, mas com trajetória própria e detalhes técnicos únicos. A execução enfatiza transições suaves, mudança de direção precisa e o uso de defesas e contra-ataques diretos. Tem um início característico com as mãos formando um gesto que parece uma reverência ou saudação

Significado: "Som da Benevolência". Acredita-se que o nome tenha conexão com o templo Jion-ji, um mosteiro budista, sugerindo que o kata possa ter origens espirituais ou monásticas. Provavelmente foi trazido da China para Okinawa, ou desenvolvido com forte influência do kenpō chinês, depois sistematizado em Okinawa. Possui movimentos calmos, mas com espírito combativo. Ideal para treinar transições e giros. é um dos katas clássicos e tradicionais mais importantes do karatê, especialmente em estilos como Shōtōkan, Shitō-ryū, Wadō-ryū e Shūrin-ryū. Ele tem um ar de solenidade, poder e tradição. A sequência começa com a tradicional saudação (rei) com a mão esquerda cobrindo o punho direito (gesto simbólico de respeito e autocontrole).

Jion faz parte da chamada trilogia de katas “Ji” no Shōtōkan: Jion, Jitte e Jiin. Há teorias de que foram desenvolvidos no mesmo contexto ou por um mesmo grupo/linha.

Significado: "Dez Mãos" (habilidade de dez homens em um). Foca em defesas contra bastões (bo) e uso eficiente dos quadris. Posturas firmes e pesadas, com movimentos poderosos.

Significado: “16”. O número 16 representa uma estrutura ou ideia simbólica, mas também pode simplesmente referir-se ao número de técnicas ou etapas do kata. Acredita-se que tenha sido criado por Seiken Shukumine ou Chojun Miyagi, dependendo da linhagem e tradição. É um dos kata dos estilo Shito-Ryu. O nome "Jūroku" pode indicar 16 movimentos principais, embora essa contagem possa variar por interpretação. Caracteriza-se por movimentos curtos, rápidos e diretos. Combina técnicas de defesa e ataque com transições de energia fluida para forte. Trabalha respiração, postura e explosão de energia (kime).

Significado: "Olhar para o Céu" (originalmente Kushanku, em homenagem ao mestre chinês Kwang Shang Fu). Primeiro movimento: Mãos levantadas, olhando para o céu (símbolo de consciência ampla). Combina técnicas rápidas, lentas, saltos e agachamentos. Possui uma linha de atuação em forma de "I" alongado e o número de movimentos é 65.

Significado: "Vento nos Pinheiros" Matsu () = pinheiro e Kaze () = vento. É praticado principalmente no Shito-Ryu, mas também pode aparecer em variantes do Shorin-Ryu e outros estilos que absorveram influências de mestres de Okinawa. Sua origem exata é incerta, mas Matsukaze não faz parte da linha tradicional dos katas de Naha-te (como os do Goju-Ryu) ou Tomari-te, sendo associado ao Shito-Ryu, que combina várias tradições. Provavelmente foi desenvolvido ou sistematizado por Kenwa Mabuni, fundador do Shito-Ryu, como forma de integrar diferentes técnicas de várias escolas. Evoca a ideia de tranquilidade com força interior.

No Japão, o som do vento entre os pinheiros é símbolo de paz, espírito marcial calmo e vigilância silenciosa. Mistura movimentos fluidos e fortes com explosões de energia. Combina bases como zenkutsu dachi (base frontal) e kiba dachi (base do cavaleiro). Uso marcante de tsuki (socos), uke (defesas) e geris (chutes) bem definidos.

Apresenta deslocamentos angulados e defesas de contra-ataque, indicando estratégia defensiva com resposta imediata. Requer controle de respiração, postura forte, e ritmo preciso. É um kata intermediário para avançado frequentemente é usado competições e em exames de graduação.

Significado: "Espelho da Alma". Kata misterioso, associado à lenda de Amaterasu (deusa do sol no xintoísmo). Simboliza autoconhecimento e clareza mental.

Significado: "24 Passos". Também conhecido como “Niseishi” (pronúncia de Okinawa), especialmente em Shito-Ryu e escolas de Okinawa. De origem chinesa, acredita-se que tenha vindo do sistema White Crane do sul da China. Foi adaptado e passado adiante por mestres como Anko Itosu e Kenwa Mabuni. Gichin Funakoshi introduziu o kata no Shotokan, mudando o nome de Niseishi para Nijushiho, usando leitura sino-japonesa. Ênfase em transições suaves e técnicas circulares. Apesar de seu significado ser "24 passos", o número não é literal, representa fases ou ideias, não exatamente 24 movimentos.

Significado: “28 passos”. Deriva da pronúncia chinesa do número 28 (Er Shi Ba Bu) e que foi adaptada foneticamente para o japonês como (Ni Pai Po). Tem raízes no estilo Kung Fu da Família Pan (originário do sul da China), transmitido para Okinawa e absorvido por Norisato Nakaima, fundador da linhagem Ryuei-Ryu. Mais tarde, o mestre Kenwa Mabuni (fundador do Shito-Ryu), que estudou com descendentes da família Nakaima, adaptou o kata para o currículo do Shito-Ryu, tornando-o uma ponte entre o karatê e suas origens chinesas.

Além do valor numérico, o nome pode também carregar simbolismo ligado ao misticismo oriental, com o número 28 representando ciclos lunares ou fases da natureza. Possui movimentos circulares e fluídos e com clara inspiração chinesa. Ênfase em controle de respiração, transições suaves e mudanças de ritmo. Inclui movimentos defensivos sofisticados, muitas vezes com aplicação em duplo bloqueio ou defesa com redirecionamento. A execução exige precisão técnica, foco mental e expressão corporal refinada. Apesar da fluidez, possui momentos de explosividade controlada, que exigem domínio de energia interna (ki) e respiração (ibuki).

No Shito-Ryu, Nipaipo é considerado um kata intermediário para avançado, muitas vezes ensinado a praticantes que já dominam os Heian/Pinan e outros katas básicos. Serve como introdução à estética chinesa do movimento, que contrasta com os katas mais rígidos e lineares de Okinawa.

Significado: “Garça Branca”. É um kata bastante antigo e misterioso, de origem chinesa, e está fortemente ligado à influência do Kung Fu da Garça Branca de Fujian no Karate de Okinawa.

Resumo do significado e história:

"Paiho" é uma leitura chinesa/okinawana do mesmo ideograma de Hakutsuru. Não pertence originalmente ao Goju-Ryu, Shotokan ou Shito-Ryu, mas inspirou partes deles. O kata teria sido preservado por linhas tradicionais e algumas escolas como a Ryuei-Ryu mantiveram-no vivo. Simula o comportamento de uma garça — asas batendo (braços ondulantes), bicos rápidos (golpes secos com os dedos), leveza, equilíbrio em uma perna (como a garça pousada). Tudo com muita fluidez e controle respiratório. Está presente principalmente no Shito-Ryu e, em menor grau, no Ryuei-Ryu. Tem influência direta das artes marciais chinesas, especialmente dos estilos do sul da China.

Paiho reflete movimentos mais circulares, suaves e fluídos, misturando firmeza e suavidade (características do Ryuei-Ryu). Mistura suavidade e explosão, leveza e firmeza, uma assinatura das escolas influenciadas pelo estilo do sul da China. É um kata raro, com significado espiritual e técnico. Muitos o consideram uma ponte entre o Kung Fu chinês e o Karate moderno. Kenwa Mabuni incorporou o Paiho ao currículo do Shito-Ryu, com ajustes técnicos ao estilo japonês.

Significado: "Postura da Garça". Esse kata tem uma história interessante, com variações entre estilos de karatê.

(Rō) = garça (tipo de ave elegante e serena)

(Hai) = estilo, forma ou placa

Vem do estilo Tomari-te. Atribuído ao mestre Kosaku Matsumora, famoso praticante de Tomari-te no século XIX. Foi levado ao Japão e adaptado por mestres como Anko Itosu, que criou três versões chamadas Rōhai Shodan, Nidan e Sandan. O estilo Shotokan possui três versões (Rōhai Shodan, Nidan e Sandan), todas criadas por Itosu. O Shito-Ryu preserva a versão mais próxima da original do Tomari-te e o Wado-Ryu adota uma versão mais fluida, com ênfase em esquivas. O kata possui movimentos elegantes e precisos, semelhantes ao Gankaku e muitas vezes visto como um exercício de controle interno e serenidade, imitando o comportamento de uma garça que observa em silêncio antes de atacar com precisão.

Significado: “Dragão Azul”. O Dragão Azul simboliza força, nobreza, proteção e crescimento espiritual, associado ao elemento madeira e à direção leste. Possui movimentos poderosos e precisos, com ênfase em técnicas frontais e anguladas. Expressa força contida e explosividade, representando o espírito do dragão: calmo, mas letal quando necessário. Considerado um kata avançado é praticado por alunos graduados do Shito-Ryu.

Significado: "Calma poderosa", "Força serena" ou "Tranquilidade firme". Reflete a ideia de manter estabilidade emocional e física em meio à adversidade, algo essencial no budô. A origem mais aceita é que Sochin veio do estilo Shuri-te ou possivelmente do Tomari-te, e foi introduzido no Shotokan por Gichin Funakoshi, sendo depois modificado por seu filho, Yoshitaka Funakoshi.

Significado: "Cavaleiro de Ferro" (postura kiba-dachi, como montar a cavalo). Foca em luta em espaço restrito e deslocamentos laterais.

Significado: "Defesa Contra a Nuvem" (estilo do Dragão). Técnicas complexas e fluídas, como nuvens se movendo. Simboliza a capacidade de vencer múltiplos oponentes.

Significado: "Coroa Real". Kata curto, porém técnicamente denso, com movimentos precisos e rápidos. Em alguns estilos de Okinawa, é chamado também de “Matsukaze” (brisa do pinheiro). Foi preservado e adaptado por mestres como Ankichi Arakaki e depois passado para estilos como Shito-Ryu por Kenwa Mabuni. É um kata curto e direto, mas com alto nível técnico, exigindo explosividade, fluidez e precisão.

Cada kata, independentemente do estilo, carrega técnicas, filosofia e histórias únicas e todos refletem a riqueza do Karate-Do como arte marcial.

OUTROS ESTILOS DE KARATE-DO

Existem atualmente mais de cem estilos de Karate no mundo, cada um com suas particularidades técnicas e filosóficas. Muitos foram criados por mestres que adaptaram os conhecimentos adquiridos de seus professores, resultando em uma diversidade de escolas. Abaixo, os principais estilos reconhecidos mundialmente:

Fundador: Hironori Ohtsuka (1892–1982).

Características: Único estilo considerado verdadeiramente japonês (não okinawano).Combina Karate-Do (aprendido com Gichin Funakoshi, Choki Motobu e Kenwa Mabuni) com Jiu-Jitsu (Shindo Yoshin Ryu) e Aikido (sob Morihei Ueshiba). Ênfase em posições altas, movimentos rápidos e esquivas, voltado para competição. Ohtsuka abandonou a medicina para dedicar-se exclusivamente ao Karate, recebendo o título de Renshi em 1942. Seu filho, Hironori Ohtsuka II, assumiu o estilo após sua morte.

Fundador: Tsuyoshi Chitose (1898–1984), também médico.

Influências: Discípulo de Yasutsune Azato, Choki Motobu, Chotoku Kyan e Chojun Miyagi.

Destaque: Combina elementos do Shorin-Ryu e Goju-Ryu.

Fundador: Kenwa Mabuni (1889–1957), descendente do samurai Onigusuki.

Origem: Nome derivado dos kanjis de seus dois mestres:

"Shi" (Itosu, de Shuri-Te) e "To" (Higaonna, de Naha-Te).

Características:

Mistura técnicas lineares (Shuri-Te) e movimentos circulares (Naha-Te).

Mabuni introduziu o Karate em Osaka, ensinando na universidade e na polícia.

Inclui práticas de Kobudo (armas) aprendidas com Aragaki e Sakumoto.

Fundador: Kanken Toyama (1888–1966).

Base: Discípulo de Kentsu Yabu, com influências do Shorin-Ryu.

Curiosidade: Toyama foi mestre de Seitoku Higa, importante divulgador do Karate no Japão.

Fundador: Kanbun Uechi (1877–1949), da aristocracia okinawana.

Origem: Treinou na China (Fujian) sob Tcheou Tseu-Ho, mestre da escola Pangai-Noon.

História: Abandonou o ensino por 17 anos após um aluno seu matar um oponente em uma luta.

Retomou em 1927 como Pangai-Noon Ryu, renomeando para Uechi-Ryu em 1940.

Destaque: Técnicas de condicionamento corporal e respiração dura (ibuki).

Fundador: Chojiro Tani (1921–1998), aluno de Kenwa Mabuni.

Foco: Eficiência em competição, com movimentos rápidos e potentes.

Origem: Nome inspirado no Templo Shaolin (pronúncia japonesa: "Shorin").

Fundador: Sokon Matsumura, mestre de Yasutsune Itosu.

ShorinRyu (Shaolin). Foi o primeiro sistema chamado formalmente de “Shorin Ryu” por Sochin Chibana em 1928.

Yasutsune Itosu através de seu aluno Chotoku Kyan.

fundado em 1947 em Okinawa por Shoshin Nagamine. Nasceu no dia 15 de Julho d e 1907. Foi presidente All Okinawan Karatê-do Association e da Sekai Shorin Ryu Karatê-do Renmei (Federação Mundial de Karatê-do Shorin Ryu Mundial de Karatê-do Shorin Ryu). Foi o criador do 1º dos três Fukyugata. Faleceu em 1997.

Características: Kata rápidos e fluidos, com ênfase em velocidade e agilidade.

Fundador: Yoshinao Nanbu (1943–2020), ex-praticante de Shito-Ryu e Shukokai.

Inovação: Desenvolveu técnicas circulares e adaptáveis para competição.

Ryuei Ryu — PNW Ryuei Ryu Ryuhou KanEste Estilo de karatê foi introduzido em Okinawa entre 1870 e 880 por Norisato Nakaima. Nasceu numa rica família em Kume, Naha. Nakaima era um bom aluno e aos 19 anos de idade foi para Fuchou, na China, par a estudos mais avançados nas Artes Marciais. Aceitou a dura disciplina imposta naquela época e depois de cinco ou seis anos de treinamento recebeu o certificado de Mestre. Nakaima também viajou para Fukien, Canton e Pequin (a fim de aumentar sua experiência nas Artes Marciais) onde coletou um número diverso de armas para trazer consigo.

Cada estilo de Karate-Do reflete a visão de seu fundador, combinando técnicas tradicionais com inovações. Desde o Wado-Ryu (japonês) até o Uechi-Ryu (de raízes chinesas), a diversidade enriquece a arte marcial, mantendo vivos os princípios de disciplina, eficiência e autoconhecimento.

Retornando à Okinawa, Nakaima ensinou o Estilo (boxe chinês) em segredo para seu filho Kenchu Nakaima, que posteriormente ensinou para seu filho Kenko Nakaima, fundador do Ryuey Ryu (foto). Os Kata do Estilo são: Niseshi, Sanseiru, Seyunchin, Seisan, Paiku, Keiku, Pachu, Anan, Ananni, Ohan, Paiho.

O Budokan é um estilo de karatê criado por Chew Choo Soot. Nascido na Malásia, o fundador teve uma infância difícil e. A partir dos 15 anos, praticou levantamento de pesos e outros esportes de luta e aos 20 anos ingressou no mundo do karatê, treinando com um oficial do exército japonês durante a ocupação da Malásia pelo Japão.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, viajou para o Japão para promover seu estilo e aprimorar seus conhecimentos em outras artes marciais. Em 17 de julho de 1966, fundou oficialmente o estilo Budokan na Malásia, uma compilação de diversos estilos de karate como Shotokan, Goju Ryu, Wado Ryu e Shito Ryu e outras artes marciais como Judô e Aikido. O nome "Budokan" significa "Salão das Artes Marciais".

Embora fortemente influenciado pelo Shotokan e demais estilos, o Budokan desenvolveu características próprias e ganhou reconhecimento internacional, sendo aprovado por organizações como a WUKO e a WKF. O estilo rapidamente atraiu muitos alunos e se expandiu globalmente.

Chew Choo Soot tinha o objetivo de viajar pelo mundo para difundir sua arte e dar aulas até os 80 anos, mas ficou doente, impossibilitando-o de realizar seu sonho. Ele faleceu aos 76 anos em sua terra natal, a Malásia.

É um estilo moderno de karatê full contact que tem suas raízes no Kyokushin, mas com filosofia e estrutura distintas. Fundado por Kaicho Tadashi Nakamura, (1942-). Foi um dos principais discípulos de Masutatsu Oyama (fundador do Kyokushin). Fundou o estilo Seidō-Juku em 1976, após sair da IKO (International Karate Organization). Seidō significa "Caminho Verdadeiro" e Juku significa "escola" ou "instituto de aprendizado". O emblema do Seidō é um círculo com três partes, representando corpo, mente e espírito em harmonia.

Valoriza não apenas a força física e a técnica, mas também o crescimento espiritual e ético. Enfatiza o respeito, a humildade, o autocontrole e o autoconhecimento. Suas características Técnicas são: Combate full contact (como o Kyokushin), porém com mais ênfase em segurança, especialmente para iniciantes e crianças; Fortes bases de kihon (técnica), kata (formas) e kumite (luta); Kata tradicionais e também katas próprios do estilo.

Sua sede mundial fica em Nova York, EUA e há Dojos espalhados por mais de 15 países, com eventos regulares como campeonatos, seminários e exames.

Yoshukai Karate | The Karate Kid Wiki | FandomO estilo Yoshukai Karate foi fundado por Mamoru Yamamoto (mais tarde conhecido como Katsuoh Yamamoto, foto ao lado) no Japão, nos anos 1960. O nome “Yoshukai” pode ser traduzido como “Associação do Caminho da Disciplina Excepcional” ou “Casa da Excelência para o Treinamento”.

Yoshukai surgiu como um ramo do estilo Chito-Ryu, fundado por Tsuyoshi Chitose. Mamoru Yamamoto treinou diretamente com Chitose e também tinha forte influência do karate Kyokushin, especialmente em relação à ênfase no combate realista (full-contact) e disciplina rigorosa. Houve uma ruptura entre Yamamoto e Chitose, o que levou Yamamoto a fundar seu próprio estilo com filosofia própria, embora mantendo bases do Chito-Ryu.

Stil-Info | 1. Yoshukai-Karate-Verein in DortmundPrincipais características do estilo:

O Yoshukai cresceu principalmente nos Estados Unidos, especialmente sob liderança de alunos como Mike Foster, que fundou o Yoshukai International Karate. Existem várias organizações com o nome Yoshukai (como World Yoshukai, US Yoshukai, etc.), devido a divisões posteriores. É um estilo que combina tradição e pragmatismo, e continua ativo em vários países.

Mamoru Yamamoto faleceu em 2020. Ele foi uma figura marcante no karatê japonês, conhecido por seu espírito combativo e por desenvolver um estilo com forte ênfase em combate real e disciplina rigorosa.

O nome Ryobu Kai pode ser traduzido como “Associação das Duas Artes Marciais” ou “União das Disciplinas Marciais”, refletindo a união entre budô físico e espiritual. O Japan Karate-Do Ryobu-Kai (JKR) é uma organização internacional de Karatê fundada por Yasuhiro Konishi II, descendente do lendário Yasuhiro Konishi, um dos pioneiros do Karatê no Japão. O estilo ensinado é essencialmente Shindo Jinen Ryu, criado por Yasuhiro Konishi (pai), no início do século XX. Konishi foi aluno direto de grandes mestres como Gichin Funakoshi (Shotokan), Kenwa Mabuni (Shito-Ryu) e Morihei Ueshiba (fundador do Aikido), integrando elementos do Karatê, Jujutsu e Kendo.

É um estilo tradicional, com base sólida no Kihon, Kata e Kumite. Sua filosofia é orientada ao desenvolvimento do caráter, a autodisciplina e a harmonia. Também possui fortes influências do Zen e de práticas de etiqueta e ética budô.

A Ryobu Kai tem filiais em vários países, incluindo Estados Unidos, Brasil, México, Europa e Japão. Promove seminários, exames de graduação, campeonatos e intercâmbio técnico-cultural entre os filiados.

A FAIXA — GRAUS E SIMBOLISMO

Inspirado nos sistemas de classificação do jogo Go e do Kendô, Jigoro Kano, fundador do Judô, criou por volta de 1883 o sistema de faixas (coloridas para os graus kyu e pretas para os graus dan) com o objetivo de organizar formalmente os níveis de aprendizado dos praticantes. Esse sistema foi posteriormente adotado por outras artes marciais japonesas, como o Karatê, especialmente no século XX, com a introdução do Karatê no Japão por mestres como Gichin Funakoshi.

No Karate, esse sistema de  faixas (obi) simboliza o  ciclo evolutivo do praticante, refletindo seu amadurecimento técnico, mental e espiritual. Assim como as  divisas militares, as cores representam estágios de aprendizado e domínio da arte.

Estrutura de Graus (Kyu e Dan)

  1. Kyu (faixas coloridas) – Aluno em formação (geralmente 7 cores).

  2. Dan (faixas pretas) – Maturidade técnica (do 1º ao 10º Dan).

Significado das Cores das Faixas

Cor Simbolismo Estágio do Praticante
Branca Pureza, início da jornada. Inocência e potencial a ser moldado.
Amarela Descoberta, primeiros desafios. Consciência das limitações.
Laranja Energia, paixão pela arte. Dedicação e superação.
Azul/Verde Crescimento, fé no caminho. Desenvolvimento técnico e moral.
Roxa Idealismo, busca pela excelência. Transição para o avançado.
Marrom Profundidade, preparação para a preta. Consolidação do conhecimento.
Preta Diplomação, mas também humildade. "O verdadeiro aprendizado começa aqui" (Gichin Funakoshi).

Curiosidades

Conclusão

As faixas não são apenas medidas de habilidade, mas símbolos de uma jornada que combina técnica, disciplina e filosofia. Do branco ao preto, cada cor representa uma etapa de transformação — até que o karateca perceba que a verdadeira maestria está na eterna busca pelo aperfeiçoamento.

"O Karate é como a água a ferver: sem calor, volta ao estado morno." — Mestre Gichin Funakoshi.

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA FAIXA PRETA

O Cavaleiro e o Samurai: Uma Herança de Honra

Na Europa medieval, o título de "cavaleiro" era concedido a homens que uniam coragem em batalha e nobreza de caráter. No Japão feudal, o samurai personificava esses mesmos ideais, vivendo sob o código Bushido (江戸時代). Ambos eram produtos de sociedades que valorizavam a excelência marcial aliada à integridade moral.

Hoje, embora o feudalismo tenha desaparecido, o desejo de transcendência por meio das artes marciais persiste. A faixa preta tornou-se o símbolo moderno dessa busca — não apenas de habilidade combativa, mas de autodisciplina, honra e dignidade.

A Faixa Preta como Símbolo

1º Dan – Shodan (初段)

2º Dan – Nidan (二段)

3º Dan – Sandan (三段)

4º Dan – Yondan (四段)

e 6º Dans – Shihan (師範)

7º Dan Renshi (錬士)

e 9º Dans - Hanshi (範士)

Um dos mais altos títulos, concedido a partir do 8º Dan. Representa o ideal do budô – excelência técnica, espiritual e moral. Respeitado por toda a comunidade.

A Crise da Faixa Preta: Problemas Contemporâneos

A busca pela faixa preta, outrora símbolo máximo de dedicação e maestria, enfrenta hoje uma série de desafios que ameaçam seu valor e significado. Entre os principais problemas, destacam-se:

1 - Falta de Padronização Internacional

2 - Comercialização e Fraude

3 - Consequências

Soluções: Preservando a Integridade do Karate-Do

Reverter essa crise e garantir o futuro do Karate-Do como uma arte marcial respeitável requer mais do que nostalgia; requer ação. Um caminho viável deve incluir:

1 - Unificação de Critérios

2 - Transparência nas Linhagens

3 - Ênfase no Caráter

4 - Conscientização

O Público Desinformado e a Banalização das Graduações

A falta de padronização internacional e a proliferação de academias com critérios frouxos criaram um cenário onde:

"Um dojo sério entrega a faixa preta quando o aluno domina kihon, kata e kumite — não quando ele paga mensalidades."

O Verdadeiro Custo da Faixa Preta

Dojo Comercial Dojo Tradicional
1–2 anos de treino 3–5 anos (mínimo)
Foco em "resultados rápidos" Foco em shugyō (修行, treinamento austero)
Examinações sem rigor

Testes que incluem:
• Resistência física
• Precisão técnica
• Integridade moral

Faixa = Produto Faixa = Juramento de responsabilidade

A Honra do Samurai vs. A Vergonha Moderna

Os bushi (武士) preferiam a morte à desonra. Hoje, alguns "mestres":

"Um samurai traía seu daimyō e cometia seppuku. Um falso sensei trai o Karate-Do e abre outra academia."

Conclusão 1: A Faixa Preta como Juramento

A verdadeira faixa preta não se compra, conquista-se. Ela deve ser:

Conclusão 2: A Faixa Preta como Missão

A verdadeira faixa preta não é um fim, mas um compromisso. Ela carrega o legado dos cavaleiros e samurais — homens que entendiam que a maior batalha não era contra oponentes, mas contra a própria mediocridade.

Se sua faixa preta não veio com suor, lágrimas e anos de dojo, você não a merece. O Karate-Do sobreviverá não pela quantidade de faixas pretas, mas pela qualidade delas.

KARATE-DO (DE MÃOS CHINESAS PARA MÃOS VAZIAS)

Durante o período de forte admiração pela cultura chinesa no arquipélago de Ryukyu, era comum utilizar caracteres chineses para atribuir prestígio a conceitos locais. Originalmente, a arte marcial conhecida hoje como Karate-Do era escrita com o caractere chinês "Kara" (唐), que se referia à China ou à Dinastia Tang, resultando no significado "Caminho das Mãos Chinesas" (Tō-Te).

Posteriormente, mestres okinawanos e japoneses substituíram esse caractere pelo ideograma japonês "Kara" (空), que significa "vazio", transformando o termo em "Caminho das Mãos Vazias" (Karate-Do). Essa mudança não foi apenas linguística, mas também filosófica. O novo ideograma tem raízes no conceito budista de "Sunyata" (vacuidade), enfatizando a importância de esvaziar a mente de egoísmo, maldade e ambição, além de simbolizar a prática sem armas.

Essa alteração também ajudou a distinguir o Karate-Do do Kenpo chinês, com o qual era frequentemente confundido. Embora compartilhem origens históricas, os métodos de treinamento, os katas e o kumite do Karate-Do desenvolveram-se de forma independente e única.

Gichin Funakoshi, um dos principais responsáveis pela introdução do Karate no Japão, defendia firmemente o uso do caractere "vazio" (空). Em Tóquio, na Universidade de Keio, ele propôs o nome "Dai Nippon Kenpo Karate-Do" ("Grande Caminho Japonês do Método de Punho e Mãos Vazias"), reforçando a identidade japonesa da arte e seu aspecto filosófico. Funakoshi acreditava que o verdadeiro significado do "vazio" estava na pureza de intenção e na busca pela essência marcial, livre de vaidades.

Além da mudança terminológica, Funakoshi simplificou e renomeou vários katas, adaptando-os para torná-los mais acessíveis ao público japonês. Seu trabalho foi crucial para a popularização do Karate-Do, não apenas como método de defesa pessoal, mas como disciplina educativa integrada ao sistema escolar.

Assim, a transição de "Mãos Chinesas" para "Mãos Vazias" reflete não apenas uma evolução linguística, mas uma profunda transformação cultural e filosófica que moldou o Karate-Do como o conhecemos hoje.

Os Kanji "To" e "Ku" (abaixo representados) podem pronunciar-se ambos como "Kara".

25 DE OUTUBRO — DIA MUNDIAL DO KARATE

Vinte e cinco de Outubro é reconhecido como o Dia Mundial do Karatê (World Karate Day). Essa data foi escolhida porquê marca o dia em que o karate foi oficialmente nomeado como parte da educação física nas escolas de Okinawa, em 1936, durante uma reunião histórica com mestres de diversos estilos. Essa reunião aconteceu em 25 de outubro de 1936, em Naha, Okinawa, na redação do jornal Ryukyu Shinpo.

Nessa ocasião, também se decidiu pela adoção do nome "karate" (空手), que significa "mãos vazias", abandonando a escrita antiga que fazia referência à China ("karate" com os ideogramas 唐手, que significava "mãos chinesas").

Desde então, a data é celebrada como símbolo da unificação, divulgação e reconhecimento do karate como arte marcial e prática educativa e cultural.

Gichin Funakoshi não esteve presente nessa reunião, embora ele fosse uma das figuras mais influentes no desenvolvimento e divulgação do karatê no Japão (especialmente com a fundação do estilo Shotokan).

Sua ausência se deveu muito provavelmente ao fato de ele já estar profundamente envolvido com o trabalho de institucionalização do karatê no Japão continental — especialmente no meio acadêmico — e também por questões logísticas, já que a reunião ocorreu em Okinawa.

Mesmo assim, seu nome e suas ideias certamente influenciaram o encontro, pois ele já havia sido um dos principais defensores da mudança do ideograma de “karatê” para “mãos vazias” e da elevação do karatê ao status de budô japonês.

Hoje, eventos pelo mundo são realizados nessa data para homenagear a tradição, a disciplina e a filosofia do karatê.

O SIGNIFICADO DE "DO" NAS ARTES MARCIAIS

Extraído do capítulo “Jutsu e Dō – A Arte e o Caminho”, do livro de Seikichi Toguchi: “O Zen e o Caminho do Guerreiro”.

Não existe porta no caminho da vida que se recuse a abrir àqueles que quiserem passar. Se quiser ir a qualquer lugar, não importa que caminho siga – há muitos, e todos são bons. Porém, com sorte, alcançarás tua meta, o caminho desaparecerá e tu te converterás no caminho.”

Não há um caminho para nossa vida. Nós mesmos somos o caminho.”

Estes dois textos ilustram bem a complexidade do conceito de “” (Caminho). Contudo, também é evidente que o caminho é bastante acessível em nossa vida.

A palavra “” provém de “Tao”, que significa “Caminho”. O Taoísmo baseia-se no “Tao Te Ching” (O Livro do Caminho Perfeito), atribuído a Lao-Tsé (571–479 a.C.), e é uma das principais correntes filosóficas da China.

Hoje em dia, nos referimos à maior parte das artes marciais com a palavra “”: por exemplo, Karate-dō. Em suas origens, todas as artes marciais eram chamadas de “Jutsu” (técnica). A esgrima era Ken-jutsu, o Judô era Jū-jutsu, e assim por diante. Quando Jigoro Kano, o fundador do Judô, substituiu o nome Jū-jutsu por Jū-dō (Judô), numerosos artistas marciais seguiram seu exemplo: Kendō, Kyūdō, Karate-dō, entre outros.

Para compreendermos, precisamos conhecer a diferença entre Jutsu e . Jutsu refere-se à destreza, ao nível de habilidade, à competência técnica, que somente algumas pessoas podem alcançar em determinadas disciplinas, depois de muitos anos de treinamento árduo e especializado. Nos tempos antigos, as artes marciais, independentemente de sua disciplina, buscavam atingir esse nível técnico, denominado Jutsu.

, por outro lado, vai muito além. Como já mencionamos, significa “Caminho”. Em um sentido filosófico, este caminho é o da vida, o percurso que todos os seres humanos devem seguir para realizar sua natureza mais profunda. Para o Budismo Zen, o objetivo da vida é a iluminação espiritual, e o é o caminho para buscá-la. Essa também é a meta das artes marciais.

Nos tempos antigos, o praticante de uma arte marcial esforçava-se para alcançar o Jutsu, não pela técnica em si, mas como um meio de seguir o e atingir a iluminação. Para revelar ao mundo moderno seu aspecto mais profundo, as artes marciais substituíram seus nomes de Jutsu para . Assim, Karate-dō pode ser traduzido como “O Caminho para a Iluminação através da Prática do Karatê”.

Seguir o pode ser algo fácil e natural para nós. Porém, devemos percorrer esse caminho por toda a vida se quisermos realizar nossa verdadeira existência e sermos plenamente nós mesmos. Dessa forma, seguir o caminho pode ser tanto simples quanto extremamente difícil. A maioria de nós não consegue encontrá-lo ou, uma vez encontrado, mantê-lo.

É necessário um espírito forte e muita perseverança. A vida dos monges Zen é um exemplo da simplicidade e da dificuldade do Caminho.

Explicando o kanji (Dō)

O kanji é composto por dois elementos (radicais):

1. (ou ) – chamado de "shinnyuu", é o radical do movimento/caminho, geralmente relacionado a andar, ir, ou deslocar-se e representa o ato de caminhar, seguir um caminho. Fica no lado esquerdo ou inferior de muitos kanji relacionados a movimento (ex: - perto, - passar).

2. (kubi) – significa cabeça ou pescoço. Neste kanji, traz a ideia de direção, liderança, início.

Juntos:

A junção de (movimento/caminho) com (cabeça/direção) forma a ideia de seguir um caminho liderado, ou um caminho a ser seguido, tanto literal quanto figurativamente.

Por isso é usado em muitas artes marciais e filosofias japonesas como símbolo de um "caminho de vida" ou "disciplina espiritual".

A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DO "KI"

O conceito de Chi (Ki - 気, para os japoneses) é fundamental para as artes marciais, porém de difícil compreensão plena. A noção comum de "energia" está muito distante da sutileza do Ki – tão sutil que muitos cientistas ocidentais relutam em aceitar sua existência. No entanto, qualquer artista marcial experiente sabe: o Ki é real e pode ser aplicado de diversas formas, seja para cura, desenvolvimento espiritual, manutenção da saúde ou no treinamento marcial.

A primeira dificuldade no estudo do Ki está em compreender sua verdadeira natureza. Ele é a essência primordial do Cosmos e, por falta de um termo mais preciso, costumamos chamá-lo de "energia". Por meio da respiração correta e do controle mental, é possível direcionar o Ki pelo corpo ou mesmo projetá-lo a distância – técnica conhecida como Fā Jīng (發勁) nas artes marciais chinesas.

Uma das traduções mais significativas para Ki é "sopro vital", como ilustrado no Gênesis (2:7):

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem tornou-se alma vivente."

Sem esse Sopro Divino, o ser humano seria apenas matéria inerte. Da mesma forma, qualquer arte marcial que ignore o Ki será incompleta e menos eficaz. O universo é permeado e sustentado por essa energia e, se aprendermos a utilizá-la nas artes marciais, teremos acesso a uma fonte inesgotável de potencial.

Explicando o Kanji (KI)

é composto por:

Juntos, o kanji transmite a ideia de um "vapor que se eleva do arroz cozido", uma metáfora visual para algo intenso, invisível, mas presente e poderoso — como o "ki".

O SIGNIFICADO DE "OSS" NO KARATÊ

O que é “Oss”? No Brasil (e em muitos outros países fora do Japão), “Oss” (ou "Osu") é usado amplamente nas artes marciais para:

Etimologia:

Ou seja, "Oss" carrega a ideia de resistência sob pressão.

É comum ouvir “Oss” o tempo todo nos dojôs brasileiros — tanto entre alunos quanto entre professores.

E no Japão?

Bem, no Japão, o uso de “Oss” (押忍) é muito mais restrito. É usado principalmente entre homens jovens, em ambientes como academias, clubes de esportes ou forças armadas. No karate japonês, é dito raramente e pode parecer rude ou excessivamente informal se usado com frequência, especialmente com mestres mais velhos ou em contextos formais. É visto mais como uma expressão de espírito forte, resistência, perseverança.

Em resumo:

Mas se “Oss” não é usado nos dojôs do Japão, então o que se usa lá? Nos dojôs tradicionais japoneses, em vez de dizer "Oss" o tempo todo, é mais comum usarem formas tradicionais de saudação e resposta respeitosa, de acordo com a situação e o grau de formalidade. Veja alguns exemplos:

Usado para responder instruções do sensei com respeito e atenção.

Usado no início do treino, especialmente ao fazer dupla com alguém ou diante do sensei.

Usado ao fim do treino ou após receber uma correção ou orientação.

Usado ao entrar ou sair do dojô, ou ao se dirigir a um superior de forma formal.

Mais do que palavras, a etiqueta corporal (como o "rei") comunica respeito constante no dojo.

Em resumo: No Japão, o respeito é demonstrado por linguagem polida e comportamento adequado, não repetindo "Oss" o tempo todo. O "Oss" pode até ser usado, mas com moderação e, geralmente, entre praticantes do mesmo nível ou em ambientes mais informais.

Por isso, em dojos japoneses, você ouvirá muito mais "Hai", "Onegai shimasu", "Arigatou gozaimasu" do que "Oss".

O SAMURAI

"Dizem que o Japão foi formado por uma espada. Dizem que os antigos deuses mergulharam uma espada de ouro no oceano e, ao retirá-la, quatro gotas perfeitas caíram no mar, tornando-se as ilhas do Japão. Eu digo que o Japão foi formado por homens valentes - guerreiros dispostos a morrer por algo que hoje parece esquecido: honra." (The Last Samurai, Warner Bros., 2003)

Entre os séculos X e XI, em um Japão feudal dividido por guerras e disputas territoriais, surgiu uma classe de guerreiros que transformaria para sempre a história do país: os samurais. Mais do que combatentes, eles foram fundamentais na unificação do arquipélago como nação.

Exímios praticantes de artes marciais, os samurais (侍, "aquele que serve") tinham como função primordial defender os senhores feudais a quem serviam. Com o tempo, seu poder cresceu tanto que ultrapassou os limites dos feudos, conquistando influência política e militar.

Inseparáveis de suas katanas (espadas longas), muitos samurais carregavam também uma wakizashi (espada curta). Esse conjunto, chamado daishō, era privilégio exclusivo de sua classe. Quando sua honra era maculada ou quando falhavam em suas missões, praticavam o seppuku (suicídio ritual pelo corte do ventre) - pois sem honra, não havia razão para viver.

Na hierarquia social japonesa, os samurais detinham poder absoluto sobre as classes inferiores. Podiam executar camponeses, artesãos ou comerciantes que os desrespeitassem. Apesar dessa violência implícita, ser samurai exigia muito mais do que habilidade marcial: requeria pureza de espírito e total devoção a seu senhor.

Seu traje característico, o hakama (calça larga), além de esconder os movimentos dos pés em combate, simbolizava as sete virtudes do guerreiro: honestidade, lealdade, coragem, perseverança, benevolência, compaixão e sinceridade. À medida que a era feudal avançava, os samurais consolidavam-se como elite social.

Seu treinamento incluía diversas artes marciais: kenjutsu (técnicas de espada), bōjutsu (combate com bastão), kyūjutsu (arco e flecha) e sōjutsu (técnicas de lança). Complementavam ainda com kumiuchi, técnicas desarmadas derivadas do sumō. Essa época marcou a crescente distinção entre técnicas armadas e desarmadas.

Em 1859, registros mostram samurais migrando para vilarejos, vivendo entre camponeses. Seus modos refinados influenciavam profundamente a população local, especialmente os jovens. A queda começou em 1872 com a Lei do Recrutamento, que aboliu seu monopólio sobre a guerra. Em 1876, o Imperador Meiji proibiu o porte de katanas, exceto para militares e policiais.

Cerca de dois milhões de samurais (de 400 mil famílias) enfrentaram então um dilema existencial. O bushido os impedia de trabalhar ou mesmo tocar em dinheiro. Alguns caíram na pobreza; outros adaptaram-se como professores, policiais ou militares; alguns fundaram empresas que se tornariam gigantes como Mitsubishi e Canon. Mulheres da classe samurai passaram a ensinar ikebana, origami, caligrafia e chanoyu.

Em 1877, Saigō Takamori (figura ao lado) liderou uma rebelião em Kyushu para restaurar os privilégios samurais. Derrotado, cometeu seppuku, marcando simbolicamente o fim de sua era.

Os samurais deixaram um legado marcante na cultura japonesa. Seu Bushidō influenciou valores como disciplina, hierarquia e resiliência — fundamentos que ajudaram o Japão a se tornar uma potência econômica. Sem seus ensinamentos, dificilmente o país teria alcançado a posição que ocupa hoje no mundo.

BUSHIDO - O CÓDIGO DE HONRA DO SAMURAI

O fundamento de todas as artes marciais japonesas está contido em um código de honra conhecido como Bushidō (武士道 - bushi: "guerreiro"; : "caminho").

Bushidō, uma filosofia teórica influenciada pelo Taoísmo e Confucionismo, constitui o código de princípios morais que os guerreiros devem seguir tanto em sua vida cotidiana quanto em sua profissão – os preceitos de cavalheirismo da nobre classe guerreira. Trata-se, porém, de um código não escrito, baseado em máximas transmitidas oralmente ou registradas por grandes guerreiros e sábios ao longo dos séculos.

Bushidō não foi criado por uma única mente ou figura histórica, mas sim desenvolvido organicamente a partir de séculos de experiências militares. Seus princípios mais elevados são:

No Bushidō, a honra implica uma consciência clara da dignidade e do valor pessoal. Ofender-se por uma provocação era considerado ridículo e mesquinho. Como ensina um provérbio samurai:

"A verdadeira paciência consiste em suportar o que parece insuportável."

A honra é compreendida como o respeito pelos outros elevado à sua expressão filosófica mais alta. Desse princípio nasce a compreensão e o amor, refletidos no seguinte ensinamento:

"Se o adversário é inferior a ti, por que brigar? Se o adversário é superior a ti, por que brigar? Se o adversário é igual a ti, compreenderá o que tu compreendes – e não haverá luta."

Esse ideal de não violência permeou por muito tempo o verdadeiro espírito das artes marciais. Como afirma outro preceito:

"A honra não é orgulho, mas a consciência real do que se possui."

ZEN BUDISMO

Seita que disciplina o esforço e a meditação em silêncio, ensinando que é pela contemplação que se adquire a compreensão de que tudo é regido por um único princípio.

A palavra Zen deriva do sânscrito Dhyāna, que significa "meditação" ou "contemplação". Sua origem remonta aos ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda Sakyamuni, especialmente em seu célebre Sermão da Flor, quando, em vez de palavras, Buda simplesmente mostrou uma flor. Apenas um discípulo, Mahakasyapa, compreendeu a mensagem, tornando-se assim a primeira linhagem do Zen.

Formalmente, o Zen surgiu quando o monge Bodhidharma viajou da Índia para a China no século VI d.C., difundindo o budismo e criando o método conhecido como Ch’an (na China) e, posteriormente, Zen (no Japão, abreviação de Zenna). O Zen floresceu na China, chegou à Coreia e, no século XII, ao Japão, onde encontrou terreno fértil e influenciou profundamente a cultura japonesa.

No Ocidente, o Zen desembarcou no final do século XIX, mas só ganhou maior divulgação após a Segunda Guerra Mundial. Nos anos 1960, nos EUA, associou-se ao movimento beat (conhecido como Zen Beat). Hoje, superados os modismos, o Zen se estabelece não apenas em mosteiros, mas também através da arte (poesia, pintura) e das artes marciais (Judô, Karatê-dō, Aikidō, Kendō, etc.). Seu símbolo é o bambu.

A Essência do Zen

O Zen não busca o esforço, mas sim a naturalidade:

"Seja comum, sem nada especial. Coma sua comida, libere seus intestinos, verta sua água e, quando cansado, deite-se. O ignorante pode rir de mim, mas o sábio me compreenderá." ( T’an Glin-Chi)

Seus ensinamentos baseiam-se na transmissão direta de mestre a discípulo, sem intermediários intelectuais, visando despertar o Satori (iluminação interior).

O Conhecimento Zen

O Zen propõe uma percepção direta da realidade, sem divisões entre sujeito e objeto:

"Conhecer a flor é tornar-se flor, florescer como a flor e deleitar-se com o sol e a chuva. Nesse estado, conhecem-se todos os segredos do universo, incluindo os do próprio eu."

Enquanto a ciência disseca a vida para entendê-la, o Zen a vive em sua totalidade, sem fragmentá-la.

Zen e Artes Marciais

O princípio Zen está presente em disciplinas como o Kyūdō (arco e flecha), onde o objetivo não é acertar o alvo, mas transcender o ego em um combate interior. O mesmo ocorre no Karatê-dō, que incorpora o Zazen (meditação sentada) ao final dos treinos.

Técnicas Zen

História Zen: "O Dedo de Gutei"

O mestre Gutei (ou Gutei Isshi) costumava responder a qualquer pergunta sobre o Zen apenas levantando um dedo. Um jovem discípulo começou a imitá-lo. Quando Gutei soube disso, cortou o dedo do menino. No choque e dor, o discípulo olhou para o mestre. Gutei levantou o dedo. Nesse momento, o discípulo teve uma súbita iluminação.

Sentido Zen:

O gesto do dedo representava a essência do Zen — algo além das palavras e símbolos. O discípulo havia se apegado à forma (o gesto) sem compreender o espírito. Ao cortar o dedo, Gutei rompeu o apego e, com isso, permitiu o insight direto.

Explicando em termos do Zen:

No Zen, momentos extremos como dor, susto ou silêncio profundo podem romper a dualidade mente-corpo e abrir espaço para o insight súbito — o despertar.

Ou seja, ele não “entendeu” com a mente. Ele viu com a consciência desperta.

Zen e os Samurais

Durante os períodos Kamakura e Muromachi, os samurais adotaram o Zen como disciplina mental, aliando-o às artes marciais. O Zen rejeita cerimônias e pregações, focando-se na experiência direta.

A Iluminação no Zen

Não altera o comportamento, mas revela a simplicidade da vida comum. Seu objetivo é retornar ao início, onde a grande virtude é a naturalidade.

"Devemos aplicar o golpe como o adversário o aplica — sem raiva, em absoluto equilíbrio. O inimigo deve ser tratado como um convidado de honra. A vida deve ser abandonada, e o medo, descartado."

No Karatê-dō, como no Zen, o discípulo e o mestre seguem o mesmo caminho. O conhecimento é um ciclo completo, e as lições muitas vezes são duras, porém conduzem à verdadeira compreensão.

CONTO ZEN — O QUEBRADOR DE PEDRAS

Era uma vez um humilde quebrador de pedras que vivia insatisfeito com sua condição. Um dia, ao passar em frente à mansão de um rico comerciante, viu através do portão aberto objetos luxuosos e pessoas importantes.

"Quão poderoso deve ser este mercador!" pensou, tomado pela inveja. "Eu queria ser como ele."

Para sua surpresa, transformou-se imediatamente no comerciante, desfrutando de riquezas e poder além do que imaginara – mas também da inveja e do ódio dos menos afortunados.

Certo dia, viu um alto oficial do governo passar em sua liteira de seda, cercado por atendentes e soldados que afastavam o povo com golpes de gongo. Todos se curvavam à sua passagem.

"Quão poderoso é este oficial!" pensou. "Eu queria ser como ele."

E assim se tornou o oficial, temido e odiado por todos. Num dia de verão abrasador, sufocando em sua liteira, olhou para o sol, que brilhava altivo, indiferente à sua existência.

"Quão poderoso é o sol!" pensou. "Eu queria ser o sol."

Transformou-se então no astro, queimando implacavelmente a terra, até que uma nuvem negra bloqueou seus raios.

"Quão poderosa é a nuvem!" pensou. "Eu queria ser a nuvem."

Como nuvem, despejou chuvas torrenciais, até ser disperso por um vento forte.

"Quão poderoso é o vento!" pensou. "Eu queria ser o vento."

Tornou-se então um furacão, devastando tudo em seu caminho – até encontrar uma rocha imóvel, que resistia a seus sopros mais ferozes.

"Quão poderosa é a rocha!" pensou. "Eu queria ser a rocha."

Transformou-se na grande pedra, inabalável e eterna... até ouvir o som de um martelo e cinzel e sentir-se lascar.

"O que pode ser mais poderoso que uma rocha?" perguntou-se, perplexo.

Ao olhar para baixo, viu um quebrador de pedras.

XINTOÍSMO

O Xintoísmo (religião japonesa) é mais uma "escola de vida" do que uma religião. Ele busca resolver problemas em um plano que vai além da simples distinção entre boa e má conduta. Consiste em libertar o homem de suas preocupações e ansiedades, visando também à devoção.

Pregando que o homem nasce como uma manifestação da divindade — e, portanto, é um deus —, o Xintoísmo ensina que, devido às "poluições" (tsumi), seus sentidos e percepções tornam-se enevoados, impedindo-o de reconhecer a criação divina. Assim, o praticante do Xintoísmo deve buscar a purificação, começando pelo princípio: "Harae tamae, kiyome tamae, rokkon shōjō".

Nesse estado de pureza, a natureza divina emerge e se restaura, permitindo que o indivíduo entre em ressonância com a criação e com o divino. Segundo o Xintoísmo, para alcançar a paz e a felicidade, é essencial manter uma atitude mental positiva, recebendo assim o "ohmitama" — a sabedoria e a força da Grande Natureza.

Para atingir esse estado elevado de percepção, é preciso cultivar gratidão pela vida e empenhar-se em cumprir a missão terrena concedida pelo mundo divino. Em outras palavras, vive-se em sintonia com as leis da Grande Natureza (Daishizen), seguindo seu fluxo e seu kokyū (ritmo pulsatório).

"Kannagara" é o movimento contínuo e infinito das divindades (kami), forças divinas que, por sua ação, geram tudo o que ocorre no mundo material. No Ocidente, o termo poderia ser traduzido como "religião natural", em contraste com as religiões "reveladas", que dependem da fé. O xintoísta acredita naquilo que percebe e sente, dispensando dogmas ou crenças não verificáveis. A existência humana se dá no Daishizen, onde o homem encontra significado para sua vida.

HAKAMA

Foto preta e branca de uma pessoa Descrição gerada automaticamente com confiança médiahakama é uma vestimenta tradicional japonesa que cobre a parte inferior do corpo, assemelhando-se a uma saia larga.

Originalmente, era utilizado pelos samurais para proteger as pernas durante cavalgadas. Mesmo após deixarem de montar e passarem a locomover-se a pé, continuaram a usá-lo, pois os distinguia das demais pessoas, facilitando sua identificação.

No combate, o hakama ocultava os movimentos das pernas, dificultando a previsão dos golpes e conferindo vantagem estratégica a quem o vestia.

Atualmente, o hakama é usado apenas em ocasiões formais, como cerimônias do chá, casamentos, funerais e demonstrações culturais. Também é adotado por atendentes de templos xintoístas e praticantes de artes marciais japonesas, como Aikidō, Iaidō, Kenjutsu, Kendō e Kyūdō.

Saiko Shihan Goshi Yamaguchi (Goju-Ryu Goju-Kai) frequentemente demonstra, em cerimônias especiais, os katas avançados vestindo um hakama (foto ao lado).

As sete virtudes do samurai

Diz-se que as 5 dobras frontais e as 2 dobras traseiras do hakama representam as 7 virtudes do samurai:

  1. Gi () – Justiça, retidão, integridade moral

  2. Yuki () – Coragem, bravura

  3. Jin () – Benevolência, compaixão, humanidade

  4. Rei () – Cortesia, respeito, etiqueta

  5. Makoto () – Sinceridade, verdade, honestidade genuína

  6. Meyo (名誉) – Honra, dignidade, reputação

  7. Chūgi (忠義) – Lealdade e dever, fidelidade ao mestre ou causa

Evolução do uso do hakama

Após o fim da classe samurai, o hakama foi adotado por japoneses de todas as classes sociais. O tecido utilizado variava conforme o poder aquisitivo:

O hakama nas artes marciais modernas

Em algumas artes marciais, o hakama só é permitido a partir do 1º Dan (Shodan). Por isso, muitos o veem como um símbolo de graduação avançada.

A origem dessa regra remonta ao Japão do passado, quando todos os alunos eram obrigados a usar hakama, mas muitos não tinham condições de adquiri-lo. Alguns improvisavam:

Essas dificuldades levaram à adoção temporária da regra de restringir o hakama a graduados, com o intuito de evitar gastos desnecessários. Contudo, essa medida não tinha relação direta com a simbologia de status, mas sim com a praticidade.

KIMONO

Em japonês, a palavra kimono (着 [ki] = vestir, usar, 物 [mono] = coisa, objeto) significa literalmente "coisa de vestir". Fora do Japão, o termo designa genericamente uma variedade de peças que compõem um visual tradicional japonês, mas também se refere especificamente à peça principal. No Japão, o que chamamos de kimono é conhecido como kosode.

Origem do Termo

O significado atual da palavra kimono surgiu no século XVI, quando navegantes ocidentais — principalmente portugueses, espanhóis e holandeses — chegaram ao arquipélago. Nos primeiros contatos, como não havia compreensão mútua dos idiomas, os estrangeiros perguntavam, por meio de gestos, como se chamavam as roupas de seda que os japoneses vestiam. A resposta era sempre kimono, algo como "roupa" em japonês. Assim, o termo tornou-se a designação moderna do traje tradicional japonês.

No Japão, o vestuário divide-se em duas categorias principais:

A história do vestuário japonês está intimamente ligada à evolução do kosode e à adaptação de estilos e tecidos estrangeiros aos gostos locais.

Na Antiguidade

Pouco se sabe sobre as roupas da Pré-História japonesa (Era Jōmon, 10.000 a.C. a 300 a.C.), mas evidências arqueológicas sugerem o uso de túnicas de pele ou palha. Na Era Yayoi (300 a.C. a 300 d.C.), a sericultura e técnicas têxteis chegaram ao Japão por meio da China e da Coreia.

Entre os séculos IV e IX, a corte imperial japonesa sofreu forte influência chinesa. Sob o regente Príncipe Shōtoku (574–622), adotaram-se regras de vestuário inspiradas na dinastia Sui. Posteriormente, com os Códigos Taihō (701) e Yōrō (718), as roupas da corte passaram a seguir o modelo da dinastia Tang, dividindo-se em trajes cerimoniais, de corte e de trabalho. Foi nesse período que surgiram os primeiros kimonos com gola em "V", ainda semelhantes aos modelos chineses.

Opulência Têxtil na Era Heian (794–1185)

Com a suspensão dos contatos oficiais com a China, a cultura japonesa floresceu de forma única. No vestuário, isso se refletiu em trajes mais simples no corte, mas extremamente elaborados em camadas e tecidos luxuosos.

Uma versão simplificada, o ikan, ainda é usada por sacerdotes xintoístas.

Estilo Samurai (Eras Kamakura e Muromachi, 1185–1568)

Com o surgimento do xogunato e o declínio da corte imperial, os samurais impuseram novos estilos:

Na Era Muromachi, surgiu o uchikake, um sobretudo feminino usado sobre o kosode, hoje parte do traje de noiva tradicional.

Gostos Burgueses (Edo, 1600–1868)

Durante o período Tokugawa, a burguesia (chōnin) influenciou a moda:

Influências portuguesas apareceram em peças como:

No século XIX, o xogunato padronizou o traje samurai: kosodehakama e haori, conjunto que hoje é usado por noivos em casamentos tradicionais.

Tempos Modernos (Pós-Restauração Meiji, 1868)

A ocidentalização acelerou-se com decretos governamentais:

Hoje, kimonos são usados principalmente em ocasiões especiais, como casamentos e festivais (matsuri). O yukata (kimono leve de algodão) continua popular no verão. Recentemente, um movimento chamado "fashion kimono" tem revitalizado seu uso no dia a dia, com estampas modernas e acessórios práticos.

Tipos de Kimono

Detalhes e Acessórios

O kimono continua sendo um símbolo da cultura japonesa, equilibrando tradição e modernidade.

FRASES E PENSAMENTOS

"Assim como a água tranquila de um lago deve ser a mente de um praticante de KARATE-DO"

Gogen Yamaguchi

"Lutar e vencer não é a glória suprema; glória suprema é quebrar a resistência do inimigo sem lutar"

Sun Tzu

"O movimento existe em quietude e a calma em ação. Nem um nem outro existe independente. O corpo e o espírito são uma unidade indivisível"

Bodhidharma

"Quando verificares, com certeza, que não sabes nada, terás teu primeiro progresso no aprendizado"

Gichin Funakoshi

"A diferença entre um lutador e um praticante de KARATE-DO está na teoria. Treinar arduamente e estudar incansavelmente, heis o segredo de um karateca destacado dos demais"

"O mesmo sol que brilha no alto dos céus, se reflete igualmente nos mares e nas infinitas poças d'água espalhadas pela Terra"

Osvaldo Messias Oliveira

"No KARATE-DO o objetivo não é conquistar o adversário, mas conquistar a si próprio. Esta é a razão pela qual dizem que o KARATE-DO evoluiu de arte física e material, para uma Arte espiritual"

"A princípio lapidar o espírito, depois a técnica"

Gichin Funakoshi

"Como a superfície polida de um espelho reflete tudo o que se encontra defronte a ele e um vale quieto transmite até os menores sons, assim o estudante de KARATE-DO torna sua mente vazia de egoísmo e maldade num esforço para reagir apropriadamente com tudo o que ele encontrar pela frente. Este é o significado de 'KARA' no KARATE-DO"
Gichin Funakoshi

"O grande general vence a batalha sem combater"

Provérbio Taoísta

"Nunca despreze o inimigo, por mais frágil que seja"

Máxima Marcial

"Nas Artes Marciais, para uma pessoa se tornar um bom lutador, ela deve cultivar a sabedoria e o espírito, adquirindo conhecimentos e habilidades e dominando os diferentes caminhos das Artes, um de cada vez"
Miyamoto Musashi

"É preferível sofrer uma injustiça do que praticá-la"

Bushido

"A desonra é como uma cicatriz na casca de uma árvore, com o tempo, longe de se apagar, só tende a crescer"

Bushido

"Aquele que coordena uma tropa de cinquenta mil homens, não possui mérito maior que aquele que coordena um grupo de cinco homens"

Sun Tzu

"A maior vitória pertence àquele que vence sem desembainhar sua espada"

Sun Tzu

“Sem se envaidecer com a vitória, nem se quebrar com a derrota, sem esquecer a cautela quando tudo está calmo, nem se assustar quando o perigo ameaça.”

Gigoro Kano

"O combatente, estando em terreno desfavorável, deve movimentar-se sempre"

Sun Tzu

"A derrota é aceitável, a desonra é mais do que intolerável"

Bushido

"Acima de tudo deve-se ter em mente que a morte é inevitável"

Miyamoto Musashi

"Quem luta pela vida pode não vencer, mas certamente não será culpado pela derrota"

Máxima Oriental

"A verdadeira sabedoria consiste em compreender-mos a nós mesmos"

Bodhidharma

"Aquele que atingiu a suprema mestria da Arte não utiliza o sabre e o adversário mata-se a si próprio"

Tajima-no Kami

"Ao ensinar lembre-se que os grandes segredos estão contidos nas técnicas básicas"

Morihei Ueshiba

"Aquele que está preparado para qualquer evento, jamais usará sua espada com precipitação"

Morihei Ueshiba

"Quando desafiado por um só inimigo cuide-se. Você está sempre cercado"

Morihei Ueshiba

"A iluminação chega ao homem incognitamente como a lua nascendo sem ruídos ou alardes"

Morihei Ueshiba

"A essência da vida encontra-se nas coisas aparentemente mais simples"

Filosofia Oriental

"Se tentares vencer seu oponente usando a força, estará criando outro inimigo"

Morihei Ueshiba

"O KARATE-DO é o ZEN em movimento"

"Buscar espiritualidade, sabedoria, praticar meditação ou qualquer outra forma de desenvolvimento espiritual, sem possuir compaixão, é como plantar uma árvore morta"

Ditado Tibetano

"É melhor fugir do que lutar, lutar do que ferir, ferir do que matar. Um homem é forte quando ele tem um objetivo pelo qual luta"

Masutatsu Oyama

"Karatê é força, mas também meditação"

Masutatsu Oyama

"...ser como o Sândalo, que perfuma o machado que o fere"

Conceito Budista

“Não construa um teto para o seu potencial. Construa um alicerce para o seu império”

Autor desconhecido

“Se o inimigo deixa uma porta aberta, precipitemo-nos por ela”

Sun Tzu

"Quando o professor é rigoroso, o Caminho estudado é honrado"

Pensamento ZEN

"Nenhum homem confia em alguém que se mostre agressivo e aquele em quem ninguém confia permanecerá solitário e sem amparo"

Lieh Tzu (Filósofo Taoísta)

"A filosofia aparece no caráter do praticante à medida em que esse evolui na técnica"

Makoto Nishida

"É mais útil acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão"

Chuang Tse (Filósofo chinês)

"O homem que alcançou o domínio de uma Arte revela-o em cada um de seus atos"

Pensamento Samurai

"Se você perseguir o conhecimento por milhares de dias, não vai lhe valer mais do que um único dia de estudo apropriado do funcionamento da mente. Se você não a estudar, você não será capaz de entender um simples pingo d'água."

Huang Pó (Sábio chinês)

"Tzu-Kung perguntou em que consistia o Homem Superior. O Mestre disse que ele age antes de falar, e em seguida fala de acordo com suas ações"

Confúcio

"O verdadeiro praticante de KARATÊ não pensa em levar vantagem, mas sim em sacrificar-se em favor de seus méritos. O KARATÊ sem sacrifício não é KARATÊ"

Osvaldo Messias Oliveira

“Diante de uma larga frente de batalha, procure o ponto mais fraco e, ali, ataque com a sua maior força”

Sun Tzu

"Qualquer lugar pode ser um dojo"

Ditado Budista

"A violência será sempre a última escolha do verdadeiro karateca"

"Somente as pessoas fortes de bom coração chegam a realizar os nobres ideais"

Seikichi Toguchi

"A via do KARATE-DO GOJU-RYU é a busca pela via da virtude"

Chojun Miyagi

"A bravata não é sinônimo de bravura. A bravura e a valentia são uma questão menos de forma que de espírito. O homem bravo e consciente dos seus deveres e da justiça sabe bater-se pelos seus ideais fazendo dos obstáculos não uma perspectiva de derrota, mas sim um fator de estímulo"

Gichin Funakoshi

"O oponente mais poderoso está dentro de nós mesmos"

Hidetaka Nishiyama

"Uma longa jornada começa com um único passo"

Lao-Tsé

"O pastor tem o dever de levar diariamente suas reses ao rio, mas beber ou não da água dependerá do próprio animal"
Masutatsu Oyama

“As oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas”

Sun Tzu

"Perder dinheiro é perder pouco, perder confiança é perder muito, mas perder a coragem é perder tudo, porque perderá a si mesmo. Portanto, mantenha a coragem como o bem mais precioso da vida. Dinheiro não é tudo, nem o mais importante da vida. Ele deve vir naturalmente a você, como fruto do seu trabalho honrado"
Masutatsu Oyama

"O KARATE-DO nos ensina a vencer com humildade, aprender com a derrota, ambicionar o conhecimento, prosperar com a dignidade, honrar seu labor e sua existência com boas atitudes. Estender as mãos vazias de egoísmo, mas cheias de compreensão àqueles que estão caídos ao longo do caminho."

"Saber apenas como vencer e não como perder é se derrotar sozinho"

Xogum Tokugawa Ieyasu

"Praticar Goju é aprender a ser como a água: fluída em sua forma podendo assumir todas as formas; calma ou revolta, mas ambas com o poder de passar por quaisquer obstáculos, mesmo os de aparência mais resistente"
Chojun Miyagi

“Somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e, sobretudo, humildade”

Jigoro Kano

“Ao lutar você deve ser como uma rocha no mar, inabalável pelas ondas”

Masatoshi Nakayama

“As grandes virtudes do karate são a prudência e a humildade”

Gichin Funakoshi

“Nunca se esqueça do antigo ditado que diz que um vento forte pode destruir uma árvore robusta, mas o salgueiro verga-se e o vento passa por ele”

Gichin Funakoshi

“Um samurai deve sempre respeitar seu oponente, antes e após a luta”

Inazo Nitobe

“A justiça é a virtude mais importante. Um verdadeiro samurai não ataca o inimigo sem uma forte razão”

Inazo Nitobe

“Se você não controlar o inimigo, o inimigo irá controlar você”

Miyamoto Musashi

“Onde há vontade, há um Caminho”

Naseba Naru

“A maior glória não é ficar em pé, mas levantar-se cada vez que se cai”

Confúcio

“A invencibilidade está na defesa e a possibilidade de vitória, no ataque”

Sun Tzu

“Sejam perseverantes! As artes marciais exigem um trabalho de muito fôlego”

Shirai Hiroshi

“O caminho para o sucesso não tem atalhos”

Tanaka Masahiko

“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”

Confúcio

“Não importa o quão devagar você vá, desde que não pare”

Confúcio

“Há algo a ser aprendido de uma tempestade repentina: quando você aceita que inevitavelmente se molhará, poderá manter a mente tranquila, mesmo sob a chuva”

Yamamoto Tsunetomo (Filósofo japonês)

“Entre a força e a técnica, vencerá a técnica. Se a força e a técnica forem iguais, vence o espírito”

Miyamoto Musashi

“O verdadeiro pacifista é aquele capaz de causar danos imensuráveis mas escolha não fazê-lo quando provocado”

Morihei Ueshiba

“Siga um único caminho sem se envaidever com a vitória nem se quebrar com a derrota, sem esquecer a cautela quando tudo está calmo, nem se assustar quando o perigo ameaça”

Jigoro Kano

GLOSSÁRIO

ARTE MARCIAL

KARA (空) – Vazio

TE (手) – Mão

DO (道) – Caminho

KARATEDO (空手道) – Literalmente "CAMINHO DAS MÃOS VAZIAS"

GO (剛) – Duro, Forte

JU (柔) – Suave, Flexível

RYU (流) – Estilo, Escola

DOJO (道場) – Lugar do Caminho (Literalmente "DOJO – LUGAR EM QUE SE ENCONTRA O CAMINHO")

DOJO KUN (道場訓) – Código de Conduta do DOJO

BUDO (武道) – Caminho Marcial, do Guerreiro

BUSHI (武士) – Guerreiro, Samurai

BUSHIDO (武士道) – "Caminho do Guerreiro"; Código de Honra do Samurai

SAUDAÇÃO

O–TAGAI NI REI (お互いに礼) – Saudação mútua

REI (礼) – Reverência, Saudação

RITSUREI (立礼) – Saudação (de pé)

SENSEI NI REI (先生に礼) – "Saudação ao professor"

SHIDOIN NI REI (指導員に礼) – "Saudação ao instrutor de graduação abaixo do sensei"

SHINZEN NI REI (神前に礼) – "Saudação de frente ao altar", em respeito à tradição e às artes marciais

SHOMEN NI REI (正面に礼) – "Saudação para frente"

OUTRAS FORMAS DE SAUDAÇÃO

ARIGATOU GOZAIMASHITA – "Muito obrigado" (por algo que aconteceu há algum tempo)

ARIGATOU GOZAIMASU - "Muito obrigado" (por algo que está acontecendo ou acabou de acontecer)

DŌMO ARIGATOU – "Muito obrigado"; "muitíssimo obrigado"

GOMEN–NASAI – "Desculpe"; "Perdão"

IIE, DŌ ITASHIMASHITE – "De nada"; "por nada"

IKI–NUKI O SHIMASHOU – "Vamos fazer um intervalo"

KOMBANWA – "Boa noite" (chegando em algum lugar)

KONNICHIWA – "Boa tarde"

MAA – "Oh! "; "Olha só! "; "Que coisa! "

MŌ IKKAI SHIMASHOU – "Vamos fazer mais uma vez"

OHAYŌ – "Bom dia"

O–JAMA SHIMASU – "com licença"; "desculpe incomodar"

ONEGAESHIMASU – Literal: “Eu peço”. No Dojo: "Por favor, treine comigo" ou "Por favor, ensine-me"

OKITE KUDASAI – "Por favor, levantem–se"

OYASUMINASAI – "Boa noite" (despedida)

SAA, KYUUKEI SHIMASHOU – "Bem, vamos descansar"

SAYONARA – "Adeus" ou "Tchau" - mais definitivo e formal

SHIN–KOKYUU SURU – "Respirar profundamente"

SHIZUKA NI – "Silêncio! "

YAA – "Oi"; "Olá"

YOSH – "OK", "Certo!", "Vamos nessa"

VESTIMENTA

KARATÊGI – O traje de KARATE–DO. É composto por:

UWAGI – Blusão

ZUBON – Calça

OBI – Faixa

NÚMEROS

ICHI (一) – Um

NI (二) – Dois

SAN () – Três

SHI / YON (四) – Quatro

GO (五) – Cinco

ROKU (六) – Seis

SHICHI / NANA (七) – Sete

HACHI (八) – Oito

KYUU / KU (九) – Nove

JUU (十) – Dez

NIJUU (二十) – Vinte

SANJUU (三十) – Trinta

YONJUU (四十) – Quarenta

GOJUU (五十) – Cinquenta

ROKUJUU (六十) – Sessenta

NANAJUU (七十) – Setenta

HACHIJUU (八十) – Oitenta

KUUJUU (九十) – Noventa

HYAKU (百) – Cem

SEM (千) – Mil

NISEN (二千) – Dois Mil

GRADUAÇÃO QUANTO À FAIXA

DAN – Nível

MUDANSHA – Faixas inferiores à preta

YUDANSHA – Graduações a partir da faixa preta (SHO DAN – 1º dan)

SHODAN (初段) – 1º Dan

NIDAN (二段) – 2º Dan

SANDAN (三段) – 3º Dan

YONDAN (四段)– 4º Dan

GODAN (五範) – 5º Dan

SHIHAN (師範) – 5º Dan

DURANTE O TREINAMENTO

SHUUGOO – Encontro

KIOTSUKE – Atenção

SEIZA – Sentar–se (na posição tradicional, ou seja, sobre os pés)

KIRITSU – Levantar–se

MOKUSO – Concentrar–se

MOKUSO YAME – Fim da concentração

MUSHIN – Vazio mental

NAOTTE – Retornar à posição inicial

YOI – Preparar

KAMAE – Em guarda

HAJIME – Começar

YAME – Parar

YASUME – Descanso

CORPO HUMANO

AGO – Queixo

AKILES – Tendão de Aquiles

ATAMA – Cabeça

ASHI – Pé ou perna

ASHI–NO–KO – Dorso do pé

ASHI–NO–UBI – Dedo do pé

ASHI–NO–URA – Sola do pé

DOO – Tronco

EMPI – Cotovelo

ENJU – Calcanhar

HANA – nariz

HARA – Ventre

HIJI – Cotovelo

HIZA – Joelho

HON – Dedos

KAMI – Cabelo

KAO – Rosto

KARADA – Corpo

KATA – Ombro

KATAI – Canela

KE – Cabelo

KEN – Punho

KENTO – Raiz das falanges da mão

KIBISSU – Calcanhar

KOBUSHI – Punho

KOSHI – Quadril

KUBI – Pescoço

KURUBUSHI – Tornozelos

KUTI – Boca

MATSUGUE – Cílios

MAYU – Sobrancelhas

ME – Olho

OYA–YUBI – Polegar

SE – Costas

TAI – Corpo

TE – Mão

TEKUBI – Pulso

UDE – Braço

WASHIDE (鷲手) – "Mão da águia" (ataque com a ponta dos dedos da mão)

YUBI – Dedo

CORES

AKA – Vermelho

AO – Azul

KI–IRO – amarelo

KON – Azul marinho

KURO – Preto

MIDORI – Verde

MURASAKI – Roxo

ORENJI – Laranja

SHIRO – Branco

TYAIRO – Marrom

TERMOS DIVERSOS

AI – Harmonia

ATE – Objetivo

ATEMI – Golpe traumatizante em ponto vital

AYUMI – Andar normal, caminhada, passo

AWASE (合わせ) – Combinar, unir, cruzar

BARAI – Varrer

BON – Contador de objetos longos (como socos)

BUGEI – Artes Marciais

BUKI – Armas

BUKIHO – Principais armas

BUN – Parte, Pedaço

BUNKAI – "Entender as partes"

CHAKUGAN – Visão

CHIKARA – Força muscular

CHINMOKU – Silêncio

CHANTO – Certo, correto

CHI MA – Distância curta

CHOKU – Correto

CHUKOKEN – "Outro punho de ponto único"

CHUU – Meio, metade

CHUUI – Atenção

DACHI – Posição, postura, base

DAI ICHI – Primeiro

DAI NI – Segundo

DAN – Nível, grau

DEAI – Momento do contato

DESHI – Aluno, discípulo

DOMTO – Respiração normal

DOSA (動作) – "ação" ou "movimento"

DOSHU – Caminho do Mestre

EMBU – Demonstração do Espírito Marcial; duas pessoas treinando KATA

EMBUSEN – Diagrama do KATA, linha de realização do mesmo

EMPI – Cotovelo

ENCHOO – Prolongação, extensão

FUMI – Pisar

FUMIKIRI – Golpe cortante

FUMIKOMI – Pisar com força

GAESHI – Contra–ataque, "Retorno", "Revidar"

GEDAN – Nível baixo, baixo ventre e pernas

GENKOTSU – Punho, mão fechada

GERI – Técnicas de pé (tanto ataques como defesas)

GOKAN – Os 5 sentidos

GUETA – Tamancos para treinamento

GYAKU – Contrário

GYAKU KAITEN – Giro de corpo contrário ao sentido da técnica (efeito de retrocesso)

HAJIME – Começar

HAMMI – Posição em diagonal

HANSHI – "Mestre modelo", "Exemplo a ser seguido"

HARA – Ventre

HASU NO HANA – Flor de Lótus (Símbolo do Budismo)

HEIKŌ – Paralelo (a)

HEIKŌ HŌ (平行法) – "Técnica Paralela"

HEISHU (閉手) – Mão fechada

HENKA – Variar

HIDARI – Esquerda

HIKI – Voltar, puxar, recuar

HIJI – Cotovelo

HIKIASHI – Retração rápida do pé após um chute

HIKITE – Retrocesso do braço contrário ao que golpeia

HIKIWAKE – Empate

HIZA ou HITTSUI – Joelho

HIRA – Plano, reto, horizontal

HIRA UKE – "Bloqueio plano" ou "defesa horizontal"

HON – Dedos

HONBU – Sede, Quartel General

HOTEI – Dedicação

HYOOSHI – Ritmo

IBUKI – Respiração com contração abdominal

IDO – Deslocamento, movimentação

IPPONKEN – "Punho de ponto único"

IPPON NUKITE – "Mão em lança de um dedo"

JIGOTAI – Postura defensiva

JIKAN – Hora, tempo

JINJA – Templo Xintoísta

JIYUU – Livre

JOGAI – Exclusão

JUKU – Escola preparatória, cursinho

JYODAN – (Yodan) – Nível alto (pescoço e cabeça)

KACHI – Vitória

KAICHOO – Presidente (de uma associação)

KAI – Entender

KAISHU (開手) – Mão aberta

KAITEN – Giro, rotação

KAKATO – Salto (de sapato)

KAKE – Executar

KAMAE – Em guarda

KAMAETE – Em posição de combate

KAMI – Supremo, elevado, divindade

KAMIDANA – Altar caseiro (Xintoísta)

KAMIKAZE – Vento divino

KANARI – Um tanto

KANJI – Caractere chinês, ideograma

KANZEN MUKETSU – Perfeição absoluta

KATA – Forma

KATANA – Espada

KAZE – Vento

KEAGE – Ascendente

KEBANASHI – Percurtante

KEKOMI – Penetrante

KEITO – "Crista de galo"

KENTO – Raiz das falanges da mão

KI – Espírito; Energia interna

KIAI – Grito (Liberação da energia concentrada)

KIHON – "Fundamento", "Base", "Princípio básico"

KIME – Foco, Focalizar

KIMONO – "Coisa de vestir"

KIRI – Cortar

KIYO – Espírito positivo

KIOTSUKE – Atenção

KIRITSU – Levantar–se

KIYO – Espírito positivo

KŌBŌ (攻防) – Ataque e defesa

KONGO (混合) – Mistura, Combinado

KOHAI – Principiante, Iniciante

KOKYUU – Respiração

KOOCHI – Instrutor (a)

KOMI – Com força, penetração (sufixo que intensifica o movimento)

KŌTO – Quadra

KOSA – Cruzado, cruzamento

KOSHI – Dente de tigre

KOTE (小手) – Antebraço

KOTEGAESHI – Torção do pulso

KUATSU – Técnicas de Reanimação

KUMI – "grupo", "conjunto", ou "unir"

KUMITE (組手) – "interação de mãos" ou "mãos unidas"

KURI UKE – "Defesa circular contínua". Redireciona o ataque ao invés de bloquear

KYOOKAI – Associação

KYOSHI – "Instrutor sênior", "Mestre educador"

KYUUSHO – Pontos vitais

MAAI – Sentido da distância, saber adaptar–se ao movimento do adversário

MAE – Posição frontal, para frente

MAWATTE – Girar, retornar

MEISSO – Meditação

MENKYO – Diploma, Certificado

MICHI – Caminho

MIGI – Direito

MIKAZUKI – Crescente

MOKUSO – Concentrar–se

MOKUSO YAME – Fim da concentração

MO–RENSHUU – Treinamento intensivo

MORO – Duplo

MOTO – Origem, base, fundamento

MOTTO – Mais

MUGEN – Sem limites

MU – Vazio, nada

MUSHIN – Vazio mental

MUSSUBI – Juntar

NAGUE – Arremessar, projetar

NAGUE WAZA – Arte de arremessar, destreza ao arremessar

NAMI – Onda

NAOTTE – Voltar ao normal

NAWA – Corda

NEKO – Gato

NI – "Ao", "à", "aos", "às" Ex.: SENSEI NI REI – Saudar ao professor; dois

NIHON – Japão

NIHON NUKITE – "Mão em lança de dois dedos"

NOGARE – Respiração diafragmática, sem contração abdominal

NORITSU – Eficiência

NYUJO – Meditação contemplativa

OI – Perseguir, avançar atrás de algo

OI–ZUKI – "Soco de perseguição"

OKI – Grande

OMOTE – Frente

OSAE – Imobilização

O–TAGAI – Mútuo

OTOSHI – Para baixo, descida, descendente

OYA–YUBI – Polegar

OYO – Aplicação

REN – Série, sequência, continuidade

RENMEI – Liga, Federação

RENSHI – "Pessoa refinada" ou "Instrutor treinado"

RENZOKU – Sequência, contínuo, em sucessão

SABAKI – Movimentação de esquiva

SAIKO – Supremo, mais alto, máximo

SAIKO SHIHAN – "Mestre Supremo"

SAMMAI – Absorção

SANKAKU – Triângulo

SEIDO – Sistema, Instituição

SEIGYO – Controle

SEIKEN – "Soco direto" ou "Punho direto"

SEITO – Aluno

SEIZA – Posição formal ajoelhada

SEMPAI – Aluno mais graduado

SHIGYO – Treinamento austero

SHIHAN – Mestre

SHIME – Estrangulamento

SHIN – Espírito

SHINSEI – Santo Sagrado

SHISEI – Postura, posição

SHITA – Parte inferior, baixo

SHIWARI – Quebra

SHIZEN – Natural

SHIZEN–TAI – Postura natural

SHODAI – Fundador

SHOGEI – Todas as Artes

SHOMEN (正面) – Frente ou face frontal

SHOREI – Estímulo, Encorajamento

SHOTEI (掌底) – Base da palma da mão (Sho = palma da mão, Tei = base ou fundo)

SHUDO – Orientação

SHUKEN – "Punho da mão"

SHUSOKU – "Arco do pé"

SHUTO – "Mão em espada"

SHUUGOO – Encontro

SOKKO – "Topo do pé"

SOKUTO – "Pé em espada"

SONO BA – "Parado no lugar"

SOREHODO – Nem tanto

SOSHITSU – Dom, talento

SOTO – Externo

SUKOSHI – Um pouco

SURI (摺り) – Deslizar, esfregar

TAI – Corpo

TAIDO – Atitude

TATE – Vertical

TENDEN – É um "ponto imaginário" situado no abdômen alguns centímetros abaixo do umbigo onde

se concentra o "KI". O TENDEN também é conhecido como "CENTRO DO CORPO".

TETTSUI – "Mão em martelo"

TEKUBI – Pulso

TIMING – Antecipação

TOBI – Voar, levantar vôo

TORI – Pegar, agarrar

TO MA – Distância larga

TSUGI – Próximo, seguinte

TSUKAMU – Agarrar

TSURI ASHI – Movimentar–se deslizando e mantendo o mesmo pé à frente

TSUKI – Soco, estocada

TSUMASAKI – "Ponta do dedo"

UCHI – Do lado de dentro, interno

UCHIDESHI – Aluno interno; particular

UDE – Braço

UKE – "Receber", defesa, bloqueio

UKETE – O que defende

UNDO – Prática

URA – Reverso, lado de trás, invertido

URAKEN – "Atrás do punho"

USHI MA – Distância média

USHIRO – Atrás

WAZA – Arte, destreza

YAKUSOKU – Acordo, combinado, compromisso

YAMA – Montanha

YAME – Parar

YASUME – Descanso

YKKURI – Vagarosamente

YOI – Preparar

YOKO – Lado

YONHON (四本) – "quatro movimentos"

YORI – Aproximar–se, chegar perto

YUMI – Arco (Kyudo)

YUN KAITEN – Giro de corpo no mesmo sentido que a técnica

ZANSHIN – Estado de alerta

ZENGO – ZEN "anterior"; GO "posterior"

ZENSHIN – Progresso gradual

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS